Tuesday, June 30, 2009
CLOSED!
É, acabou.
Nunca mais romance, nunca mais cinema, nunca mais drinque no dancing. Nunca mais cheese. Fico aqui feliz por que a ferida está estagnada.
Agora, vocês podem continuar me visitando na minha nova casa.
http://escrevernaoajuda.blogspot.com
Não escrevia mais por aqui por que não conseguia. Foram acontecendo as coisas, eu até mudei de casa, a luta pela internet própria, o monstro que morava embaixo da cama teve que se readaptar no guarda roupas devido às minhas novas gavetas embutidas: - a era da sacola plástica acabou.
Eu fiquei emocionalmente acabada. A gente leva um tempo pra se restabelecer.
Como não sou mulher de ficar acuada, finalizo com as novidades do blog novo, e da Lasanha em sua 13ª edição, o que é foda. Vão. Mas eu cheguei atrasada.
http://lasanhawiskow.blogspot.com/
O meias já era. Sim. Casa velha, assuntos repetidos, amores que viraram carvão. A casa não é minha, é dele. E ele foi-se embora assoviando na chuva.
Casa nova! Para rimar com a vida.
O Escrever Não Ajuda está sendo feito de pequenos em pequenos pedaços, mas já funciona como gaveta velha e autoterapia. O mundo gira.
Visitem e comentem no meu e-mail. Por que Waly já dizia: “o poeta precisa ser alimentado”.
Pra quem fica... Tchau... e benção.
Se fue, se foi!
Fodeu.
Fim.
Post Scriptum: Sigo incendiando bem contente e feliz.
Monday, May 11, 2009
Tudo bem
Bastam seus olhos, sua voz e seu riso. Bastam as suas manias.
Você sempre ali ao lado.
Havia um brilho nos meus olhos. Você reparou?
Cuidado, que um dia, eles afogam você.
Tuesday, April 28, 2009
Estou tentando
Mas parece que você não morre.
Não morre daquele jeito
aqui dentro de mim.
Verdade ou desafio
Sabe aquela cara que eu faço que te incomoda e aqueles flagras que você me dá, acompanhando você de longe nos balcões? Queria saber dos seus planos para breve. De repente deitar, esticar as costas, acender unzinho e ver seriados na tv? Talvez tomar uma cerveja e colocar as camisas pra lavar e dormir sem roupa? E os seus planos longos? Talvez ir pra Califórnia, comprar um carro, talvez voltar ali onde tem ar puro pra você conseguir dormir? Casar? Um dia?
Um dia perfeito pra você é acordar cedo (ou muito tarde?) e deixar tudo pronto em casa, tomar um bom chope com bons amigos no bar, ver uma menina que te faça rir, cozinhar pra ela e levá-la pra dormir? Despacha-la no outro dia ou ficar com ela sem fazer nada o dia inteiro?
O que você gosta de fazer, ficar de cuecas no puff, olhar pela janela de manhã, rua sem nenhum barulho? Gosta de ouvir a voz de alguém no telefone, ir à pizzarias ou visitar amigos? O que você pensa quando fica lá ouvindo Cash? Você tem medo de baratas, mas mata se alguém tiver mais medo que você? Tem tiques nervosos, manias que te fazem ficar irritado com si próprio, paciência com crianças? Gosta de cabelos muito curtos ou que ela tenha bons modos? Passivo? Mais de três vezes por semana? Sente medo de morrer antes de ser o que você quer ser?
Você não precisa entender. Pode me flagrar pela milésima vez em uma hora e querer me tacar uma faca, perguntar que que ce ta olhando?. Mas tudo isso eu me pergunto dentro de dois segundos em que você pousa seus olhos no nada, e eu pouso meus olhos em você.
Aqui entre nós
Wednesday, April 22, 2009
Eu sei
Mas é como minha vida está. Estou dançando no meio dela e uma hora ela joga prum lado, outra hora pro outro. But: understand me.
Em breve a vida pára de jogar e eu páro no meio equilibrando a bandeja.
Promessa.
Friday, March 27, 2009
Tuesday, March 24, 2009
Karma Police
This is what you get.
This is what you get.
This is what you get...
Mas tinham ali os meus amigos todos especiais, aquele que foi lá embora um pouquinho por sabia o perigo da Creep, e naquele que tava caindo atrás de mim e ouvindo tudo abraçado comigo e batendo os dreadlooks na minha cara toda hora, que era até engraçado de ver. Esses meninos foram a graça da minha noite. Ele cantando berrando ali na minha orelha e eu dançando com a minha lindinha. Faltou o Marquinhos. Ele sabe por que eu falei pra ele. Faltou você Marquinhos. Faltou mesmo. Ai gente, eu chorei com Creep, eu chorei mesmo. Abri meu berreiro lá e pouca gente viu.
I lost myself
I lost myself
I lost myseeeelf
Do caralho aquela gente toda cantando junta. Foi lindo. Eu tinha que vir aqui escrever que foi lindo. Apesar de parecer hoje que eu fui pisoteada por um estouro de búfalos, sim, foi lindo. Obrigada minha linda por ter ficado dançandinho comigo, obrigada meu querido por ter me acolhido nos seus braços quando eu ia morrer ali no meio da lama, e obrigada você, que vai ler meus pedaços de longe enquanto eu achar importante te contar mesmo que eu não queira mais sofrer por você de perto. Espero que tenha sido a ultima vez que eu chorei por você.
Render é o que há.
Quem é que precisa de sono, quando se tem uns amigos assim tão sensacionais que nem os meus? Por que hoje eu acordei cedo, cheguei na hora, fiquei prosa com minhas avaliações, saí cedo, tomei cerveja com meu filho (uma outra espécie de filho), com a minha lindinha, aí saí pro Conjunto Nacional atrás dele, li poesia, recitei poesia e escutei poesia, beijei amigos, anotei umas coisas, saí à francesa, preparei tudo no mac, fui pra baixo do Masp e com as minhas coisas ilícitas e subi direto pro Banco Real, a pracinha maravilhosa do Banco Real quando vazia, e ri, ri, ri, ri, levei a florzinha no ponto e peguei o mesmo ônibus do Rodrigo e só parou por ali por que eu não quis ir pra festa onde ele estava se direcionando. Preferi me direcionar à minha casa, onde estavam os meninos e entrei atacando a goiabada com queijo da geladeira e sentei aqui pra dizer só uma coisa:
Você está comigo quando esta longe.
Quando eu posso te trazer pra perto, eu te trago. VocÊ não precisa vir se não quiser. Mas eu sempre vou chamar por que sua presença, em qualqier lugar, em qualqier hora da madrugada, da tarde ou da manhã é ótima. Eu não ia dizer isso aqui no blog, de jeito nenhum, mas eu vou dizer agora e escuta bem: Você colore o chão onde você pisa.
E é por isso que eu já pulei.
Desculpa
Mas não deu pra falar a verdade
Quando você perguntou
Se eu era do tipo que se apaixona
Rápido
Talvez fosse
um pouquinho verdade
Não deu pra levar a sério aquele papo
De ver como amigo
Não engoli o pepino
De ficar longe de você quando você
Ri
Por que o seu sorriso alegra essas paredes
Seu colo me provoca paz
Seu adeus
Me abandona
Nesse buraco
Onde eu quis pular.
.
Sexta-feira Treze
Só estou aqui por que eu tenho que falar alguma coisa. No dia não fui capaz de falar nada. Na verdade, ainda não sou, mas eu tenho que falar pelo menos um pouquinho, mesmo que não saia. Pra ver se sai essa ficha entalada na garganta. Pra ler depois e me convencer de que é isso aí. Ainda não sei como que eu vou ligar meu radio, nem sei bem como vou acordar, muito menos como vou conseguir dormir. Não sei se faz diferença. Se vou conseguir trabalhar, olhar pela janela ou ligar meu celular. Não sei como vou passar por certos lugares, por certos lados da calçada. Tudo vai ficar bem, é o que dizem. Você um dia vai aprender. Vai ficar ali dançandinho com os seus amigos até cair no mesmo buraco de novo. Eu só não sei como vai ser quando fizer chuva, ou quando derem cinco horas da manhã. Por que você estava ali nas minhas horas de loucura, de sujeira, de cortina e de sal grosso. Por que você me colocava pra dormir quando eu achava que não dava mais. Eu não consegui chorar. Eu não consegui fumar, nem comer, nem trabalhar. Só quando ele chegou, beijou minha mão e me ergueu lá no alto na cozinha. Eu disse que saudade de você, e achei legal poder sentir algo bom depois de tudo que aconteceu comigo. Não quero mais ouvir aquela musica que você saiu assobiando depois que disse que ia embora. Por que eu juro que você fez isso. Você disse que ia embora e saiu assobiando. Enquanto aquela parte importante de mim morria você foi embora cantando pelo corredor. Eu deitei na cama e pensei em não pensar nada. Eu precisava dormir e se eu pensasse eu não ia dormir naquele dia, nem nunca mais. Aí eu dormi daquele jeito que você odeia, de roupa, de sapato, de brinco. Acordei e tudo estava bem, mas de repente, no terceiro segundo da manhã eu lembrei que não existia mais você. Aí fez um buraco e ele cresceu e eu passei mal o dia inteiro. Outro lado de mim me disse: Ele foi um merda, ele inventou que viu o que não aconteceu só pra arrumar um motivo e disse e foi. Ouviu? Você é um mentiroso. E eu até pensei em não te levar a mal mesmo. Quando as coisas acabam, a gente tem que saber reconhecer. Foi o que eu ensinei praquele menino quando ele foi deixado pra trás também. Não por mim, mas por aquela que cuidava dele. E eu reconheci nos seus olhos que acabou. Eu não sou aquela que você conheceu. Eu envelheci uns cem anos.
Mas eu vou dizer uma coisa. Na verdade, a única coisa que eu queria dizer.
Apesar de tudo, de todas barreiras, dificuldades e tristezas que eu vou ter que passar, eu vou te colocar nas minhas boas lembranças e ficar bem. Vou esquecer que você não era aquele que eu achei. O que você era, eu guardo comigo. Tomara que um dia você volte.
É antigo, mas era assim
Em cima da mesa, o filme. Aquele que eu queria te mostrar. No rádio, Lobão. Arrastando-se em ainda não sei por onde você andaaaa.
Talvez.
Além das ruas e das noites
Você me guia.
Isso eu reinventei agora.
Por que bêbado reinventa músicas. Eu reinvento. O bloco de anotações cheio de você e você nem sabe. Ninguém sabe. Nos blogs a gente não conta as coisas que ninguém pode saber. Nem com cara de romance. Mas não é romance, é doença. Eu fico doente. Com febre. Por dentro. Nicotina, vódega e febre. Um silêncio por qualquer silêncio. Uma cara ao menos por um tapa. Uma rosa por algum espinho. Uma vida só por uma noite. (por favor, agora já é tarde), teu desejo agora é meu silêncio. (por favor, depressa, já é cedo). Teu desejo agora é meu desejo. Eu só queria cantar mais um pouco
Só pra te ter mais um pouco
Que nem naquele dia com você grudado com o ouvido nas minhas costas enquanto eu tocava e cantava Hole no violão. Canta, canta, canta.
Mais um noite que não vai terminar
Mais uma noite no meio no nada
Flashback da vida queimando na veia
Mais uma vez outra promessa quebrada
Mais um momento e a noite me tem pra sempre.
Tanta coisa que já me tem pra sempre que meus pedaços ficaram por aí. Cada pedaço num canto, no chão, com alguém, nuns copos, numas bitucas. Agora tem uma parte com você que você não agüenta carregar de tão pesada. Deixei meu peso em você, minha paranóia em você. Que não segura nem a sua carga. Menino. Que tem esses gestos e essa mania lindinha de falar óquêi. Bem assim: óquêi.
E mais uma vez, quem sabe, eu altere os meus planos
Baby.
E pode ser que eu fique mais um dia
Mais uma noite de psicodelia
E mais uma vez quem sabe
Eu altere os meus planos
Baby.
Amanhã eu vou dizer voltou? Voltei. E vai doer. E eu vou ter que dar um risinho. E pensar, ai caraleo, e agora como é que eu vou fazeEeEeEeEr? CreccrecCrEcReCREC. E a sua carinha de pois é. E a minha cara de pois é. Então ta; próximo copo a gente se fala. Próximo copo a gente se acha. Por enquanto fica a dissonância. Você encontrado. Eu perdida em cinqüenta que ficaram por aí.
Não dá seu coração na mão dele, viu?
E eu dei e agora eu fico querendo ver ele fora de hora e falar com ele fora de hora e beijar ele fora de hora. Ê, caralho.
Depois de um ano sem aparecer na casa, ca estoy yo, escutando as valsinhas de sempre, escrevendo as coisas de sempre, do avesso como sempre. E o pior que o motivo nem mudou. Me and my fool heart. This is me. Assim você olhou pra mim. E eu estava olhando pra você fazia tempo e você achando que era assim mesmo, esse negócio de eu ficar olhando pras pessoas. Anotei meu número num pedaço de papel, reparei onde você tinha bolsos, pensei, vou enfiar o papelzinho lá dentro, ele não vai nem ver, não vai ter nem tempo de ver. Aí ele faz o que quiser com isso, joga fora, mostra pra todo mundo e dá risada da minha cara, ou quem sabe ele vai ligar e eu vou poder falar pra ele que a voz dele fica bonita do lado de lá. Mas não deu tempo de nada disso. Nem deu tempo de cair naquele buraco, por que antes dele, tinha outro. Este outro, é aqui. Tem uma luz lá em cima, mas tem um colo aqui pra eu poder deitar. Eu acho que ta errado. Eu tenho que achar um colo lá em cima; ou esquecer de vez dessa história de colos. Mas eu quero ficar. Até o chão (ou o colo) virar areia movediça.
That's it
E eu quebrei a minha cara, cortei o cabelo, fumei uns cigarros, estive por uns lugares, conheci umas pessoas e amei um monte de gente e chorei numas casas. Fui numas festas, dancei nuns palcos, numas pistas. Fui feliz, fiz umas promessas que eu tenho que cumprir, falei pra ele que faz tanto tempo, tanto tempo que eu quero, eu quero você, eu disse, eu queria você até quando você ficava fazendo coisa escrota. Ele achou engraçadinho, não entendeu nada, ou entendeu e ficou sem graça, sei lá, só sei que ele ficou ali me olhando com aquele risinho e eu fiquei olhando ele olhar pra mim de volta, é a vida, a gente fala uma coisa dessas p’rum cara e ele fica ali te olhando e rindo da sua cara. Não há nada que eu seja capaz de fazer. Virei uma geminiana bobona e falastrona. Agora eu vou ter que conviver com isso pro resto da vida. Eu sinto até vergonha. Se alguém quiser trocar de signo, favor enviar as credenciais para o meu e-mail.
Queridos, o que eu faço não é grande coisa
Eu pego aqui a caneta e escrevo umas frases – quando eu lembro dele ou sinto saudade
De alguma coisa.
Poema com cara de poema é a maior merda, natal com cara de natal é a maior merda.
Hoje é um dia simples como todos os outros, eu, a minha caneta, a minha dor na mão, e meu coração espetado. Senti vontade de falar com umas pessoas como eu sinto vontade de falar com elas todos os dias, e liguei pra dizer oi como eu faço quando eu to bêbada todas as vezes, e dormi sozinha como eu durmo todas as noites.
Deixei um recado pra você que você não vai entender.
Mas não importa. Eu falo de verdade quando eu bebo. Falei enrolado, mas falei de verdade. Eu só esqueci de dizer: a cama vira um abismo quando você não está nela.
Nesse tempo, estive bem socialmente envolvida. Abandonei caixa de emails, orkut, biritas baratas, dinheiro (pra pelo menos, nessa vida, me sobrar a glória de beber direito), saudades (que se dissiparam por que outras coisas tomaram lugar, como você, você e você), e manias – quero mudar de assunto.
Por que as coisas para serem especiais não precisam prestar e não precisam ser bonitas e não precisa que ninguém, além de mim, entenda. Primeiro: Florzinha, minha florzinha, cada eu te amo vale um passo que eu dê pra fora da cama. Segundo, você pode me falar a verdade mais dolorida do planeta que eu vou amar você também, por que a gente é assim. Terceiro, eu vou pra Califórnia viver a vida, pensar em você com carinho e te mandar um postal. Quarto, você está aqui no meu pulso ferido brilhando que nem estrelinha.
Recados dados. Só pra vocês saberem e entenderem. Volta.
Estive também trabalhando muito, dormindo pouco e tido dores de cabeça e ligado pra umas pessoas que dá saudade ouvir a voz.
Botei fé, sim, em você.
Você não precisa ser nada além do que você é. Você pode ficar só com o pedacinho do braço encostado no meu braço que eu gosto.
Mas volta. As coisas estão assim:
eu continuo mandando recados
pros outros
e fingindo
descaradamente
que não.
Acordei no calor
Com a ressaca PEGANDO
Lembrando
Tudo
Tudo
Sentada com um jarro d’água
No chão da cozinha.
Lembrando como eu PESEI
Minha cabeça PESOU
Meus ombros PESARAM
Eu indo lá atrás dele
Eu devia ter ido embora naquela hora que eu queria
Ir embora
Melhor do que sentada ali
Bebendo a bebida toda
E perseguindo as pessoas
Tudo errado
Errado
Errado.
Um dia eu tenho que aprender.
Submerso
Tudo vazio.
Olho p’rum lado.
Nada.
Olho para o outro.
Nada.
Uma amiga diz:
Você está preparada
Pra hoje?
Bom.
Ele está lá (não sei onde)
E eu estou aqui
Pensando, pensando, pensando.
Eu não estava preparada
Era pro nome dele em amarelo.
.
Teve um dia que eu estava lá quietinha no meio daqueles livros todos. Naquele dia que o dia era só tédio, vazio em qualquer canto. E aí eu peguei um livrinho e fiz o que eu sempre faço, sorteio uma página e leio um trecho. Não botava fé naquele livrinho do Walt Whitman. Aí caiu aí ó, e eu quis mostrar pra você, e na impossibilidade, mostrei pra todo mundo que tava perto. Na van, no metrô, no ônibus, em casa e no bar. Olha só o que eu achei hoje e copiei no caderninho. Aí liam e, sabendo da minha situação, do meu gênio e das minhas intenções, eles entenderam.
Dizia assim ó:
Se me quiser de novo,
Me procure sob as solas de suas botas.
Vai ser difícil pra você saber quem sou ou o que estou querendo dizer.
Mesmo assim vou dar saúde
Vou filtrar e dar vida ao seu sangue.
Não me cruzando na primeira,
Não desista.
Não me vendo num lugar,
Procure em outro,
Em algum lugar eu paro e espero você.
Fueda.
Saturday, March 14, 2009
Isto
Que eu conto pra você todo dia antes de dormir
Sobre as dores nas costas e sobre esses homens que
não me amam
e digo sobre a árvore de natal do Ibirapuera, sobre
a fonte do Ibirapuera e a sombra das árvores
quando eu te toco no braço
e te machuco com a ponta da unha e te rasgo
e você olha pra mim com aquela cara que vai dar merda
e ri, eu te
olho de longe
e eu falo do barulho lá fora
eu não sei
se são as baratas
se são os mendigos ou são os gatos ou se é
a minha cabeça
se eu fico louca, se é culpa do trabalho, dos dias, da
falta
se é culpa sua ou culpa
dele
se é saudade e tormenta e
tempestade
e eu durmo naquela cama que você conhece menos que
eu
te culpo e te mordo e te derroto e te extermino
de tudo
que habita esta casa
Nesse dia cheio de falta
cheio de falta
cheio de falta
.
Wednesday, March 4, 2009
Sunday, February 22, 2009
Monday, December 8, 2008
Thursday, December 4, 2008
That’s it.
E esse blog ficou em manutenção sem placa.
Certo. Eu fiquei uma caralhada de meses sem escrever ou dar as caras. Vocês sabem como funciona. A gente vai trabalhando, arrumando sarnas pra coçar e pagando o aluguel. Aí a gente some. Cest la vie. E eu escutei tanto essa frase ultimamente que ela virou mantra. E eu quebrei a minha cara e quebrei algumas outras caras, cortei o cabelo, fumei uns cigarros, estive por uns lugares, conheci umas pessoas e amei um monte de gente e chorei numas casas. Fui numas festas, dancei nuns palcos, numas pistas. Cantei nuns karaokes e fui feliz, venci umas partidas de bilhar, ganhei uns trocados em apostas, fiz umas promessas que eu tenho que cumprir, ganhei um número de celular e escutei umas vozes boas, falei pra ele que faz tanto tempo, tanto tempo que eu quero, eu quero você, eu disse, eu queria você até quando você ficava fazendo coisa escrota. Ele achou engraçadinho, não entendeu nada, ou entendeu e ficou sm graça, sei lá, só sei que ele ficou ali me olhando com aquele risinho e eu fiquei olhando ele olhar pra mim e ri de volta, é a vida, a gente fala uma coisa dessas prum cara e ele fica ali te olhando e rindo da sua cara. Não há nada que eu seja capaz de fazer. Eu nasci no dia 12, virei geminiana por que aconteceu alguma merda lá nos astros, olha só no que deu. Virei uma geminiana bobona e falastrona. Agora eu vou conviver com isso pro resto da vida. Eu queria dizer mais umas coisas, dele, dela, os que me afundaram e dos que me puxaram pra cima, e dos que eu puxei pra cima e depois joguei no buraco de novo, é fóda, é a vida. Mas hoje estou de passagem. E deixando um pedaço meu, pra variar.
Sunday, July 27, 2008
Tuesday, July 15, 2008
O que vai acontecer é que eu vou ficar MALUCA
Sunday, July 6, 2008
Pra quem achou que tinha esfriado, olha o que saiu do forno:
Lançamento da oitava edição, segunda-feira, dia 07 de julho
Alessandro "Robocop" Bartel - Angela Oiticica - Bárbara Lia - Beatriz Bajo - Caco Pontes - Cassiano Monteiro - Cassio Amaral - Célia Musilli - Cesar Ribeiro - Daniel "Danny Boy" Cavana - Daniel Faria - Diniz - Humberto "Bebeto Cicas" Fonseca - Jarbas Capusso Filho - Karina Abramovich - Larissa Tanganelli - MaicknucleaR - Marcelo Ariel - Márcio Américo - Mariana Hagnè - Me Morte - Natanael de Alencar - Nicole Louise - Paula Klaus - Paulo de Tharso - Paulo F - Pedro Pellegrino - Ricardo Carlaccio - Robson Araújo - Rogério Saraiva.
Hoje eu não tô pra ninguém
Tuesday, June 24, 2008
Eu só queria ter pulado no teu colo e te enrolado numa toalha quente. Ter lido em voz alta aquele trechinho do livro do Fante que eu ia te dar de aniversário. Pensei em escrever a obra de arte da minha vida e te dar, em letra de mão. Pensei em buscar a moldura da casa com o tapete no meio que eu falava tanto que era onde eu ia dançar com você no começo do blog até encher o saco. Pensei em mandar uns cartões com frases feitas e desenhos animados cheio de corações desenhados com Bic mas não ia dar certo, então eu simplesmente sentei e chorei. Não deu certo escrever um dia antes pra você por que eu não sabia o que dizer. Aí hoje, que a primeira coisa do dia foi você, aí eu achei que dava. Não “super deu”, por que não é uma obra-prima, é só um pedacinho do meu coração todo choco e esfacelado, mas que é seu hoje como foi há dois anos quando você sentou ali comigo e me disse seu nome, e em todos os dias que se seguiram. E ele sempre vai ser seu, mesmo que ninguém bote a mão no fogo por isso, mas eu boto mesmo que eu não saia falando, hoje é só uma exceção. Cantarolo baixinho “vou te encontrar com 2.000 anos de idade...”, que nem na música do Arnaldo, “triste pensar em você com quem não vive depois da morte”.
Tem uma coisa que eu nunca te digo. Amor pra você é uma coisa diferente. Então eu não fico dizendo que eu te amo. Mas eu te amo, desse meu jeito todo torto que eu não sei largar, mas eu te amo, e hoje eu quero que o dia seja seu, ou o pedacinho dele que você escolher.
Você disse que gosta da minha cama. Eu gosto de você na minha cama. Assim como acho que você fica bem bonito andando sem roupa pela minha casa me ajudando com meus acidentes domésticos. Eu pedi pra você não ir mais embora. Você disse que se ficasse ia me encher de filhos. E você ficou e me encheu de você.
Thursday, June 5, 2008
Eu sempre bato nas teclas erradas. Lembro do primeiro, ele tinha 16 anos e eu 13. Foi meu primeiro beijo. Beijo nada. Foi um estalinho, smack, aí eu sai correndo. Quando passo naquela esquina eu lembro dele. Ele era tão feio, mas tinha um bom coração e gostava de música clássica. Depois nunca mais olhou na minha cara e sumiu. Menina louca, a gente beija ela e ela sai correndo. Não é coisa que se faça. Aí teve o loirinho do vôlei. Na verdade, eu me apaixonei pela irmã dele e não por ele. Ele foi conseqüência. Mas descarta. Aí teve o doido que andava de skate. A gente ficava por aí falando bobagem e se agarrando pelas escadas. Ele tinha uma perna um pouco torta e uma voz ruim. Aí veio aquele que é meu amigo até hoje. Tão amigo que a gente quase saiu no pau um dia. Ele mereceu todo palavrão que eu gritei pra ele. Hoje ele sabe disso. Hoje a gente dá risada daqueles tempos e fica falando do futuro. Ele está bem, eu também estou. Aí veio menino, o meu menino, que ficou comigo tantos anos. O que segurou todas as minhas fases. Eu não sou uma pessoa fácil. Ele também não era. Mas a gente se amou tanto que o amor estragou. Isso existe, sim. Eu fiquei sem forças. E lembro com carinho das madrugadas no quintal gelado falando sobre tudo, tudo mesmo, enquanto ele espirrava com a fumaça do meu cigarro. Eu disse que ele ia ficar bem e ele ficou. Lembra, menino? Ainda bem que às vezes a gente ainda pode conversar. Talvez a gente tenha conversado tanto que acabou virando amigo. Também tem dessas. Mas não dá pra ficar fazendo listinha, certo? Acho feio. Mas não é uma lista. São só lembranças que eu tenho que ficar rememorando ás vezes pra não esquecer onde foi que eu pisei em falso. Assim como o curitibano do hotel que ficou comigo na beira da piscina. Aquele senhor que tinha mania de falar inglês e me exibir como troféu pros amigos dele. Aquele punk que morava na calçada da Brigadeiro e enchia a cara o dia inteiro, fez exame de aids e eu cheguei a achar que ele ia me matar. Quero dizer, eu não tenho meus miolos no lugar certo. Mas de todo mundo eu saí correndo.
Dele eu não consigo. Tem os olhos dele, as músicas dele, a voz dele, todas as coisas dele em todo canto. Ele chegou e disse “olha, você deixa eu ficar aqui um pouco mesmo que eu tenha que um dia, te deixar aqui sozinha?”. E eu deixei. Ele acabou ficando. Mesmo sabendo que às vezes eu só sirvo pra bagunçar tudo. É inevitável. Eu o vejo e penso “eu quero ele”. Não tem jeito. Eu quis desde o primeiro dia. Desde quando ele pegou na minha cintura daquele jeitinho. E é desse jeito que as coisas estão. Eu quero ele e parece que ele ainda me quer. Mesmo bêbada e mandando ele pro inferno. As minhas linhas continuam tortas, honeylove. Eu ainda sou meio cavalo marinho, meio mulher. Mas quando você me olha lá no fundo eu sou inteira mulher. Inteiramente sua mulher. Por mais triste que isso seja.
Thursday, May 29, 2008
Então; fazer aniversario no dia dos namorados é fóda, era sobre isso que eu estava falando? Certamente. Vou dizer uma coisa: ainda não caiu a ficha. É tipo a hora em que eu fico olhando de frente pra mim e vejo assim ó: a metade da esquerda é meio atrapalhada, a mão treme sozinha, o cabelo é escorrido demais e fica preso atrás da orelha, tem uma aliança que não é de homem no dedo médio (por que no anelar é muita apelação) toda velha, riscada, mas brilha constantemente apesar do estado. Sem falar no cérebro, de esquerda, de esquerda. Do lado direito tem as unhas maiores (mas não me imaginem como aqueles caipiras que tem mãos com unhas desproporcionais, com um mindinho de unha grande e pintada de preto, não). Sempre achei minha mão direita mais bonita. É com ela que acendo meus cigarros e seguro umas canetas fora de hora. É com ela que ajeito a alcinha do sutiã quando cai, e é com ela que dou uns tapas nas pessoas que ficam me cutucando. Ela não tem anel. Mas eu ia falar de tudo de um jeito figurativo. Então: Meu lado direito fica com aquele coque horroroso e fazendo cara de blasé, observa e não dá pití como o esquerdo, obedece aos comandos e tem o botãozinho do foda-se protegido, por que é mais sensato do que o resto inteiro dessa que vos fala. Então agora, no próximo dia 12, alguma coisa vai ter que ser rearrumada. Vou ser clara. Não dá pra ser essa contradição toda. Ou eu enfio logo meus pés pelas mãos de novo, ou eu fico com os meus óculos tentando não errar as mesmas coisas que eu já errei mil vezes antes. Pra início de conversa, preciso de um emprego fixo, legal e que me ocupe. Eu gosto de ficar ocupada. Por que ficar fazendo palestrinha e dando aulas de violão não dá. E não foi uma palestra. Quero dizer, foi, claro que foi. Fiquei lá explicando sobre as coisas que eu já aprendi a explicar faz tempo. Mole. Mas aí teve a sessão perguntinhas. E eu, sendo entrevistada, vixi, falar de mim a seco é fóda. Não podia beber uma vodka. Eu estava a seco falando sobre mi persona prum monte de gente que fica procurando espelho pra olhar. E eu não sou espelho, pessoal. Eu sou eu, escrevendo minhas coisinhas aqui e ali também. Eu nem sei muito bem lidar com meus parágrafos. Mas o que importa é a sinceridade, o sentimento, a febre, então eu vou fazendo. Se a febre passar, é simples, largo tudo. Mas não passa por que eu já descobri. Ah, deixa eu mudar de pato pra ganso agora que eu lembrei: Não dá pra ficar alheio aos meios de comunicação, à internet, etc. É lá onde todas as pessoas estão. Achei ele sem querer querendo esses dias. O que, pra mim, é mais do que tortura. Sorte dele que agora eu já me recuperei, já estou noutros campos, estou menos adolescente. Se não eu ia escrever assim: “Passando para deixar uma passagem ao inferno ao senhor e toda sua família. Até lá”. Sorte sua, ouviu? Sorte sua. Sim, por que o meu menino, aquele louco, maluco, filho da puta que eu amo, deixou as fotinhos da primeira namorada dele com seus cabelos repicados e meias soquetes ali pra todo mundo ver. Ele não viu mal nenhum nisso. Faz tanto tempo, mas os cabelos continuam compridos e repicados e as meinhas soquetes ainda soam tão bonitinhas. Poxa vida. Mas tudo bem, por que ele não é meu namorado de fato, como quis que eu acreditasse um tempo atrás. Olha, menino, sorte tua que eu resolvi não deixar você namorar comigo, viu? Senão agora você ia ver só. Eu ia com um taco de beisebol quebrar o teu computador e gritar “meinha soquete é o ca-ra-le-o”. Mas eu sou uma mocinha tranqüila, centrada e não me apego com coisas pequenas. Mentira. Nem tanto. Por isso eu vou deixar você segurar no meu cabelo quando você vier amanhã. Pode até deitar ali no meu sofá-colchão e tirar minha roupa se você quiser. Ou pode ficar olhando que eu faço tudo isso sozinha. Sem grilo. Você não é meu.
Agora deixa eu voltar pra onde eu tava, e ao mesmo tempo começar outro assunto nada a ver. Recomecei o livro três vezes. Tenho um em primeira pessoa, outro e terceira e outro em primeira e terceira, mas ficou meio doido. Você, é ele. Não tudo, por que você foge. Ele não. Ele ta ali meio sem saber como mas ta ali. Ele (o outro personagem), é o outro. Com o pouco que eu posso dizer sobre ele. Deduzir. O que é melhor ainda, por que aí fica como não sendo ele. E ela, sou eu, claro, mas não eu, por que ela é melhor. Ela faz as coisas e fala as coisas. Ela não fica enlouquecendo sozinha nem se martirizando. Ela não deixa ninguém controlar ela, mesmo que o nosso fim seja igual. Mas no caso dela, valeu a pena. No meu, eu ainda não sei, mas vamos pela dedução. Eu acho que eu vou me foder, né. Se ele (o personagem) colocasse meias soquetes na página pessoal pra todo mundo ver, um dia ele ia chegar em casa e o computador dele ia estar afogado num balde de cândida. Foda-se no que ia dar. Mas se ela não fala nada, quem sou eu. Ela não é ela, a personagem. Ela é ela, aquela. A B. Ou a A. Depende do ponto de vista.
Mas pra despeito de uns, ah, outra coisa habita minha cabeça nesse minuto e admito, nos últimos minutos e dias e semanas. Também li inteiro o Lolita. Sim, Nabokov, eu enrolei anos e anos pra ler esse livro por que sei lá, não rolou. Ele ficou aí na estante (na verdade, é uma prateleira) e eu só li por que o Budapeste não me comoveu no ponto certo. Juro, honeypie, fico um tempão lendo aqueles trechinhos cheios de Lo, loli, Lolinha, Dolores, Haze, Sweet, Dolly, e nossa, não existe amor assim. Pensei, olha que menininha chata, essa Lolita. Ela é chata, mas ele ama ela. Ta, ele é louco. Doidão. Ele não devia ter isolado ela daquele jeito. Aconteceu o que acontece, ela ficou enjoada e deu um jeitinho e ele se fodeu de verde e amarelo. Essas Lolitas.
Ah, e eu sonhei coisas horrorosas, sonhei de novo com os gatos furiosos, sonhei com bananas verdes (segundo o livrinho, assim como os gatos significa traição) e ontem sonhei com uma menina de cabelo enrolado louro e comprido e que não parava quieta, uma junkie que me deu uma mordida no pescoço e eu virei uma vampira em pleno show dos Beatles (eles estavam num palquinho e o Lennon olhou pra minha cara numa hora) e eu larguei o Flávio lá e fui atrás de alguém descente pra morder o pescoço e fazer virar imortal e ficar comigo na sua imortalidade pro resto dos milênios. Sério. Eu quase mordi uma mina (sim, uma mina que sorria pra mim e parecia a personificação de Lúcifer com sua beleza e maldade nos olhos) mas fiquei com nojo do sangue, imagina gosto de sangue, mesmo sendo vampiro não dá. E chegou um cara uma hora todo feio e se apresentou pra mim como (um nome de demônio), meu, eu sonhei com o próprio demônio, foi horrível e eu acordei desesperada pensando que bom que eu morro, que bom que eu morro, sem marquinhas de dentes no pescoço. Vou tomar um banho de sal grosso.
Agora olha lá pra fora, o dia amanheceu, e eu vou dormir. Falou aí pros que ficam.
Tuesday, May 27, 2008
Saturday, May 24, 2008
Get Lost
Para esses dias que andam fazendo*
Ah, esse fundinho de canto, ele esteve na minha cabeça trazendo você, todas as coisas que eu topei, que eu lutei por elas, tudo, ta errado, isso ta bem errado, não era pra aquela musica combinar comigo, eu queria sair cantando i wanna rock ou qualquer outra musica ruim por aí, não essa, essa que tem o jeito dos meus pulmões, da minha tosse. Sair cantando essa musica por aí é muita exibição, é muita dor exposta, eu já aprendi que dor é pra ficar do lado de dentro, ela é minha, minha, minha, não quero ela com mais ninguém. Honey, só tem três homens nesse mundo que eu amo com toda paixão e sinceridade do mundo. Magoei um ontem, e também outro, mas este não sabe. Pensei em ficar com essas minhas dores pra mim, ninguém tem nada a ver com elas, só eu.
É ruim ficar com essas tristeza
Essas minhas dores
Minhas
Com esses olhos cinzentos
Com esses cigarros meus
Fumados até o filtro
Os olhos dele
Que não dizem nada
Com essa minha urgência
De morrer de tudo
Que não presta
Bebi demais
Seduzi os homens errados
Me apaixonei pelos homens errados
Cheguei sempre atrasada
Queria ficar num cantinho meu
Mas ninguém vive de arte
Ninguém faz o que gosta
Ninguém diz tudo que queria dizer
E desse jeito
Não dá
Por hoje queria encolher aqui, murchar e esfarelar, e se eu morresse agora, dedicaria meu último pensamento a você, por mais de mil motivos que podem ser significantes ou não – talvez agora, não. Queria deixar de ser, de pensar, cuidar dos meus tendões doloridos, me deixar quebrar inteira. Claro que eu sei, nada funciona assim, nada acaba na hora que tem que acabar.
Você me perguntou se eu era infeliz. Falta. Falta ainda um bocado. Mas eu ainda sou feliz dentro do que o momento oportuna. Tenho meus amigos. Meus amigos são coisa sagrada, não é pra mexer com eles. A gente se cuida. Eu não deixo ninguém machucá-los. A não ser quando eles pedem pra ser machucados. Tem dessas. Todo mundo tem. Eu tenho bastante. Tenho o fim da tarde e vejo a noite chegar quase sempre, sobrevivo às minhas noites, escrevendo, vendo meus vhss, lendo minha pilha de livros,cantando e dançando sozinha na sala, bebendo com os meus queridos, atendendo meu celular só pra sair da rotina. Prefiro que as pessoas me liguem quando tem algo a comunicar. Exceto ele. A voz dele é boa à qualquer hora. Ele eu atendo sempre. O celular toca diferente.
Thursday, May 22, 2008
Bêbada. Bêbada. Bêbada. Tenho que parar de ser assim.
Homens errados, errados. (Mas é claro que eu me divirto. E claro que e não entrego meus poucos potes de ouro nas mãos de gente que fica lendo blogs).
Hoje acordei num misto de céu e infeno, conseqüencia da bebedeira noturna, dormi tonta, parecia um globo da morte, sonhei sonhos horríveis, gatos arranhando minhas pernas, gatos furiosos me perseguindo e se enroscando em mim. No livrinho dizia "traição sendo preparada". Minha mãe que viu pra mim por que eu liguei pra ela meio louca.
Aí você me acordou com a sua voz grossa, ah, bonequinha dorminhoca, to chegando, e você veio e eu vi que eu sinto tanto a tua falta (mais e mais), você sem camisa me ajudando com os fios queimados do chuveiro.
Estou derrotada num meio-fio. Olhos insanos olhando minhas pernas.
Foi isso que eu li aquele dia. No fundo cinza e todo encolhido. Em letras itálicas e sublinhadas. Segredo.
É muito fácil enganar-se quando essa idéia torna-se fixa na cabeça e atrapalha o sono, a concentração, tudo. Naturalmente, realidade (de merda) e fantasia se apegam uma com a outra e fazem esse turbilhão de bagunça aqui em volta. Por que não é possível uma voz causar tanta desordem, puxar todos os freios de mão, pisotear em cima. Pelos seus olhos eu morro.
Hoje não é um bom dia, sabe? Eu sei querido. Meu amante. Assassino. Me corta inteira enquanto olha minhas pernas. Sorri seu sorriso depravado e insano, como uma derrota divertida. Seus cabelos rolando ásperos nesses dedos calejados. Loucura. Não pode ser desse jeito. Pela primeira vez de olhos abertos. Sete dias corridos como uma lesma e você de olhos abertos. Toda beleza do mundo no sorriso dele, eu escrevi mil vezes numa folha, mentira, em duas folhas mortas, amareladas, e ninguém mais encosta lá. Toda a beleza do mundo na boca dele. Eu escrevi seu nome e em volta dele está tudo que existe. Olhos crispados e cabelos ásperos. As migalhas pra você cuidar. My sweet Lo. Tão perdida no meio desse cinza temeroso. Toda beleza do mundo na boca dele, rindo com as mãos enfiadas no rosto.
Saturday, May 17, 2008
Sunday, May 11, 2008
Sem motivos pra escrever por aqui. Luto. Alfinetes. Trapos. Sobras. Bandaids.
Quando começar a cicatrização, eu volto.
Tuesday, April 8, 2008
Para E.
Que este amor não me cegue nem me siga
e de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
e do tormento
de só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
pois formas tão perfeitas de beleza
vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
de um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
e farta de fadigas. E de fragilidades tantas
eu me faça pequena. E diminuta e tenra
como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
II
E só me veja
no não merecimento das conquistas.
De pé. Nas plataformas, nas escadas
Ou através de umas janelas baças:
Uma mulher no trem: perfil desabitado de carícias.
E só me veja no não merecimento e interdita:
Papéis, valises, tomos, sobretudos
Eu-alguém travestida de luto. (e um olhar
de púrpura e desgosto, vendo através de mim
navios e dorsos)
Dorsos de luz de águas mais profundas. Peixes.
Mas sobre mim, intensas, ilharjas juvenis
Machucadas de gozo.
E que jamais perceba o rocio da chama:
Este molhado fulgor sobre o meu rosto.
III
Isso de mim que anseia despedida
(para perpetuar o que está sendo)
Não tem nome de amor. Nem é celeste
Ou terreno. Isso de mim
É novo: Como quem come o que nada contém.
A impossível oquidão de um ovo.
Como se um tigre
Reversivo,
Veemente de seu avesso
Cantasse mansamente.
Não tem nome de amor. Nem se parece a mim.
Como pode ser isso? Ser tenro, marulhoso
Dançarino e novo, ter nome de ninguém
E preferir ausência e desconforto
Para guardar no eterno o coração do outro.
IV
E por que, também não doloso e penitente?
Dolo pode ser punhal. E astúcia, logro.
E isso sem nome, o despedir-se sempre
Tem muito de sedução, armadilhas, minúcias
Isso sem nome fere e faz feridas.
Penitente e algoz:
Como se só na morte abraçasse a vida.
É pomposo e pungente. Com ares de santidade
Odores de cortesã, pode ser carmelita
Ou Catarina, ser menina ou malsã.
Penitente e doloso
Pode ser o sumo de um instante.
Pode ser tu-outro pretendido, teu adeus, tua sorte.
Fêmea-rapaz, ISSO sem nome pode ser um todo.
Que só ajusta ao Nunca. Ao Nunca Mais.
VI
Tem nome veemente. O Nunca Mais tem fome.
De formosura, desgosto, ri
E chora. Um tigre passeia o Nunca Mais
sobre as paredes do gozo. Um tigre te persegue.
E perseguindo és novo, devastado e outro.
Pensas comicidade no que é breve: paixão?
Há de se diluir. Molhaduras, lençóis
E de fartar-se,
O nojo. Mas não. Atado à tua própria envoltura
Manchado de quimeras, passeias teu costado.
O Nunca Mais é a fera.
VII
Rios de rumor: meu peito te dizendo adeus.
Aldeia é o que sou. Aldeã de conceitos.
Por que me fiz tanto de ressentimentos
Que o melhor é partir. E te mandar escitos.
Rios de rumor no peito: que te viram subir
A colina de alfafas, sem éguas e sem cabras
Mas com a mulher, aquela,
Que sempre diante dela me soube tão pequena.
Sabenças? Esqueci-as. Livros? Perdi-os.
Perdi-me tanto em ti
Que quando estou contigo não sou vista
E quando estás comigo vêem aquela.
VIII
Aquela que não te pertence por mais que queira
(por que ser pertencente
É entregar a alma a uma cara, a de áspide
Escura, negra e transparente), Ai!
Saber-se pertencente é ter mais nada.
É ter tudo também.
Aquela que te pertence não tem corpo.
Pertencente é não ter rosto. É ser amante
De um Outro que nem nome tem. Não é Deus nem
É vida e ferida ao mesmo tempo, "ESSE" Satã.
Que bem me sabe inteira pertencida.
IX
Pensas de carne a ilha, e majestoso o osso.
E pensas maravilhas quando pensas anca
Quando pensas virilha pensas gozo.
Mas tudo mais falece quando pensas tardança
E te despedes.
E quando pensas breve
Teu balbucio trêmulo, teu texto-desengano
Que te espia, e espia o pouco tempo te rondando a ilha
E quano pensas VIDA QUE ESMORECE. E retomas
Luta, ascese, e as mós vão triturando
Tua esmaltada garganta... Mas assim mesmo
Canta! Ainda que se desfaçam ilhargas, trilhas...
Canta o começo e o fim. Como se Fosse verdade
A esperança.
X
Como se fosse vão te amar e por isso perfeito
Amar o perecível, o nada, o pó, é sempre despedir-se
E não Ele, o Fazedor, o Artífice, o Cego.
O Seguidor disso sem nome? Isso..
O amor e sua fome.
(Hilda Hilst)
Puta, ele me chama.
Apenas sigo as ordens, penso.
Com a mão esquerda você acende um cigarro. Sweet, sweet darlin. Há amor escondido no núcleo da perversão.
Você entreabre a boca daquele jeito. A loucura é resultado da libido. Murmúrio de exaustão sem nunca chegar no limite da exaustão. Olha-me de cima. Prazer por estar no inferno.
É como se apaixonar por seu próprio estuprador. Ás vezes não é repugnante o sentimento de sujeira. É fazer a perversão tornar-se seu estilo de vida. Prazer por estar no inferno, observar ser observado. É foder-se com objetos pontiagudos. Tomar remédio. Se olhar no espelho. Não saber esperar e ainda assim esperar. Se dar sem ser achado. É ele jogar fora a carta que demorou 3 horas pra ser concluída. Querer dar um tiro na mãe e depois na própria cabeça. Um ato solitário. Medo de ser abandonada insanamente nessa calçada. A loucura é o reflexo da foda. Nunca se tem o suficiente. Encontrar o amor no sofrimento. Se sentir acompanhado quando se está sozinho. Prazer por estar morrendo. Pode parecer confuso, mas me sinto irracional todas as vezes que você quase olha nos meus olhos.
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Thursday, March 27, 2008
Reparei agorinha, meio atrasada.
Vou brindar aqui com essa espumante rosa que surgiu do nada. Aqui ninguém tem dinheiro pra comprar champanhe. Um brinde.
E que daqui pra frente parem de puxar meus fios.
Tuesday, March 18, 2008
Inclusive, conheci o Carlaccio ontem do nada, enquanto tomava uma cerveja num quase-boteco. Li seu Um Drink no Bunker no fundo da H. Conheci a Lu (Lu por pura intimidade, adquirida já nos tempos de trocas de e-mails cheios de substâncias existenciais, furadas e sérias). Ela tinha escrito um conto sobre uma garota que amou tanto que perdeu a própria dignidade. Ela sim, a Lu, é um verdadeiro raio. Mas de lua. Miss Moonshine. Enquanto ela dorme, eu vigio. E vice-versa.
Pela primeira vez, acordei de manhã e me vi: Esse negócio de ser a gente mesmo incomoda. Mentira. Eu nunca mais vou sentir um cheiro de manhã e não lembrar de quando eu me sentei ali e o universo se resumiu, justo pra mim, bem diante dos meus olhos. Faz frio na noite de São Paulo. Agora eu entendi o meu post scriptum.
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Ai, que eu não sei mais pra quem eu escrevo, eu achava que “eu escrevia pra ele”, eu escrevo pra beijar ele fora de hora, eu escrevo pra não ficar louca, por medo total da loucura, pavor, incômodo, engulho, mas eu escrevo tanta mentira, tanta verdade com tanta mentira, por favor, um diário de menina, passando abaixo pela garganta e as linhas crescendo e ele lá com a camisa aberta, e ele lá com os olhos intrometidos, e ele lá com as gatinhas dele, e ele lá dando risada de mim, e eu aqui com tudo isso olhando e olhando e olhando e querendo queimar tudo, fraca, burra, atrapalhada, não queima, está tudo aqui, olhando pra minha cara de volta. Eu preciso tentar sair de mim e entrar numa lasca de gelo. Morrer lasca de gelo.
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Sem Fins
Agora meu maior defeito, é a saudade. O sono. Minha velhice chegando mais cedo. Mas eu sou essa. Me prefiro assim. Na verdade, esse é um post de pura encheção de lingüiça, sem fins literários, apenas um parêntese e esclarecimento público, só pra achar que agora todo mundo sabe que eu não estou nem aí, só um pouco, bem pouco mesmo. Agora eu não me mato mais. Agora eu não sou uma mina preocupada. Agora, eu amo, escrevo, trabalho, e converso quando tenho vontade, do jeito que tenho vontade e não gosto menos de ninguém por isso. Só que agora, quem aprova ou desaprova, sou eu, o que eu mesma faço, no caso. Não você. Nem você. Nem ninguém. Estive fechada pra balanço. Agora estou comigo. Bem aberta pra mim mesma. Adieu.
O tempo não volta. Ele partiu. E ela ficou olhando pro espelho.
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Acabou a luz aqui de casa enquanto eu escrevia pra você. Eu sou do tipo que acha que
Tudo
Tem que ter um significado.
De repente
Não era pra ninguém saber
O que você pensa
Quando deixa claro que precisa
Olhar dentro de mim
Lá de longe
Durante um segundo
Em que você sucumbe
Até ficar puto
De repente a descarga foi
Por eu vir aqui admitir
derrotada
Que pra você
Eu sempre estou
nua.
.
Wednesday, February 27, 2008
Que noite triste. Quanto resto de coisas no chão. Olha pra baixo. Só tem restos. Só tem restos e eu acho que faço parte. Justo eu que tenho tanta coisa pra fazer. Fazer meu maço de cigarros durar pelo menos três dias. Deixar de ser tão afobada. Chegar na hora certa. Parar de marcar encontros. Amar um homem por vez. Eu não consigo. Preciso parar de mentir. Dizer coisas sem sentido. Dizer coisas erradas. Pensar mais, falar menos. Fazer mais, esperar menos. Descansar mais, amar menos. Tudo na medida errada. Desfazer aquele monte de roupas do quarto. Não tenho mais espaço pra andar. Nem pra abrir meu guarda roupas. Parar de escrever e-mails. Parar de esperar respostas de e-mails. Rever os amigos. Me explicar pra eles e pedir desculpas. Abraçar meu pai. Parar de dever no banco. Ligar pra ele, eu disse que ia ligar. Ele me fez prometer. Eu prometi. Parar de sentir vergonha. Parar de olhar as costas alheias. Parar de roubar os homens das outras. Ficar com um só pra mim. Limpar as cinzas do meu teclado. Parar de rir escandalosamente. Parar de chorar com musiquinhas. Escrever mais, nada pros outros. Escrever minhas coisas. Sustentar meus sites. Responder meus recados. Dormir na hora certa. Parar de andar morrendo pelos cantos. Eu preciso. Tenho que aprender mais, ser mais esforçada. Não ser só alguém que está ali. Debater. Erguer a cabeça e mandar tomar no cu quem tem que tomar no cu. Deixar as unhas crescerem. Pintar elas de vermelho. Parar de machucar os outros. Parar de filosofar em voz alta. Parar de rir de piada sem graça. Aprender a tocar violão direito. Aceitar que eu não sei escrever poesia. Parar de escrever poesia. Sumir com as poesias do blog. Mudar o nome do blog. Mudar meu nome, usar o de verdade. Ler mais livros. Manjar de literatura clássica. Aprender a pronunciar Proust. Parar de deixar pra lá. Resolver as coisas eu mesma. Aprender a matar baratas sem suar, tremer e sair correndo. Renovar meu guarda roupas, comprar as lentes certas pros meus óculos. Parar de pensar nele. Entender que as pessoas têm coisas pra fazer. Parar de dançar só em casa. Engordar três quilos. Comprar botas novas.
Só que eu não sei por onde começar. E nem como.
Você faz muita falta, honey love. Tem noites que ficam tão vazias. Hoje eu não sei se faz frio ou calor. Uma noite sem nada. Não tem nada nela, só eu e o Arnaldo cantando “i feel in love one day”. Hoje eu estou com medo. Hoje eu não sei se estou cheia ou com fome. Não sei se estou doente ou se estou com sono. Meu cigarro está acabando. Você está em algum lugar que eu não sei onde é. Não quero saber, na verdade. Eu não queria ver onde você está agora. Onde você fica todos os dias enquanto eu fico aqui morrendo de saudades. Adoecendo. E definhando como uma rosa. Onde você fica enquanto eu estou aqui tentando contar umas estrelas no céu que nem tem estrelas. Uma noite horrenda que não sabe nem se é boa ou ruim. Ainda tem uns desencaixes. Ainda tem a pilha de louça na pia. E eu não sei por onde eu começo a arrumar. A bagunça de dentro e a bagunça de fora. Tem noites que eu sei que você nunca vai ficar por mais de uma semana. E você faz falta, honey. Faz falta o seu cheiro aqui grudado no meu cabelo e na minha pele. Eu não sei por onde eu começo, dear. Eu queria ficar sozinha. Eu queria te escrever aquele poema triste que eu li ontem. Mas tudo continua assim por hoje. Sem estrelas, sem espaço, sem lógica e sem você. Eu não sei até quando eu agüento.
Ai, cara. Eu olhei lá pra baixo e eu pensei “putz, destino do caralho”. Será? Eu pensei nisso um tempo. Entrei no ônibus pensando nisso. Quando eu saí de lá até aconteceu uma coisa estranha, tinha uma doida, uma mulher doida com cara de anjo, e ela encostou a cabeça no meu ombro quando eu tava esperando o sinal abrir. Olhei pra trás pra ver se era alguém conhecido, só meus amigos fazem isso, mas tinha uma doida com cara de anjo. Ela sorriu abertamente pra mim e disse que eu estava feliz. Eu estava. Sorri de volta. Os pedestres ficaram olhando. Ninguém sorri pra uma doida que sai encostando a cabeça nos outros na rua. Ela disse que eu tinha um sorriso bonito e tinha algo especial entre outros elogios que eu queria lembrar mas não lembro. Fiquei pensando o que era aquilo. Ela era louca. Talvez não. Ela veio gritando lá do começo da rua e parou no meu ombro. O sinal abriu e ela me falou de um jeito tão sóbrio “tchau, fica com deus”, e eu disse “você também, linda”, e ela saiu gritando de novo pras outras pessoas coisas que nem dava pra compreender. Aí eu entrei no ônibus e fiquei pensando, ai, destino, destino, vida maluca, o que tem que acontecer acontece, é a lei, sempre assim, tem sempre alguma coisa por trás. Não dá pra fugir. Quero dizer, dá. Mas só se eu fosse louca. (De repente...)
Ai eu fiz tudo o que tinha pra fazer. Depois cheguei em casa deixei o rádio bem alto e dancei, e girei e dancei e cantei e pulei e deixei tudo em ordem, eu estava em perfeita ordem. O mundo estava na sua perfeita ordem. Ele chegou, perguntou por que eu estava tão elétrica, e disse a verdade, não sabia, o dia deu certo, vai ver foi por isso, aconteceu tudo de bom, na hora certa, nada me aborreceu. Teve a escada, teve o dia lindo, teve gente querida, teve ele no meu colchão me olhando de um jeito que me estraçalhou toda, meu homem, ah, eu nunca o amei tanto quanto ontem. Eu olhei pra ele e eu não queria estar olhando pra nenhuma outra coisa, nada além dele ali sem camisa me olhando daquele jeito de volta, eu pequena ficando gigante e eu não sabia se estava minúscula ou gigante, tem hora que não dá pra saber. Hoje eu fiz tudo que eu gosto de fazer. Olhei pra todos que eu queria olhar, não dormi, mas quem precisa de sono numa manhã tão linda, eu não preciso, eu gosto de ver as coisas acontecerem. Tem acontecido. Eu tenho cantado, dançado, amado, e festejado. Só esqueci o champanhe que minha mãe me deu na casa dela, mas tem os remédios, religiosamente às dez, então até semana que vem tudo bem, nada de champanhe nem de uísque, tudo bem. O sol brilha. E minha paz transborda pra fora de mim.
É, tudo isso por que eu nasci tarde. Nasci tarde, apareci tarde, me atrasei. Sempre atrasada. Sempre atrasada e com o cu na mão. Medrosa. Mole. Meia-boca. É assim que eu sou e você não sabia. Agora sabe, eu acho. Eu disse pra ela “eu tenho mó orgulho dele”. Ela entendeu. Ela não tem muito orgulho do cara dela. Só que ela não tem muito mais o que fazer na vida. Quer dizer, tem e eu tento explicar, mas ela não acredita. A gente sempre arruma tempo. Olha quem fala, a mina mais sem tempo do mundo. A mina com as costas mais doloridas. Mas eu tenho otimismo. Por incrível que pareça. Tanto que eu disse pra Mi no ônibus quando tudo tava uma merda e do nada ficou tudo bem: “É por isso que ainda tem graça”. Ela não entendeu. Não tinha nada pra não entender, mas ela não entendeu, fazer o que. Palavra de bêbado é inválida p’rum monte de gente. Menos pra mim, por incrível que pareça também. Você sabe que vai ficar tudo bem comigo. Pelo menos nisso eu acho que você confia. Talvez você não confie num monte de coisa. Eu entendo.
Ontem eu fiquei pra dizer que você fica lindo ali deitado na minha cama. Você e as pintinhas das suas costas. Você e os seus olhinhos entrões. Você e as suas manias e a sua voz e o seu jeito de me convencer que vale a pena. Eu acredito em você, dear. Às vezes eu não acredito nem em mim. Mas eu acredito em você com o seu Free vermelho falando sobre a vida. Eu acredito em você nervoso por que seu dia foi sobrecarregado. Eu acredito quando você está quieto pensando alguma coisa que você não quer que eu saiba por que tem medo que eu chore. Você sabe que eu sou fraca. Você já viu várias vezes. Me segurou várias vezes, secou meu rosto, aliviou minhas costas. Ainda é difícil pra mim te ver ali na minha cama e saber que aquela é minha cama e não sua. Pelo menos agora só tem espaço pra mim, ando sofrendo menos. Agora é minha cama de solteiro e eu. Minha sorte. Mas é difícil. É triste, solitário e complicado e sério, e isso você também sabe. As vezes nem dá pra reparar que é assim, a gente faz uns planos pra semana que vem, nunca mais que isso e de repente a gente ta por aqui, encostando as pernas por baixo da mesa, faz tempo. De repente eu te olho e você me olha de volta e você vê que eu não me seguro e que eu faço muita força. Você sabe que eu perco. E agora sabe que eu estou com muito peso nas costas, eu choro fácil. Você vê que as vezes eu não agüento mais, e sabe que daqui meia hora passa. Eu não sei muito de você. Sei que você deu certo. Sei que você é sério e não se complica nunca e fica sem saber o que fazer quando te pegam desprevenido, a ponto de perder o controle que você aprecia tanto. Nosso contraste, em tudo. Eu estou acostumada a ser pega desprevenida. Mas eu sou naturalmente descontrolada. Então até parece normal quando eu caio num precipício. Mas tem a corda, eu e ela, eu, ela e a minha cama de solteiro. Mas você tem aquilo tudo que eu gosto. Tudo que eu não consegui dizer quando você perguntou, por que sabe, eu sou chorona. Tem coisas que a gente não fala sem ficar emotivo e piégas e sem se desmanchar, você sabe, eu evito me desmanchar em público, mesmo que sempre aconteça. Mas o tempo vai passando e o tempo vai te separando de mim sem a gente perceber. Quero dizer, você não vai ficar, vai? Não vai. Então uma hora eu vou ter que recolher todas as minhas forcinhas e arrumar alguma coisa pra fazer, ou um outro tipo de gente pra gostar. Vai ser difícil. Por que é difícil encontrar alguém que tenha tudo. E além de ter tudo eu tenho que chegar a tempo, entende? É difícil. E eu não quero encontrar você em ninguém. Por que vai ser pior ainda, e injusto. Então eu tenho que tratar de mudar, um dia. Mas você sabe. É difícil encontrar alguém que ouça valsinhas com você, que te faça parar pra escutar, que seque o seu cabelo quando você sair do banho e que tenha sossegado e que já tenha visto tudo e que não seja louco e que não seja chato e que não queira te transformar em outra pessoa e que não ligue se seus amigos forem todos umas figuras estranhas pra caralho e não se aborreça se você não for bom em tudo. Você sabe que eu não sou boa em tudo e eu as vezes me envergonho e sinto culpa e penso por que eu sou assim?, e tem coisas que eu sei que você gostaria que eu fosse boa, várias delas, mas eu não sou e você só fala que tudo bem e ainda dá um jeitinho de tudo não ficar pior. Eu me esforço, mas tem coisas que não são comigo e eu quase enlouqueço. Simplesmente não devia ser assim. Um monte de coisas não deveriam ser assim, mas são, você devia poder ficar, mas não pode, eu devia poder fugir mas não posso, eu devia falar um monte de coisas mas não falo e você devia saber delas mas ficaria com medo. Então ta. Quem sabe tudo não esteja tão errado assim. Quem sabe deus soube mesmo o que fez quando me colocou pra nascer na hora errada. Quem sabe eu sou uma criança que odeia ser criança e um dia eu vou aprender a grande verdade sobre a vida. Quem sabe eu só ache que amo você e um dia eu saiba separar o real do irreal e tocar o bonde pra onde ele deve ser tocado, quem sabe um dia eu aprenda o caminho certo e não desvie! Quem sabe um dia eu pare de beber e de fumar essa caralhada de cigarros que eu fumo e quem sabe eu ache minha vocação nessa vida e ache alguma habilidade para qualquer coisa. Você sabe, pode acontecer. É o que devia acontecer. Mas por enquanto eu te amo, morro de saudades, lamento as mesmas velhas coisas e continuo mantendo meu voto de silêncio por que é melhor assim, e por que eu ainda tenho esperanças de pensar menos.
Um diamante no poço
Para Flávio de Franco
Só que desta vez, só desta vez, a gente pode não se dar um abraço de conforto no fim da noite. Este não é um conto de amor romântico. É um estardalhaço de amor fraternal. Eu sempre amei todos aqueles homens da minha vida, que fizeram dela essa confusão. “Você devia andar mais com as meninas” sempre me disseram. Claro que eu nunca dou ouvidos a essas coisas meio sem motivo. E claro que eu ia me apaixonar perdidamente pelo menininho que pagou um copo de bombeirinho pra mim quando eu tava triste ali na arquibancada daquele lugar enorme, só por que eu tava triste por causa de outro homem, outro que não valia a pena, que dormia ali ao lado. Claro que a gente ia beber juntos e claro que a gente não ia se perder. Por algum motivo, essas coisas que tem que ser, essas pessoas que a gente tem que encontrar, você entrou pro clube, fez dos meus amigos seus amigos sem ter que me envolver na confusão. Aí você me contava das suas garotas, eu te contava dos meus garotos, a gente tentava cuidar um do outro e lógico que você sabia que eu precisava de cuidados, ao passo que você sempre foi melhor que eu. Claro que eu ia morrer de ciúmes da sua primeira namorada até descobrir que ela não era uma bruxa disfarçada, o que levou tempo, e claro que você queria que eu tomasse meu caminho pra parar de chorar todas as noites por causa dele, aquele que eu também amo ainda, mas de outro jeito. Aí você me ensinou a jogar truco e eu ganhei de você várias vezes. Aí você me ensinou a jogar bilhar e eu também ganhei de você. Um menino e uma menina, sim. Claro que você ia tirar aquela musica da Chan Marshall que você odeia só pra me ensinar a tocar, por que eu adorava e cantava ela o tempo inteiro. Aí você desenhou pra eu não esquecer, eu tenho a folhinha de papel, assim como guardo aquele flyer que o Gira me deu na primeira vez que falou comigo, e o ativador de alarme que o Rogério me deu só por que eu fiquei brisando no barulhinho. Eu sou cheia dessas coisas que não servem pra nada. Você sabia que eu não era amiga pra sentar no colo, nem pra ficar beijando, nem pra ficar flertando, nem pra ficar passando a mão no cabelo. Você sabe que eu não gosto que peguem em mim. Eu sabia que podia confiar em você. Sabia o que você faria pra não me magoar e sabia o que você faria pra eu não me foder mesmo que fosse me magoar e eu fosse entrar naquelas minhas histórias de fim de mundo. Você agüentou meus homens errados e eu agüentei todas e todas as suas mulheres erradas, “são erradas”, eu dizia, mas mesmo assim entregava seus bilhetes e recados pra elas, depois você vinha e dizia “são erradas”. Apostávamos garrafas de vinho. Brincávamos de lutinha e de pegar o dedão da mão do outro com o próprio dedão, sem usar os outros dedos. Jogávamos rolhas e gelo dentro das blusas um do outro, bagunçávamos o cabelo um do outro (lembra quando eu tinha um cabelão? – aliás, lembra quando você também tinha um cabelão?), e conversávamos tomando long necks nas calçadas de São Paulo, longamente e sem descanso, sobre os nossos problemas, os problemas dos outros e sobre o mundo e sobre mulheres, homens, e música e crenças e teorias e planos. A gente dançava e assistia as bebedeiras do outro com todo carinho. Se eu caísse, você me segurava, se você caísse (quase nunca caiu) eu te segurava, e quando queríamos cair os dois, então caíamos os dois e levantávamos os dois e ríamos juntos.
Ai, menino. Eu não entendo você. Eu não entendo homens. Eu convivo com eles e eles me enlouquecem. Você é meu melhor amigo. E quando eu te digo que você é um tremendo filho da puta, é por que você é, mas tudo bem, por que na verdade, eu também sou. Mas nós somos bons. Não vamos nos perder no caminho. Promete?
Deve ser por que os vizinhos não gostam de mim. Deve ser por isso que estão todos no meu corredor agora. Tenho um quintal que na verdade, é um corredor. A Michele chama de quintal. Eu chamo de corredor. Pode até parecer um quintal. Mas é um corredor. Estão todos ouvindo Roberto Carlos no último volume em plena meia noite e cantando junto, por fora do meu corredor. Estão nessa putaria desde as oito horas da noite. Que eu saiba. Mas deve ter começado há bem mais tempo. Eu não tenho saco. Tudo está me irritando profundamente esta noite. Mas o Roberto Carlos, ahhh, o Roberto Carlos. Ele e seu como é grande o meu amor por você e todos os seus fãs chatos. Eu estava até bem antes de chegar em casa. Casa é feita pra gente descansar, ouviram? DESCANSAR. Parem de gritar música ruim nos meus ouvidos cansados.
Tem um dedo de Martini na geladeira. Odeio Martini, não tomo desde que me conheço por gente, sinto o cheiro e logo penso que quero ir vomitar na privada mais próxima. Ah, agora estão cantando os caracóis. Embaixo dos cabelos. Sempre tive uma má impressão sobre essa música. Desafinados. Ao extremo. E tentando parecer cantores, cantando com maniazinhas. Vamos, me irritem mais. Me irritem mais e eu vou sair com uma faca na mão. Vamos acabar com essa putaria aí no meu quintal, que eu quero dormir. E parem de cantar. E tem miojo fazendo, que eu queria comer em silêncio. O miojo sagrado de todo dia. Comida de gente que, que nem eu, não sabe cozinhar e nem aprende por que não tem tempo. Sou obrigada a ouvir musica em casa pra ficar mais alto que o som da festinha de corredor. Eu voltei e agora pra ficar. É isso que eles cantam lá fora agora. É foda. Vou ter que escutar música até às seis da manhã. Amanhã é minha folga. Eu queria dormir. Eu só tenho um dia por semana pra dormir. Eu preciso. Faz bem pra minha saúde. Quando eu não acabo com a minha saúde, alguém vai lá e acaba, assim como aqueles putos que espirram na sua cara dentro do ônibus. Fico sem respirar um ano por causa deles, mas uma hora a gente tem que respirar por que já ta começando a ficar com a cara roxa, e eu fico pegando essas viroses que não me pertencem. Sim, estou chata. Estou fresca. Cheia de frescuras. Não gosto que me incomodem. Certo. Muitas vezes nossas festinhas devem irritar. Mas minhas festinhas são dentro de casa. Ouviram? Dentro. Não na frente do corredor dos outros. Essa noite eu queria ter paz. E queria que ele me acordasse de manhã. E queria ouvir ele e ver ele e ficar agarrada nele. Vamos ver.
Monday, February 18, 2008
Friday, February 8, 2008
Monday, January 28, 2008
Eu sempre coloco a minha carroça na frente dos bois, aí os bois empurram a carroça com a cabeça, e quem está na frente da carroça? Eu, claro, que acabo toda esmagada, pela carroça e pelos bois, no meio da rua passando o maior aperto pensando “mas caralho, eu sabia, eu sabia”.
No fundo todo mundo tem esperança de ser feliz, né? Que o trabalho dê certo, de não morrer um João ninguém, de não ficar pra tia, de não morrer de infarto, de ter sempre em quem confiar, de não ser engolido por algum buraco negro no caminho, esperança de chegar lá, etc.
Tem coisas que são feitas pra durar. Outras não. Eu olhei no olho dele ontem e vi vai durar muito. Ele riu de mim por que viu que eu fiquei completamente desolada. Eu ri de volta, por que foi engraçado mesmo. Fico pensado por que só comigo meu deus, mas todo mundo deve pensar isso umas cem vezes por dia. Cada um sabe a cruz que carrega. Minha cruz é um coração que pesa mais que meu corpo, trava e explode e se recicla e explode de novo, e acaba ficando cansado, mas eu tenho esperança, esperança deve ser uma coisa boa, mas ainda tenho minhas dúvidas seriíssimas a respeito. No final esperança é o que faz a gente dar risada e não se matar e nem ficar louco. E eu sou uma mina tão gente boa, um dia as coisas vão dar certo pra mim por que eu simplesmente mereço. Fico pensando nisso o tempo inteiro, e claro que eu não sou gente boa por que estou esperando uma recompensa divina, quem é gente boa é gente boa e acabou. E eu sou, todos os meus amigos são, humanos quem podem até sair pra rua e quebrar os dedos na cara de alguém ou até na parede se der na veneta, mas nós somos todos muito bons de espírito e eu quero encontrar todo mundo lá na frente um dia e ver que eles não se perderam e ficar feliz por eles. É a nossa luta cotidiana, não nos perder no meio do caminho, temos pessoas pra encontrar e coisas pra preservar, temos coisas muito, muito importantes pra fazer. Pra mim é importante até sentar na mesa do bar e ficar escutando as conversas malucas deles sobre todo tipo de coisa, todas absolutamente verdadeiras e memoráveis, eu tenho mania de achar tudo muito sério. Pois bem, então eu vou ver o que eu posso fazer, cada um que dê seus pulos, essa é a lei sagrada da minha sobrevivência, sem atrapalhar ninguém e sem deixar ninguém me atrapalhar, tudo com muito respeito e muita esperança, sim, eu vou.
Wednesday, January 23, 2008
Karinamovich é uma menina que anda sem sorte, sem tempo, vara madrugadas (dorme às 6:00 am) e acorda de tarde para o péssimo trabalho que possui, trabalho qual a desgasta, a humilha e não mais a diverte, nem de vez em quando.
Tenta escrever com o senso de humor que há dentro dela mas não consegue e pára no meio.
Sente que nunca será a mulher da vida de ninguém e que precisa parar de olhar pras pessoas como “íntimas em potencial” e agir como se não fosse uma pessoa envergonhada de ser como é e fazer o que faz.
Sente-se culpada por não conseguir manter relações e convencer pessoas. Também por não escrever os trechos do roteiro que surgem em sua cabeça e por não saber como escrever roteiros com aspecto profissional.
Anda preocupada com sua caixa de e-mails abandonada, seu Orkut abandonado e principalmente por seu blog abandonado, que tinha tanto dela mas agora ela está perdida e socada em qualquer lugar, tanto que abandonou a si e aos seus ofícios por tempo indeterminado por conseqüência do estado de pura ignorância no qual entrou e tem medo não sair.
Tem medo de nunca conseguir amar um homem e de nunca largar certos “pudores” nos quais ela nem acredita, mas aos quais ainda pertence.
Ainda escreve sobre si, mas agora de um jeito bem pior e sem expectativas.
Começa de novo da estaca zero, toma cuidado ao manusear freios e não usa mais relógio de pulso, além de medir suas palavras e seu tom de voz mesmo que queira matar alguém pelo menos umas dez vezes ao dia, no mínimo.
Ainda sente arrepios com toques e proximidades e certas intimidades e fica paralisada diante da possibilidade da “entrega” em ação, principalmente da entrega verbal.
Pensa em cortar o cabelo, virar morena, pintar as unhas com cores mais discretas e aumentar sua coleção de roupinhas de verão sem mangas, o que a deixa mais feliz e com a estima um pouco mais elevada.
Tenta perder a mania de franzir os olhos e tenta endireitar os ombros e carregar menos peso, além de tomar uma postura mais ativa que passiva diante da vida e sofre por não ter decorado a frente de sua casa com luzinhas de Natal, onde nem comeu um pedaço de panetone à meia noite.
Toma antibióticos fortes pois quase morreu após tomar uma chuvinha de madrugada e beber mais do que devia por durante quase duas semanas, perde canetas todos os dias e só se sente feliz as vezes, além de ter virado uma pessoa altamente tolerante em vista do que ela era antigamente.
Vibra com valsinhas e blues, odeia propagandas de energéticos e come coisas industrializadas mesmo que tenha medo de intoxicação, infarto e diabetes.
Tem esperanças de se encontrar e de ser encontrada e parar de apenas encontrar as pessoas sozinha.
Constata que é possível que nada dê certo pra ela e que assim talvez ela se interne voluntariamente num hospício, só pra garantir que não irá se matar nem matar ninguém. O que é mentira, pois ela é cuzona e não faria uma coisa dessas.
No fundo é boa garota, tem alma boa e não quer atrapalhar ninguém, acredita em respeito, assim como em solidão bem controlada e de dentro, e fica furiosa com quem não sabe quando parar, embora ela não saiba também.
E pode ser que amanhã ela não seja mais nada disso.
É que você não tem tempo pra ficar. Eu tenho tempo pra ficar onde eu quiser. É que geralmente eu tenho preguiça.
“hoje eu quero dormir onde você dorme”, eu li ontem (acho). Triste, fatal. Aconteceu de um jeito que eu não te bati, você não gritou comigo, eu não pedi pra voltar depois de uma briga e não te disse eu te amo. As vezes eu reparo que minha alma ta toda à mostra e que você ta vendo e que todo mundo ta vendo. Tento colocar ela pra dentro, mas ela não vai. Exibida. Estou ficando cada vez pior.
É sempre um dia bom quando as pessoas que a gente ama estão por perto. Foi assim. A gente tava aqui triste pensado que ninguém vinha. Mas vieram e veio bem mais gente do que o combinado. E todo mundo comeu bem, bebeu bem e ficou bem o dia inteiro. Menos a R., que tomou muito uísque passou mal. Eu fiquei no refrigerante. Estou doente. E tomando meus remédios com certa religiosidade. E fiquei com meus amigos vendo eles oscilarem sanidade e loucura. Admirando. E fiquei falando com eles e dançando com eles e explicando coisas pra eles. Que bom que o dia tem 24 horas. Que bom que não terminou naquilo. Meia noite é sempre ruim.
Agora as coisas resolveram caminhar , e eu vou até parar de perder meus isqueiros. Já parei de perder minhas canetas. Logo logo eu até aprendo a parar de me perder.
E logo logo eu vou pular em cima dele e dizer que eu fiquei com tantas saudades. E que o tempo resolveu me ajudar, mesmo que esteja passando rápido. E que eu vou ficar bem. Este ano eu vou ficar bem.
.
(Assistindo um especial do Ivan Lins na tv)
Michele, levantando do sofá, puta, e indo em direção ao quarto:
“EU ODEIO MÚSICA BOA!”.
Bonito ele explicando por que as pessoas vão embora enquanto eu choro e quebro as coisas. Ele disse que eu tenho que me controlar mais e correr mais e fumar menos e afinar meu violão, e que ele não reconheceu aquela música que eu toquei da última vez.
Ele disse que eu era mais bonita antes do trabalho acabar comigo e ele não entende que a gente faz certas coisas só pra fugir e ele não entende que existam pessoas moles. Eu expliquei pra ele que eu sou mole, que eu danço sozinha no meio da sala e que os vizinhos não gostam de mim. Mas ele fez silêncio eu não sei por que, de repente ele não entendeu nada, de repente ele sentiu vergonha.
Eu fiz uma pasta com poemas de fim de noite, ele recitou alguma coisa comigo e guardou em baixo da cama; as vezes eu cito versos e ele não lembra, e por isso nem sente culpa.
Eu escrevo frases soltas nos guardanapos e enfio tudo nos bolsos dele, mas ele não mexe nos bolsos e lava tudo junto com as calças na máquina e reclama por que todos os bolsos dele ficam manchados de tinta de caneta. Eu bebo enquanto ele observa. Eu torço enquanto ele reza. Eu usei saias por que ele disse que gosta de olhar minhas pernas. Ele ficou com ciúmes, quebrou um copo, bateu num cara e foi embora sozinho.
Eu disse pra ele que chorava diante de coisas muito bonitas, eu dizia que coisas completas eram coisas bonitas, e ele nunca entendeu por que eu cobria o rosto quando fazíamos amor no meio da sala. Ele beijava minhas mãos e torcia pra que eu disse alguma palavra.
Um dia ele me deixou dizendo que eu tinha muita tendência a não a creditar nas coisas.
Mas eu acreditava nele ali deitado no sofá com um cigarro comido entre os dedos, entorpecido de vinho e sono falando que não podia esquecer de comprar novas gravatas, pegando no sono até às sete da manhã.
As garotinhas do meu coração apertado na Ana Rosa. Com nossos cachecóis de lã. Com nossas moedas nos bolsos pra tomar uma cerveja quente no mercado. Eu, com o coração despido. Elas, com os joelhos e corações. Me recuso a machucar meus joelhos, disse. Mentira. Por isso não uso saias.
Mas claro que eu aprendi a esconder os meus pedaços, pois quando eles ficam expostos, os outros levam embora.
Eu lembro que todo dia de manhã, a única coisa da qual eu tinha certeza era de que eu ia acordar e dar a ração pro meu gato. Agora eu não tenho mais um gato. Sequer sei se eu vou acordar pra fazer alguma coisa. Mas eu tenho certeza de algumas coisas, e eu pensei ‘eu tenho que sair correndo’, mas deu medo de você vir atrás de mim. Por que eu não sei dizer não. Eu não sei. Eu tenho medo da cor da sua pele engolindo a minha, tão ofuscada. Eu não sei mais se dá certo não ouvir a sua voz entusiasmada num domingo de manhã. Eu não sei mais se dá certo fugir, se dá certo sem você espiando meu quadril. Presa entre seus braços e a nossa cama. Eu não sei mais se vai dar certo.
Eu já fico com medo da juke box do boteco no lado de casa. Medo do meu horóscopo. Medo do meu desejo por tudo que não dá.
É por isso que eu fico esperando você vim me costurar. É por isso todas essas canetas em volta.
Thursday, January 3, 2008
12:42.
Primeira madrugada do ano. Nada diferente. Cada pessoa amada num canto. A gente acaba passando a virada com quem a gente menos espera. Pelo menos dessa vez, é uma amiga que eu amo muito. Ela ta lá fora meio bêbada chorando ao telefone. Ela também tem um amor, e o amor dela também tá longe, mas pelo menos o amor dela está logo ali ao telefone (mas ela ainda não entendeu isso). Talvez esteja dizendo que ela não precisa chorar mesmo sabendo que ela vai continuar chorando mesmo assim e que ela não devia beber tanto. O meu eu não sei onde está. Está longe. É o que eu sei. Não quero nem saber mais que isso.
É o primeiro dia do ano e as coisas tem que ser boas.
No mundo inteiro é. Pelo menos na maior parte dele.
Agora tem fazer a primeira corrida do ano atrás de cigarro. Dois maços vazios em cima do colchão. Um meu, outro dela. Meu macarrão acabou sendo a “ceia”, mas está tudo melhor do que podia estar. Pensei que eu ia ver a virada do ano de cama. Não tem ceia e não tem festa por que eu acabei melhorando da minha doença antes do esperado. Aí eu estava fodida por que não tinha comida, não tinha planos e não tinha tempo. Mas sempre sobra alguém tão fodido quanto a gente. Ano passado foi a Mi, a gente se achou no Natal. No Ano Novo eu tava lá na praia perdida com o Rafa, mó chuva, alguma coisa que só os finais de ano tem (sempre a partir dos fogos) e que está pairando aqui agora.
Hoje voltei a fumar. É, eu tava tentando parar, e quase me levei a sério por um dia ou dois. Mas hoje, primeiro dia do ano, eu voltei. Fiquei triste. Primeira meta não alcançada. Mas voltei por que não dava pra passar por aquilo sem um cigarro.
E o primeiro cd tocado do ano foi o do L7, por que o de antes tava riscado, e eu não queria ouvir os fogos. Fui na varanda, gritei pra pararem. Não pararam, claro. Precisava de um barulho mais forte. E que alguém achasse que aqui tinham umas 15 pessoas felizes. Mas tinha eu e a H. Só a gente com as nossas dores meio parecidas. Só que ela tem um telefone. Eu tenho uma veiazinha pulsando no peito que ainda se emociona quando eu penso nele. Mas eu não posso beber por causa dos meus remédios, então eu estou sóbria no primeiro dia do ano e isso pode até querer dizer qualquer coisa. Talvez não.
Mas eu voltei pra casa, fiquei dias intermináveis fora, quase morrendo de dor, literalmente, eu tava doente. Acho que aprendi a gostar da minha casa. É o melhor lugar pra eu estar agora. Eu e a minha veiazinha. A gente fica aqui esperando e vendo entre a gente o que é que a gente vai fazer afinal de contas. Ta na hora. Devia estar.
Agora os fogos cessaram. A H. ainda ta triste, chorando e no telefone. Eu to triste, sóbria e escrevendo. E mais um milhão de coisas também, mas que não vem ao caso. Mas eu ainda não chorei. Ponto pra mim, por enquanto. Mas não pretendo. Agora eu aprendi a não transbordar. Não muito, mas agora, exatamente agora, eu não vou.
Eu sei que as pessoas que eu amo estão felizes. E eu sei que um monte de gente lembrou de mim meia-noite, assim como eu me lembrei delas. Eu só não sei dele, se ele cumpriu, se ele lembrou mesmo de mim. Eu queria que sim. Eu cumpri. Mesmo sem reparar, mas pois é, eu cumpri. Eu cumpro promessas. As que faço pros outros, pelo menos. Algum dia. Mas cumpro. Mas essa foi de imediato.
Eu só lamento pelo menino com olhos preciosos, que agora deve estar tendo a pior entrada do ano do mundo e a culpa é minha. Eu não queria, mas eu não pude fazer nada. Ele é alguém em que se vê a verdade transbordando dos olhos. Ele tem olhos sinceros e que nos fazem entender o que ele diz, e eu entendi. E eu entendi tanto que eu acabei fodendo com ele sem querer. Queria não ter entendido. Queria que ele ficasse bem e que parasse de ficar sem dormir.
Meu último fracasso do ano. É duro olhar em olhos sinceros e dizer que “eu não amo você”. Não assim.
Amanhã vai estar todo mundo aqui. Todo mundo que eu amo. Quase. Falta a minha mãe, falta ele e falta a Re. Mas tem um monte de cerveja que eu não posso tomar por conta dos remédios, tem um monte de carne, tem churrasqueira e tem uma porrada de comida que essa casa não teve nunca em toda sua curta história. E vai ter gente aos montes que eu amo e todas vão ficar me bajulando e eu vou ficar bajulando elas. Tomando refrigerante. Fumando menos cigarros. Cuidando do som. Sorrindo mais. Admirando elas e curtindo elas. Pulando em todo mundo, afastando os copos da mesa dos cotovelos alheios. Vai ficar tudo bem. Hoje é só a madrugada. É onde eu me encaixo, é onde eu me escondo, mas o dia vai ser bom. Vai ser repleto de amor. Eu gosto. Então, até amanhã. Esse ano eu já disse, vou me descontrolar e vou fazer o que quiser fazer. Vou ficar bem. De repente eu tava perdida em 2008 e não sabia. Vamos ver.
Aí eu lembrei mesmo de você meia noite. Olhando no espelho à meia noite em ponto. Senti uma coisa estranha que eu prefiro chamar de saudade lamentosa.
When you speak love
Our summer day whithers away
Too soon, too soon....
E eu fico pensando no monte de gente que esperou que eu os salvasse, só que eu não quero salvar ninguém, eu quero ficar na minha, é bom, me faz bem, um pouco.
Eu não quero salvar ninguém por que eu acho que é responsabilidade de qualquer pessoa se salvar sozinha, não importa do que.
Mas eu quero ser salva, então eu sou egoísta? (!) Ou vou entrar naquela mesma ladainha de contradição?
Bem.
Chega uma hora que saber que você é “bom” (o mesmo velho papo sobre essência) não é mais o suficiente, por que você está se machucando e está machucando os outros, e consegue amar menos gente a cada dia e ninguém quer mais você por motivos seriíssimos que te botam pra baixo e fazem você quase acreditar que vai morrer sozinha e amargurada.
Speak low
Darlin speak low
Love is a spark
Lost in the dark
Too soon, too soon...
Eu acabo não correspondendo a nenhuma expectativa e fico mal, choro, prometo coisas, e ainda assim, acabo não mudando.
Eu disse pra ele ontem, eu disse que eu tinha esse problema com o tempo que eu sempre estava atrasada pras mais diversas coisas: para o homem da minha vida, para dormir por pelo menos três horas diárias, para sair do trabalho e para entrar no trabalho, pra comer e lavar a louça, e, algumas vezes, pra vida.
Time is so old
And love’s so brief
Love is pure gold
And time a thief
Eu olho pra minha mão. Ahh, a minha mão. Fiquei olhando pra ela depois daquilo, e me abasteceu e a saudade passou por enquanto. Uma injeção de exuberância correu pelas minhas veias na velocidade da luz. De um jeito sublime. Breguérrimo.
We’re late
Darling
We’re late
Everything ends
Too soon, too soon...
Eu estou esperando você voltar. Eu sempre espero você voltar com toda essa minha serenidade conturbada, sempre a um passo de sentar e ver o mundo desabar bem em cima da minha cabeça, com toda aquela sensação resignada de perda.
I wait, darling, i wait. When you speak low to me, speak love to me and soon.
Monday, December 17, 2007
Acho que foi minha culpa. Se eu estou assim hoje, a culpa é minha e de mais ninguém. Quem manda ser cabeça dura. Quem manda não brigar com esse monte de coisas que passam pela minha cabeça. Aí elas ficam e disputam umas com as outras. E eu enlouqueço.
Mas tudo bem. Ainda tem coisas boas. Eu estou apaixonada. Eu gosto. Eu gosto mais ainda de me apaixonar por uma pessoa só durante muito tempo. Eu gosto de me apaixonar pelas pintinhas das costas dele e pela textura da pele dele. Eu gosto de ficar bancando a menina de mil fases por que é assim que eu sou, e poder bancar você mesma é demais. Eu devia ser atriz. Eu sempre sei o que eu faria se eu estivesse ali dentro de mim. Acabo não fazendo por que o mundo gira diferente pra gente que nem eu. Por que ninguém ia ver e eu sou uma exibicionista. Faço coisas pras pessoas verem, mas fico fechada pros achismos delas. Eu estou ali, elas estão ali, nós ficamos nos observando e cada pensa o que bem entende. No outro dia ninguém lembra. Eu lembro às vezes. Absorvo. Eu aprendo minhas coisas e sou autodidata. Não quero ninguém se metendo. Ás vezes só alguém que fique ali preocupado comigo caso eu tenha que pular o muro de casa de novo por que eu esqueci a chave, pra me segurar se eu torcer o pé e me esborrachar no chão. Quem nem ontem, ontem eu pulei o muro de novo, mas não tinha ninguém ali. Se eu escorregasse (tava chovendo) podia morrer com a barriga cravada no alto do portão. Mentira. Sou dramática. Não dá pra morrer no meu portão, mas dá pra tomar um tombinho e fraturar alguma coisa, se der o azar de cair de mau jeito. Aí eu entrei em casa e fiquei escutando as valsinhas de sempre, pensando meus pensamentos românticos de sempre e querendo saber quando, como sempre. Alguma coisa me diz que é daqui a pouco. Mas pode não ser por que daqui a pouco eu ainda preciso de você. Talvez dure. Tem durado. Então eu não sei. Então eu fico aqui esperando os dias pularem uma semana. É ruim por que eu não durmo mais e nem descanso mais. Tudo dói. Minha cabeça dói mais que tudo. Minha médica falou que eu estou estressada. Que eu sou ansiosa e devia andar com calma e engolir uns comprimidos. Eu concordo, mas não dá. Queria contar pra ela, mas tem coisas da vida da gente que a gente não pode contar pra pessoas que vestem branco. Eles são legais e ganham pra ajudar, mas sabe, tem coisa, tem muita coisa que não dá.
Aí eu fico aqui agora, e agora dei pra encontrar remédios. No trabalho, no meio da rua, no ônibus, na pracinha. Tenho quase uma coleção, rosas, azuis, e até uns que são tão pequenininhos que você quase não vê. Estão todos dentro de um potinho lá no armário. Por que às vezes eu penso que um dia eu vou precisar tomar eles. E fico pensado se quem perdeu teve algum problema por ter perdido, quero dizer, ninguém compra remédios por que quer, todo mundo compra remédios por que precisa, e eu tenho uma solidariedade de doente com essas pessoas. Mas não se colocam anúncios no jornal dizendo "Encontrei um comprimido de Prozac na esquina da 5 com a Lavapés e gostaria de devolver ao dono, mesmo que talvez eu precise mais que ele, muito provavelmente".
E aí que o dia está ficando clarinho de novo, e aqui estou eu sem dormir e morrendo de dor de novo, e pensado por que eu não paro de escutar o Arnaldo e por que eu não vou dormir se meus olhos estão pesando um pouco e eu tenho que acordar mais cedo daqui algumas horas por que vou trabalhar e o dia vai ser como todos os outros dias.
Acho que eu estou enrolando por que a cama lá no quarto ta vazia. Eu não sei. Vai que é. Vai ver que faz falta um braço pesando na minha cintura de noite.
Vai ver que é por que eu não quero ficar lá pensado onde você está e se está lembrando de mim de vez em quando. Vai ver que é por isso.
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Tuesday, December 11, 2007
Ai, que vontade de agradecer a quem soube me olhar nos olhos.
Que vontade de pegar os “caras” e falar pra eles que eu estou quase bem.
Por que eu estou com saudades do R., do A., da D., da R., da L.I., do M.F., e dos Bs.
Eu queria todos os telefones do mundo pra poder ligar pra eles e falar que eu já to indo, não interessa se estão ocupados, se estão coçando ou trepando, que eu estou indo com uma garrafinha na bolsa e sangue nos olhos pra pular em cima deles e ficar um tempo em casa falando besteira Por que eu quero falar besteira e ficar a vontade, eu não agüento mais. Minha vida está muito porra louca pra quem tem o tipo de pavio que eu tenho. Eu quero um dia com alguns dos meus meninos e ficar cantarolando com eles musiquinhas do Raul. Que nem quando eu tinha 13 anos. Que nem quando eu tinha 13 anos e era um pouco feliz. Eu voltei lá na minha casa antiga, e estava tudo vazio e eu escutava minha voz fazendo eco. Cantarolei uma musiquinha e tomei banho no chuveiro que ainda estava com água quente. Aí eu vi que eu larguei um pedaço meu lá. Assim como larguei em todos os lugares por onde estive. Aí eu vi que eu andei pra frente, mas andei pra frente meio sozinha e isso não tem graça. Aí eu vi que todo mundo ficou meio sozinho, lá atrás ou no lá na frente deles. Eles, que são solitários que nem eu. Aí eu vi que todo mundo está sofrendo um pouco e que as pessoas que eu mais amo estão sofrendo um pouco, e lá longe. Eu e a Mi agora sempre jantamos em silêncio. E eu lembrei da Re quando ela falou que a gente fazia um silêncio confortável, num momento em que lembávamos do Pulp Fiction, e eu achei legal, por que ela era uma das únicas que me deixavam a vontade, seja conversando, seja ficando quieta. Agora os silêncios abrem um rombo no peito. Desespera. Dá vontade de sair correndo.
Eu quero laguem que ligue e pergunte como andam as coisas e que me conte como andam as coisas também. Chega. Agora eu vou andar pra trás.
Na hora que você estiver indo
De novo
E te pedir
Fica
Um minuto
Meia hora
A vida toda
Só pra eu não enlouquecer
E colocar a culpa
Em mim
de novo
Já que você não tem mais jeito e [já] que você não sossega, e ainda, já que está a fim de pular do precipício (de novo), por favor, pelo menos recolha aquele pedaço seu ali, que está jogado já tem mais de uma semana e se recomponha, antes de pular pro plano b.
Desculpe
Por ter rejeitado as flores
Por não ter retribuído
O olhar
E por não ter te pedido
Pra trancar a porta
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Homens, uma coisa é verdade: Mulheres se assustam com homens que não mentem. E sim, elas gostam. Mas nunca, nunca sabem exatamente o que fazer com eles. E homens que não mentem nunca acreditam quando a gente fala uma verdade pra eles.
Eu tenho dito verdades.
Inclusive eu ando bem estressada de tanto que ando me explicando pros outros. Quero dizer. Ninguém tem nada a ver com a minha vida, certo? Certo. Então eu não vou mais explicar nada. Nem aqui. Não vou explicar nada. O próximo que vier me perguntar aquilo de novo, vai tomar uma porrada bem nada no meio da fuça.
Por que eu estou virando uma pessoa descontrolada.
Eu queria ter nascido com desenvoltura suficiente para a vida. Continuo vendo se acho uma saída para o mundo, mas virei uma guria repetitiva, sem respostas, sem sorte e sem motivação, por que às vezes penso que minha vida não pode ficar pior. Ainda bem que tenho todo o dia de hoje pra me curar do que me aconteceu ontem. Ainda bem que ainda restou um pinguinho de tempo pra ver passar sem precisar fazer nada. Pelo menos nada além de pensar no por que eu não dou uma dentro (!). Pensando por que eu estou péssima só por que todo mundo é um pouco interessante e com talento para a vida, e além disso, todo mundo nasceu para alguém (ou para um certo tipo de pessoa) e eu estou longe, bem longe de levar jeito para ser a mulher da vida de alguém – ao mesmo tempo que (quase) todo homem leva jeito para ser o homem da minha vida (mas eu deveria pegar esse meu radicalismo e tentar substituí-lo por espirituosidade e tentar ser adequada pelo menos uma vez na vida, mesmo que seja perigoso pensar em me parecer com pessoas tão pouco inteligentes mas que falam, e não são neuróticas e tem desenvoltura, além de não perderem o tempo total de suas vidas desejando coisas que não podem ter).
Estou pensando que deveria meter umas porradas num monte de gente. Quero dizer, as pessoas não te escutam quando você fala baixinho e com a educação que mamãe deu em casa. Não adianta. Eu quero saber por que eu tenho que me descontrolar o tempo todo se quiser ser ouvida. Eu quero saber por que eu estou me matando desse jeito se na verdade isso não vai dar em nada e eu vou morrer uma pessoa obsessiva, estressada e completamente descontrolada, mesmo que no fundo eu seja uma mina gente boa e com uma paciência de jó, qual andei adquirindo esses tempos (na verdade, eu sempre fui uma pessoa paciente e muito, muito, muito esperançosa, mas que não podia admitir por que vivia prestes a ser engolida pelos monstros dos outros e sentia medo).
Então aqui estou eu pedindo fila e ajeitando a faca pra dentro da bota.
Mas que saco.
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Voltei.
Por que eu sabia que um dia as coisas iam desapertar. Que saudade. Abri minha caixa de e-mails e tomei um susto. Fiquei triste. Tanta gente que eu gosto. Tanta gente que acha que eu esqueci deles. Eu penso todo dia, todo dia. E eu engoli todas as broncas e as piadinhas sobre eu ter esquecido de mim pra viver uma vida que não é minha no mundo dos outros. É VERDADE. Eu admito. Envergonhada, mas admito. Mas estou tomando minha vida de volta. Assim pretendo. E peço desculpas pra todo mundo. Viver pra si não é grande coisa. Afunda. Você pisa e começa a afundar tudo. Aí não tem ninguém pra te puxar. Nem pra dizer que sente o mesmo que você. Só que agora eu cansei de escutar os outros perguntando o que é que eu tenho afinal. Eu não tenho nada. Eu tenho contas pra pagar. Como sempre. Agora contas pessoais e burocráticas. Eu tenho que conciliar, senão eu não vivo. Eu sei que eu morri pra você, dear. Quando você me olha eu vejo. Mudou. Ainda me arrepia, mas agora também me arrebenta. Aí eu olhei pra mim e vi que tudo estava roxo e que foi você. Aí eu decidi te deixar com a sua vida que não me abriga. E lembrei que eu me jogo, aquele dia lá, quando você esqueceu disso. Eu fiquei triste por que eu achei que você tinha que lembrar. Mas você não me conhece, e eu também esqueci disso, mas agora eu lembrei. Eu lembrei que eu sou meio outra quando eu fico apavorada. E eu estive apavorada, a ponto de me encolher inteira e esperar ajuda. Eu não precisava de ajuda. Eu não preciso nem de gente enchendo meu ego. Tem um monte de gente que enche meu ego. Encontro com elas em cada corredor e fico pensando que eu sou meio cruel por não estar nem aí pra elas. Aí eu vi que eu não sou egoísta e nem ruim, nem cruel, só estou tentando seguir minha vidinha sem esbarrar na de ninguém. Claro que eu quero esbarrar na vida de alguém. Mas de alguém que não vá destruir minha vida e nem eu a dela. E eu ainda esbarrei no meu racional e no meu emocional e agora eu vejo os dois de fora. Agora eu sei que tudo é questão de se conhecer. E eu me estranhava demais. Agora não. Agora eu vou tocar meu burro lá pra China. Agora eu já sei o que eu quero. Pela primeira vez eu sei o que eu quero, e eu vou lá pegar. Adios.
Friday, November 30, 2007
Monday, November 26, 2007
Estou devolta. Mas continuo piégas e repetitiva. Pra variar, a lan não aceitou meu disquete, e eu esqueci o pen em casa. Então fica pra próxima. Mas estou de volta. E agora pretendo não sumir mais.
Tuesday, October 2, 2007
Sobre a curva no caminho
Ou
Desculpas para si mesmo
Ou
Ainda vou morrer de tanto tomar cicuta
Eu não acredito mais em ninguém. E eu fui acreditar logo em você, my dear. Logo você, que não acredita em mim.
E pra completar ainda teve aquele abraço que eu sonhei que você me deu quando eu só estava tentando ficar quietinha. Eu estava sentada quietinha, e você veio e me abraçou e eu fiquei lá agarrada no seu peito tentando não te perder. Você me deu um beijo desajeitado e eu fiquei te segurando, só te segurando.
Eu ainda to tentando te segurar, dear, só que de outro jeito.
Mas nesse clima alalaô em que a minha vida anda, eu só queria ficar escondida dentro do meu ridículo, sem ninguém olhando pra mim. Será que posso ir de múmia? Hum.
Essa tiriçada toda
Que trabalha comigo
Que fala putaria o dia inteiro
Essa comida salgada
E essa tua voz
Soando na rua
Na cozinha
No trabalho
Esse teu cheiro
Dentro da minha roupa
E esses ruídos dessa casa
Barulhenta
Que não acompanha minhas madrugadas
Moribundas
E nem essa vontade
Que eu tenho
De te arrancar a roupa
E te sugar inteiro.
Cansada
Cansada
Cansada
Cansada
Repetitiva
Meia-boca
Engraçadinha
Dentro desse redemoinho
De areia e açúcar.
Ridícula
Pequenininha
E diminuindo mais
E o mundo ficando
Cada vez
Mais longe
Minúscula
Que nem as formigas
Da minha cozinha
Que não somem
Não morrem
Não se afogam
Só tomam conta
Sujam
E me incomodam.
Que eu posso ficar falando sobre nada com você
E que se a gente morrer
assim
Mais uma fábula de verdade
Vai virar poesia.
comigo
a ponto de sentir
um engulho
dentro do peito
que não vaza
não vomita
não se move
e eu me cutuco
e não entendo
que nunca vai ser você
do lado de fora da porta.
Eu ainda sou eu
Dormindo de roupa
De brinco
De sapato
De maquiagem
Balbuciando bobagens
No banheiro
E me pendurando
No único galho de árvore
Que está podre
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Monday, September 24, 2007
Desejos. Kilos. Expectativas. A voz linda que eu gosto de ouvir. O sol queimando minha cara. Tempo. Música. Meu computador. Eu. Uh. Aqui vou eu. Por que depois começa tudo de novo. E vai ser a maior merda.
Preciso de tempo pra comer. Preciso de tempo. Tempo. Tempo. Que palavra linda. Tempo. De vestidão. Que nem hoje. Eu, tempo, vestidão e sol. E um monte de porcarias pra engordar. Eu quero me olhar no espelho e me ver. E sentir essa saudadezinha gostosa que eu estou sentindo. Até logo, querido. Pena que você não esteja por perto. Como eu queria.
Dois dias livre. Nem lembrava mais como era. Nem lembrava mais como era ouvir Patti Smith cantando suas versões de Smells Like Teen Spirit e de Gimme Shelter no fone de ouvido andando pela rua que acontece. Tanta coisa eu perco. Tanto movimento. Tanto sol na cara. Que saudade de mim. Que bom chegar em casa, comer o dia inteiro e cantar Fever bem alto pra espantar aquelas sombras do mês inteiro. Estou pesando absurdos 56 kilos. Tem gente que perguntou se eu estou morrendo de fome. Sempre fui magra, mas agora eu estou demais. Agora eu estou desaparecendo. Quero minha gordura. Quero meus pneuzinhos de volta. Quero minha vida nas minhas mãos e o ócio dos finais de semana. Hoje eu tenho o dia inteiro. E não, eu não estou morrendo de fome. Acontece que agora eu trabalho demais. Acontece que agora eu não folgo nunca. Acontece que agora eu estou tão atarefada que eu não tenho tempo pra comer, e nem fome. Mas eu tive ontem. E tenho hoje também. Dois dias só pra mim. Eu, eu e eu. Que saudade.
Às coisas que eram pra dar certo.
Meu querido, você devia saber que sempre dá pra reverter as coisas. Você não devia temer as cicatrizes. Embora eu tema. Mesmo que eu olhe aqui pro meu peito e tenha um monte delas, todas assim meio embaralhadas. Mesmo que eu seja fraca também. Mesmo que você ache que eu sou forte ou mesmo que o mundo ache que eu sou forte.
Hear a strong calling my name. It was wrong of him.
Tem gente que já me deu parabéns por eu não ter me matado. Eu não sabia que me viam assim. Por que essa não sou eu. Eu vivo minha fantasia, e como aquele outro disse, eu fico esperando um cavaleiro num cavalo branco. É fóda. E é mais fóda ainda por que eu tive que me contradizer de novo e admitir que eu estava errada. Minhas certezas de nada. Sabe como é? Então. Está todo mundo assim, meio fudido que nem eu.
I dont know why you say goodbye and i say hello..... hello, hello...i dont know why...
E eu agora fico pensando em você, pra lá e pra cá. E você sempre indo pra frente e eu sempre parada te olhando com meu coração na mão. Torcendo pra ninguém me olhar, até pra você nunca me olhar por que eu me sinto ridícula. Ridícula é o que tenho me sentido a maior parte do tempo. Fazendo, sendo e escrevendo coisas ridículas. Sentindo coisas ridículas. Mendigando ridiculamente. Fugindo ridiculamente. Me deixando pra trás de um jeito ridículo. Aí eu olho no espelho, e lá está mais uma pessoa ridícula. Mais uma entre tantas. Mais uma que deixou de viver por que alguém a atropelou e ela nem viu. Se atropelou por que achou que segurava o tranco. Tosca. Escrota.
Out of place..................
Mas agora eu dei pra corar. Fico vermelha umas 10 vezes por dia. E aí eu sei que me importo com aquele monte de gente. E que eu apostei nelas e elas nem sabem por que não tem nada a ver comigo. Nem querem ter. Aí eu tento esconder o rosto, mas ainda ouço alguém tirando um barato com a minha cara e diz “olha como ela fica vermelhinha”. E eu fico ridícula de novo. Depois de velha. Não velha, por que eu tenho 20 anos. É, 20. Só 20. Mas eu já aprendi as lições mais importantes, além das outras mil. Mas agora eu dei pra corar na sua frente. Que merda, Karina. Olha que merda. Se entregou de bandeja. E nem sabe pra quem.
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E eu vivia numa busca incansável por ela, mas ela fugia, fugia. E eu corria atrás dela enquanto achava que estava olhando o mundo passar. Mas agora eu percebi que eu ainda não desisti de ser feliz. Agora eu meio que estou com aquela ambição de criança que acha que vai ter o mundo quando crescer. A maioria não consegue. Mas eu não gosto da maioria, então ta. Eu gosto de mim. E de você. E de mais uns dez, o que já é bastante gente na minha opinião irrelevante. O resto ta ali só pra ajudar ou atrapalhar. O resto não me acompanha e não sabe de nada. E como não é da vontade de ninguém, nem da minha, reverter essa situação, eu estou pegando minha mochila preta de guerra e indo arriscar uns solinhos de blues. Aí eu vou beber com aqueles dez, e pensar nesse um que pode estar em algum lugar lembrando de mim de vez em quando. E aí eu vou pegar um violãozinho e vou ficar cantando “Fool on the Hill”.
Por que é isso que eu faço. Eu fico tentando enfiar meus amigos no meu mundo. Por que eu cansei de viver no mundo dos outros. O mundo dos outros é meio chato, é meio dentro da órbita. E agora eu olhei no espelho e me dei boas vindas. Agora eu só quero que tudo dê certo do jeito novo, por que do jeito velho enjoa. Aí eu to querendo ir lá e pular em cima da minha mãe e eu to querendo escrever uma carta de amor que ele não vai ler. Fora as cartas não terminadas pros meus amigos que eu nunca envio. Mas agora está na hora. Vai chover. E a cidade fica feia com chuva. Eu não gosto de frio. Eu não gosto de chuva nem de vento bagunçando meu cabelo. Só gosto de ouvir uns trovões na hora de dormir. Ou enquanto a cidade acontece fora da minha janela. Mas hoje eu faço parte do mundo e quero que tudo dê certo. Só hoje.
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Alguma coisa que deu errado
É como se eu estivesse com fones de ouvido o tempo inteiro. Eu e meus pensamentos e um frenesi qualquer e um pouco de esperança nos bolsos, impaciência, impaciência. Sempre impaciência. Eu com vontade de fazer um espetáculo enquanto a cidade simplesmente acontece. Acontece como sempre. E sempre um fim de tarde que eu não assisto por que estou perdendo muito tempo me perdendo de mim. Por que agora tem um espaço que tem que ser divido entre eu e eu mesma e eu não posso mais me esconder debaixo da cama. E por que eu queria aquele beijo de boa noite e dormir de conchinha com ele, só dormir, só sentir os olhos pesando em cima do peito com umas pintinhas assim que eu adoro. Por que só com ele eu sei ser piegas e eu preciso ser piégas pra não me perder totalmente de mim e do mundo. E eu preciso dele um pouquinho pra não me perder da minha fantasia.
E eu não lembrava mais como era fumar meu cigarro escrevendo na frente do computador de madrugada e ouvindo Chico no fone de ouvido. Às vezes a vida até parece normal. Às vezes eu até pareço eu. Ás vezes eu consigo me recolher e gostar da vida e gostar de mim e achar que tudo vai ficar bem. Mas passa.
Então a noite está bonita. E logo logo ela acaba e pode ficar feia, mas tudo bem por que é assim que as coisas são e está mais do que na hora de “deixar quieto”.
Mas a vida ainda parece que pode ser bonita num começo de domingo de sol por que sempre é lindo quando ele está aqui ocupando os espaços com a voz grossa dele. E quando ele está aqui eu não quero mais nada a não ser que ele não vá embora. Na verdade eu quero isso quando ele está longe também. E fico pensando “tomara que ele não vá embora” e fico pesando que eu não devia querer coisas assim por que eu sempre me estrepo e fica um monte de mancha assim daquelas que não saem. Ele, ele, ele. Sempre ele. Até ali no cantinho da cozinha. As palavras que eu mais uso. Ele. Ela. Eu. Sempre.
Que saudade do Chico. “Escutando a correria da cidade.. que alarde... será que é tão difícil amanhecer?...” É. É difícil pra caralho. Não sei se preguiço ou se covarde deixo do meu cobertor de lã...
E aí eu penso que isso tinha que durar pra sempre mas que não é sensato. E querendo encontrar um monte de gente, um monte de coisa e um monte de poesia que eu não encontro mais. Por que faz tempo que poesia não faz mais parte da vida que (ou por que) não acontece, nem nada novo, nem as coisas repetidas que eu reclamava. Não acontece nada. E eu fico aqui esperando que aconteça. E o tempo passa. E eu continuo sentada esperando. Mesmo com tudo diferente. Mesmo vivendo que nem gente grande. Mesmo me escondendo atrás daquela lá que diz que sou eu por aí e todo mundo acredita. Então ta. Eu vou continuar fazendo isso. E vocês vão continuar acreditando. Por que é assim que é. É assim que tem que ser. É assim que acontece desde que eu aprendi a somar dois mais dois. Antes disso eu não lembro. Antes disso eu era feliz. Não que você não me faça feliz do seu jeito todo torto pra não deixar que eu me esborrache. Seu jeito desajeitado de segurar minha onda quando meu coração ta pulando pra fora do encaixe. Você é perfeito dentro da sua sistematização. E eu fico aqui pensando que você bem que podia ficar muito bonito ali encostado naquela parede do quarto. Fazendo qualquer coisa. Pensando em nada ou bravo por que o dia foi fóda ou por que eu cheguei meio bêbada de novo ou bravo por que não conseguiu terminar aquelas músicas. Aí eu olho direito e você não está. Não está por que nunca quis estar, não só por que não pode. E aí eu abraço aquele travesseiro que sempre sobra na minha cama e encosto a cabeça no outro que eu dormia antes como se fosse o peito de alguém. Aí eu durmo e sonho com as coisas que vão acontecer de manhã. E aí é tudo igual. O resto você já sabe. O resto é a minha repetição, aquela que você não entende. Aquela que você fechou os olhos pra não ver por que ser desmascarado destrói seu poder de convencer. E por que você sabe que eu preciso só de você me olhando e me cuidando de longe, do mundo inteiro sem saber. Me escondendo na sua impenetrável segurança, a que eu tentei ultrapassar e teria conseguido se não fosse tão derretida e se você não tivesse percebido isso cedo demais. Aí eu passei as rédeas pra você. E aí você fez isso que você fez. E parece que você gostou por que tudo entrou no seu contexto. E eu fiquei aqui de expectadora da minha própria paixão estraçalhada. Sendo puxada e me deixando puxar por que já era tarde. E me surpreendendo por ter me deixado ser tão levada. Tão passiva. Tão medrosa com o que você podia pensar e sentindo medo de tudo dar errado, como, por sinal, alguma coisa deu. A gente não sabe se foi o tempo, se foi a conseqüência, ou se foi o suicídio ou a busca da cura na doença ou se foi a passividade no meio do inferno. Alguma coisa foi. Acho que foi minha falta de sorte. Prefiro. Por que ela, pelo menos, eu sei que existe. E tenho medo de ser mais do que eu sei que já tem. Eu sempre tive medo. E eu sempre soube que as coisas existem. E que eu não sei guiar pro lado certo. E quando eu te vi vendo tudo isso em mim eu me surpreendi. Eu fazia minha cena dramática no meio do mundo que estava distraído com o seu próprio cotidiano ou doença, e aí eu olhei pro lado e você estava ali me assistindo, fumando seu cigarro. E você me viu olhar pra você e esperou que eu continuasse com a minha peça e eu não consegui. Por que eu tive medo dos seus olhos desde a primeira vez. E olhar pra eles é como provar pra mim que eu não fraquejei então eu olho mas eu nunca agüento muito tempo e desisto. E você sorri. E eu gosto do seu sorriso, então deve estar tudo certo. E eu tava dizendo que aquele dia foi o dia mais cruel da minha vida. Foi o dia que alguém foi o mais sincero comigo do que eu estava acostumada que fossem. Aí eu vi que eu gosto das minhas mentiras e que elas fizeram de mim essa babaca que eu sou hoje. O que não é grande coisa. Aí eu estou pensado em dar a louca e fazer aquilo lá que eu planejei meia hora atrás. Só que você nunca vai saber o que é. Nem ninguém. Por mais que achem que saibam. Não é suicídio. Não é sair correndo e viver sozinha com as minhas angústias. Não é dar um escândalo nem aceitar. Mas é que também não vai dar certo por que eu agora sou passiva e tal. Então eu não conto. É que não vale a pena assim como ninguém vale. Assim como eu não valho nem um pouco, nem um pouquinho assim. A pena, quero dizer. E você sabe. E você sabe bem disso, que eu reparei. Meio sem querer reparar, mas reparei. O que eu ainda estou tentando descobrir, é por que você não saiu correndo se você sabe disso. Por que, darlin? Por que?
Friday, September 14, 2007
Claro que eu estou atrasada. Só consegui ver hoje. E claro que eu estou sem tempo de fazer um post bonito. Mas fica a intenção.
Sem mais delongas.
http://revistalasanha.cjb.net/
Mais do que desse trago
Que eu fumo no quarto
Imaginando
Por que é que você não precisa mais de mim
E encontrando
Mil respostas.
(Karina Movich).
Ficam saudades, pedidos de desculpas, além de um pedido de socorro. Por que minhas pernas perderam as funções.
Eu acho que estou ficando idiota. Por que eu sempre acho que tudo vale a pena? Por que eu acho que eu tenho que dormir só quatro horas diárias e acordar cedo pra dar uma ordem na casa? Quero dizer. Eu moro aqui. Certo. Eu odeio bagunça, embora seja eu uma bagunceira nata, de sentimentos e objetos. Então devo estar me renegando. Por que?? Oras, por que eu sempre faço isso. Por que essa sou eu, já disse, contraditória até a raiz dos cabelos. Pior foi o rebuliço à toa. Pior foi toda essa lutinha pra nada. Pior foi a minha cara de idiota conforme o ponteiro foi andando. Pior foi meu sorriso amarelo e as mentirinhas pra não passar vergonha. Pra não mostrar que eu não tenho mesmo jeito e que todo mundo tinha razão quando disse que era pra eu ficar na minha. Mas essa sou eu. A que pergunta o que todo mundo acha só pra fazer uma cena, e por fim acaba fazendo tudo que estava no plano b. Poxa. Eu que me achava uma mina legal pra caralho. Agora eu me acho uma chata. Entro em conflitos intermináveis num extremo de eu, eu mesma e o mundo. E o coração atrapalhado que está criando assim umas teiazinhas de aranha porque está sem nenhuma oportunidade de andar ou vazar ou gritar. Então eu estou aqui de novo e nem tinha visto a 4ª edição da Revista, tiveram que me mostrar. Eu sempre estou correndo atrás de mim mesma e correndo e correndo e fazendo torcida. Desde que aprendi a fazer cara de blasé eu não fui mais feliz. Agora essa do espelho nem sou eu. É uma boneca de cera que é a minha cara só que com atitudes bem piores. Por que agora eu resolvi me preocupar com as aparências não sei por que. Eu estou me sentindo chata. E “chato” sempre foi a pior coisa que eu ache que alguém pudesse ser. Odeio chatice. Odeio. Mas eu sou chata. Fazer o que. Tem que coisa que a gente não sabe reverter. Virei uma pessoa chata, uma trabalhadora chata, uma escritora chata, uma amiga chata, uma crítica chata, uma compulsiva chata. E repetitiva.
Explicações
Pra quem não sabe (ou seja, todo mundo, pois eu andei aprendendo a ficar quieta em prol da sorte, e veja só, deu certo mesmo) andei sumida por que agora tenho vida de gente grande. Trabalhando de domingo a domingo, morando sozinha, sem computador por quase um mês (por isso a pouca produtividade) e sem tempo algum pra ir em lan houses. Como agora acabo de terminar minha mudança e tenho novamente meu computador por perto, tudo volta quase ao normal, exceto pelo item da falta de tempo. Mas eu não morri, não parei com essa mania de ser piégas, e agora fumo meus cigarros no meu colchão laranja, além de continuar escutando valsinhas e sofrendo nas madrugadas.
Deu a Louca na Proprietária
Sim, agora as atualizações serão mais espaçadas pois ando às voltas com uma Karina que não sou eu, que sorri escancaradamente para desconhecidos e deseja bom dia, boa tarde e boa noite além de ser boa dona de casa e ter que esvaziar seus cinzeiros umas cinco vezes ao dia. Agora eu tento fazer comida, limpar a casa, escrever minhas coisas, não dar quebra no meu caixa, aturar as falações de superiores e inferiores embora não acreditasse nesse tipo de coisa até apenas três semaninhas atrás, arrumo minha cama todo dia, lavo, dobro e guardo minhas roupas, derrubo cinzeiros no tapete e fico uma caralhada de tempo tentando limpar tudo depois, jogo Super Nintendo e leio poeminhas pra exercitar. Quando essa Karina me dá folga (geralmente nas madrugadas), fico como sempre nos meus mesmos pensamentos, nos meus mesmos amores furados, na minha mesma esperança em milagres, na minha mesma tentativa de desatar os nós de todo mundo e não dando conta dos meus. Agora eu só sou eu umas 40 horas por semana. O que é bem pouquinho, na minha opinião.
Karina x Karina Parte - IV
_ Eu também, nega! Como tem passado?
_ Trabalhando muito. Em casa e fora.
_ Puxa, eu também. Não agüento mais.
_ Mas o que é que você está falando? Você está conseguindo tudo que você sempre quis.
_ Não. Tudo não. Quase tudo. E quase tudo é pouco.
_ Então eu não estou entendendo nada. O que você quer exatamente?
_ Eu quero mais do que está disponível no meu caminho pra eu pegar.
_ Desenvolva.
_ Olha. Presta atenção. Ta certo. Eu queria uma casa. Eu queria morar com alguém que não se importasse se eu sou chata por que ela é minha amiga mesmo assim e tal. Eu queria trabalhar num lugar fixo e ganhar dinheiro em dias certos. Eu queria um lugar pra ficar que tivesse mais de mim do que todos os lugares que eu já estive na vida. Eu queria dormir num colchãozinho na sala caso eu fique vendo televisão até muito tarde. Eu queria mesmo. E quero ainda, e estou bem, inclusive.
_ Então qual é o grilo?
_ O grilo é: a solidão de sempre, mesmo que eu saiba que eu estou errada e que todo mundo gosta de mim e que todo mundo está disposto a me ajudar no que eu precisar e que eu tenho gente pra conversar o dia inteiro.
_ É Karina. Você tem problema. Ninguém reclama de uma vida dessas. Ninguém reclama de ter conseguido realizar um plano tão importante desses.
_ Não estou reclamando! Você sempre acha que eu reclamo. Não é reclamação. Eu só estou sendo atropelada pela minha própria vida, talvez. Eu não queria que isso acontecesse.
_ Você tem que abrir mão de certas coisas pra conseguir outras.
_ Eu sei disso. Eu sempre soube. Desde o começo de tudo. Desde o começo de cada coisa que eu comecei a fazer, certa ou errada. Mas eu não queria, sabe, te ver só de vez em quando. Eu queria você aqui por perto.
_ Mas você só me usa, Karina. Você tem que reconhecer isso. Eu sou meio que o seu braço esquerdo. Não faço nada com exatidão. Só fico aqui te acusando de reclamar demais, palavras suas. Eu pensei que você estava feliz.
_ Eu estou feliz, mas não contente. Quero dizer, quando eu disse pra ele que eu estava precisando de mimos, eu não menti. Pode ter parecido brincadeira, mas não foi.
_ Ele sabe que não foi. Tanto que ele encontrou o melhor meio de se desculpar.
_ Mas vai que é esse o problema.
_ E por que seria?
_ Por que eu não quero ter que espernear pra alguém saber que estou me importando com ela.
_ Ele não acha isso.
_ Será?
_ Ele não acha isso.
_ Eu não sei.
_ Ele não acha.
_ É que você sabe como eu sou. Eu não gosto que ninguém aja gentilmente comigo só por que está se sentindo em dívida.
_ Ele não fez isso. Ele se importa. Mas é que ele também deve ser meio atropelado pela própria vida. Aí ele pode esquecer às vezes que você é meio carente e que quer ficar um tempo conversando, mas não consegue por que ninguém deixa.
_ Ei. Está parecendo que a culpa é dele. Primeiro: Não estou falando dele, só em partes. Segundo: Eu não quero que ninguém se sinta culpado pelos demônios que eu carrego. Terceiro: Eu estou precisando de companhia de gente que gosta de mim. De gente que eu escolhi estar perto. Sério. Eu estou sentindo falta das coisas que eu via sempre, e das pessoas. Até de gente que eu nem converso. Teve um dia que eu estava andando na rua e fazia quase uma semana que eu só falava com gente que esperava alguma coisa de mim. Aí eu vi um cara, um que eu não converso, mas que eu via sempre e já estou acostumada com ele apesar de não ter nenhum laço em comum. Eu senti vontade de pular em cima dele e gritar abrindo os braços “Graças a deus, finalmente alguém conhecido”. Claro que eu não fiz isso. Passei reto. Mas eu meio que percebi que eu estou precisando voltar pra minha bolha. Só pra estar e pensar como eu pensava antes.
_ Você devia pensar pra frente. Tudo está se resolvendo.
_ Acontece que eu não ligo muito pra coisas materiais. Acontece que eu ligo mais pro meu ambiente. E pras coisas e pessoas que tem nele.
_ Você sabe que isso não existe. Eu bem sei que você andou tomando lições sobre ego.
_ Mas tomar lições sobre ego de alguém que é completamente egocêntrico mas sequer reparou que é, não conta.
_ Nesse ponto você tem razão.
_ Pois é, eu sei.
_ Se quiser saber o que eu acho, eu acho que você está desconsiderando que alguém descente possa gostar de você.
_ Muita gente descente gosta de mim.
_ Não foi isso que eu quis dizer. Você entendeu.
_ Sim, mas não é por aí também. Quero dizer. Saber que certas pessoas gostam de mim e colocar a mão no fogo por isso, é muito bom. Apesar de eu não gostar da palavra “gostar”. Mas às vezes pessoas que gostam de você não agem como se gostassem. Falam coisas que sabem que te magoam tão naturalmente, que eu acabo achando que foi de propósito.
_ Eis o ponto. A palavra “gostar”.
_ Agora você está me acompanhando. Eu tenho medo de certas coisas serem apenas da boca pra fora. Tanto medo, que sou incapaz de retribuí-las. Embora retribua por dentro. Mas por dentro ninguém vê, ninguém sabe que você está gritando altos “eu te amos” em alto falantes.
_ Talvez saibam.
_ Eu penso nisso também, mas eu nunca vou saber mesmo, então eu fico aqui esperando oportunidades.
_ Olha a Monalisa lá, olhando pra nossa cara.
_ Sabia que eu nunca gostei da Monalisa?
_ Mesmo? Sabe que eu também?
_ ...
_ ...
Tem gente que evita. Mas eu não. Sei meu lugar no mundo. Não interessa se estou satisfeita com ele. Isso é da minha conta. Ouviu? Da minha conta, não da sua. Nem da de ninguém. Inclusive, deixa só eu falar mais um pouquinho de mim, por que você sabe, é o que eu gosto de fazer. Não por que eu seja narcisista, mas por que eu ainda insisto em ficar ensinando pros outros as coisas que elas juram que sabem, mas não sabem, e pior, saem por aí donos das suas verdades enfiando elas no rabo dos outros. Vulgar? Claro. Mas não aqui e nem com você. Com você, principalmente. Inclusive, sua puta, meu amor, só se for nos seus contos. Inclusive, se for pra ser baixa, querido, deixa eu te dizer: procurou no lugar errado. O mais baixo que eu desço pra lhe responder como merece, é aqui, e só pra esclarecer as mentes que crêem demais. E nem aqui desço baixo: existem coisas que não me inspiram paciência. Por outro lado, eu sou u ma mina gente fina e ainda sei sentir pena. Fecho parênteses. Que nem foi aberto.
Tuesday, August 21, 2007
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Eu tenho medo do silêncio
Aquele que eu faço quando olho pras pessoas
E tenho ainda mais medo
Quando eu sei que elas conhecem os motivos dele
E principalmente,
Quando sei que não conhecem.
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Eu queria você ali deitado me olhando enquanto eu me visto, todos os dias. Você dizendo que gosta de ver eu me trocando. Eu pensando que gosto de me trocar pra você. Por que eu sou uma exibicionista, meu amor, por isso esses textos. E por isso têm alguns por aí que me chamam de escritora, assim como você me chama quando estamos enroscando as pernas nos lençóis.
Todo esse mundo poderia soar mentiroso. Mas não soa. Seria mentira, se eu me contentasse em receber amor sem dar amor de volta. Seria mentira de eu estivesse agora fora de São Paulo com alguém que eu não conseguiria jamais deixar encostar os dedos em mim.
Ontem você estava lindo. Eu ensaiei a noite inteira pra te dizer isso, mas acabei não dizendo. Eu fiquei olhando você ficar mais bonito a cada segundo que se passava na noite. E eu fiquei do seu lado pensando que a gente combina. Um casal bonito demais pra ninguém olhar. Pra não poder ficar com maniazinhas de casalsinho na frente dos outros. Eu não sei exatamente o que estou querendo confessar, mas tem alguma coisa quando eu pego na tua mão. Tem alguma coisa quando você toma minha mão e a beija com toda a ternura e elegância do mundo depois que fazemos amor.
Tem alguma coisa quando os olhos da gente se cruzam e a gente se deseja.
Eu te amo, my dear.
Eu acho que um dia eu vou poder te dizer isso pra que você escute. Mesmo que você não entenda nada.
Thursday, August 9, 2007
Os violentos corajosos cortando-se com facas
À procura de um lugar onde eu pudesse trocar pouco dinheiro por bebida (tarde da noite que estava, longe de casa que estava também), dei na Toccano. E eu me sentei lá sabendo que era questão de tempo até a prole herdeira (ursupadora, diria o Helião) das calças grudadas de couro ultrapassasse a minha barreira imaginária de espaço pessoal. Nem concluí esse pensamento direito, já estava às minhas botas um jovenzinho desses que começam com o papo inovador e surpreendente de “estás acompanhada, princesa?”.
Não. Creio que não. – penso, em lástimas por dentro. Os olhos procurando por alguém que não pode ir lá me arrancar da mesa pelo braço, como eu queria que acontecesse. Iria de bom grado. Pelas mãos certas. Talvez nem estivesse sentada ali, se houvessem as mãos certas.
_ Estou. – respondo com os olhos pregados ao nada, e um suspiro.
“Mas posso saber seu nome, princesa?”. Um sorriso de dentes amarelados, quais prendem um chiclete no canto esquerdo na boca.
Já que o negócio é falta de originalidade, (só pra empatar com ele) respondo Amanda. Sempre acho uns nomes horríveis. Sempre uns nomes de travesti que saem assim sem querer. Amanda, Fernanda, Mônica, Sarah, Natascha (com sch, mesmo). Detesto todos esses nomes. Detesto todos esses nomes três vezes. Detesto. Detesto. Detesto.
Então, como se eu tivesse estendido um passe de entrada às mãos do cara ao cuspir um nome falso, ele sente-se na liberdade de ocupar a cadeira ao lado.
Com o mesmo sorriso e ruídos de saliva por causa do chiclete preso nos dentes:
“Gata, estava pensando em cheirar essas carreiras no seu corpo”, disse, tirando um saquinho minúsculo com farinha do bolso do casaco.
Sinto muito, mas não estou procurando companhia.
Nem acredito que disse “sinto muito” prum cara desses.
Levantei, parei no balcão, mais uma, por favor. Outro cara se aproximou e fez a mesma pergunta do rapaz de antes, só que desta vez de um jeito menos grosseiro. Reparei numa garota com cara de puta francesa rebolando no colo de um dos cabeludos com jaqueta de couro, no sofá verde apertado, fazendo cara de blasé e a letra da música na ponta da língua, como se recitasse poesia erótica para um grande público desinteressado.
“Não machucaria essas divinas damas, Josete”.
Disse eu, sem querer. Mais pensando para dentro do que falando com o cara, na verdade, mas claro, ele não entendeu.
Me lembrei dessa frase num flash, como tem sido na maioria do tempo: Flashs.
E fiquei pensando que eu é que não devia estar lá. Eu é que estava fora de lugar. Como sempre estou, aliás.
Definitivamente – lembrei eu num lampejo lúcido –, não era a hora para papos sobre Josete. Não era mesmo. Não para mim. Não de mim para com ele. Não nessa hora. Nessa hora deu preguiça. Nessa hora passavam-se filmes (meio) em preto e branco na minha cabeça. Filmes assim meio Kill Bill. E lá era, evidentemente, o lugar ideal para pensar conforme a massa. Mas não tanto.
Após uma delicada cara de paisagem, ele se pôs a beijar minha mão e foi-se, decepcionado por não ter encontrado em mim, a junkie cinematográfica de seus sonhos. Senti a baba que havia molhado minha mão e disfarçadamente, esfreguei na calça.
Ainda fiquei um tempo com Josete nos pensamentos, e com as risadas geradas por mega-interpretações causadas por Josete que, por sua vez, também é cria de outrem.
E com aqueles olhos. E com aquele sorriso sem chiclete no canto na boca. O sorriso de bala de eucalipto. O sorriso que surge pra disfarçar as eventuais faltas de respostas. O sorriso que eu perdôo.
Perdôo por que nasci boba! Por isso fico dando mais atenção que a necessária pra tipos novinhos com calças de couro. Boba até a raiz dos cabelos. Boba a ponto de me atirar num lugar desses por um copo de hi fi.
Então os pensamentos começaram a ficar mais pesados que os solos estridentes da banda-chata-que-todo-mundo-ama-por-que-ninguém-mais-conhece-(ainda) ou pelo menos deduzo que amam, dadas as reações gerais. Dentro da minha cabeça que tem tendência a se distanciar (e como não podia deixar de ser, se distanciou dali para longe, e no longe pairava a calma, a saudade e uma falta de ar imperceptível aos não atentos), tudo foi resumido ao trechinho “....” do Air Suply, que ouço quando estou largada (ou sou atirada) no meu clichê romântico – antes por puro apego à infância, agora pela tentativa de lembrar sobre o que ele havia dito sobre a voz imutável de um de seus vocalistas.
Ah, e baixinho pro som não vazar pelas frestas das portas e os vizinhos descobrirem que ando ouvindo certas porcarias. Além de chorar com elas.
A mania de gostar do que é clichê vêm de infância. Minha mãe ouvia as rádios românticas todos os dias, religiosamente ao meio-dia, hora das traduções melosas de seus péssimos locutores. Claro que não tenho a coleção de discos dos Bee Gees entre as pilhas de vinis. Mas alguns clichês sobraram, claro. E foram muito bem alimentados por mim. Alimento minhas manias, as chatas e as boas, assim como alimento demônios, amores e terras sem sementes. Por isso aqueles buracos de bala na parede do quarto. Mas isso é uma outra história.
Saí daquele bar e resolvi que pior não poderia ser, e fui caminhando sem problemas pela madrugada fria até chegar em casa. Devia ter pensado nisso antes.
Cheguei na casa que estava vazia dele, assim como a semana inteira, completamente ausente dele e das manias dele e dos gestos e da risada dele, além das suas pragmáticas programações, teorias e histórias, eu estou escutando o trechinho maldito daquela música e continuo esperando pra ver se estou mesmo sem graça, quase sem a urgência que ele direcionava a mim. Devo estar, por que é isso que acontece quando eu deixo um homem me ofuscar. Ele me ofusca a ponto de cegar-se com o próprio brilho, e esquecer-me ali em baixo, onde a luz é mais fraca, não por ser mais fraca realmente, mas por que a minha luz é voltada para dentro, ao contrário da dele.
E agora eu penso que a culpa foi toda minha, por pegar a melhor época que podia ter pego para fazer um questionário que ele não estava preparado pra falar (por surpresa), e muito menos eu pra ouvir (por medo). E agora eu penso que se o cheiro dele não está mais no travesseiro, foi por que ele cansou de proteger-me, sendo que ele sempre disse que eu deveria me virar mais sozinha e aprender mais lições.
Foi por isso que tirei o relógio do quarto, por que tenho obsessões com relógios. Eles nunca funcionam do jeito certo, andam rápido quando devem andar devagar, andam devagar quando deviam simplesmente começar a correr e continuam andando quando deveriam parar, estagnar o tempo pra sempre.
Muitas vezes ele ficava bravo por eu esconder seu relógio de pulso entre as roupas das gavetas. Ele nunca entendeu o motivo, nunca soube que era grave. Tomava o meu ato como brincadeira de mau gosto, e ia embora com a feição séria. Eu ficava. Morrendo.
Mas ele talvez esteja certo, admito. Talvez eu tenha esquecido de viver pra realidade. Talvez eu estivesse com medo de furar a minha bolha d’água só pra não encharcar tudo. Talvez ele não suportasse mesmo as pontas dos baseados que eu esquecia pela casa e talvez não gostasse tanto de ver o mesmo filme repetidas vezes, como tentava esconder-me.
Talvez eu tenha perdido minha coroa num lago de lama qualquer.
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Friday, August 3, 2007
Revista Lasanha 3ª Edição

Sei que estou atrasada, mas antes tarde do que nunca. A Edição 3 da Revista Lasanha está no ar, e esse mês traz meu textinho extraído daqui mesmo, por que tive pouco tempo de enviar outro superior.
Esse mês eu não pude deixar de notar que a Clô Zingali ta escrevendo lá também. Temos nos correspondido bastante nos últimos tempos e é uma pena que mais uma pessoa que bate (sabe quando bate? Pois é, a Clô bateu) esteja morando lá longe.
Rasgações de seda á parte, os chefs são:
Jarbas Capusso Filho, MaicknucleaR, Clotilde Zingali, Célia Musilli, Mariana Hagnè, Eduardo Lacerda, Bebeto Cicas, Jorge Mendes, Marcelo Montenegro, Daniel Faria, Lindsey Rocha , Larissa Marques, Artur Gomes, Paulo de Tharso, Maria Angélica Abramo, Márcio Américo, Rafael Nolli, Diniz, Mão Branca, Beatriz Bajo, Bárbara Lia, Assionara Souza, Juninho 13, Ricardo Carlaccio , Nicole Louise, Julio Cararra, Marcelo Ariel, Cássio Amaral, Roberta Silva, Daniel Cavana, Paula Klaus, Carolina PsiA , Edson Pielechovski, Claudia Maniezzi, Claudia Menezes, Alessandro Bartel, Me Morte, Cesar Ribeiro, Robson Araújo, Cassiano Monteiro, Rosana Faria Freitas, Karina Abramovich, Eduardo dos Anjos, Camilla Lopes, Marcell Dias Pitelli e Heloisa Galves.
Sem falar que a revista conta com algumas novidades, que vocês vão ter que olhar.
Sirvam-se.
Wednesday, August 1, 2007
Hoje eu dialoguei com a tua falta. Ela me disse calma, e eu só olhei com a melhor cara que pude fazer de compreensão. Uma grande amiga minha costumava dizer que eu sabia fazer caras como ninguém. Parece que não sei mais. Parece que agora estou sempre com o mesmo ímpeto de resguardar qualquer coisa, de preservar o que ninguém vai entender. Aí depois de um tempo, eu olhei pra tua falta e disse assim, bem assim: o problema é que eu nunca consigo encontrar nada que preencha esse seu lugar ali do lado esquerdo da cama.
Honey, eu sei que alguma coisa mudou aqui dentro. Eu sei que a tendência é a mudar mais e conforme tudo ocorra do jeito que eu sempre disse (mesmo que da boca pra fora) que queria, eu vou assentir e me deixar a chance de sobreviver. Sobreviver à falta de tudo, do meu dinheiro, da minha sorte, da minha sanidade, à água batendo no meu pescoço. O teu perfume. Eu não queria sobreviver. Mas agora eu quero. Agora eu quero por que ontem eu achei que eu ia morrer e eu vi que ainda não é a hora. Eu nunca achei que fosse, mas eu estava disposta por que eu sou assim, eu acho que tudo pode valer a pena dependendo do sentimento, dependendo da sinceridade. Mas ontem eu achei que eu ia morrer mesmo, aí eu mudei tudo. Não que eu tenha olhado na cara da morte. Não olhei. Eu sei que o dia que acontecer eu vou pirar. Mas não foi isso. Mas foi a visão da possibilidade (não que eu achasse que não ia passar, mas, e se não passasse?). A gente nunca sabe. E foi por isso que eu fiquei do avesso. Por que pode ser a qualquer momento. Tudo pode ser a qualquer momento. E eu vi que tudo sempre pode ficar pior, mesmo que pareça que não dá, que é impossível. Ontem ficou pior. Hoje já melhorou, mas eu ainda lembro. Aí que eu não quero ficar aqui apodrecendo. Aí que eu quero pegar minhas rédeas e me guiar por onde eu bem entender. Aí que eu tive vontade de ser aquela Karina lá, das caras e bocas e línguas (ásperas – e bem mais sinceras). E eu preciso da minha autenticidade aqui na minha mão. E eu preciso da minha casa, do meu dinheiro, dos meus remédios. Eu preciso de um canto melhor que esse pra ficar me desmontando. Eu preciso de ombros melhores pra deitar a cabeça, e não que eu tenha ombros bons ou ruins pra deitar a cabeça agora, por que não, eu não tenho, mas eu fiquei com aquela frase na cabeça, eu preciso de mais. Então eu preciso mesmo começar a correr: por que eu ainda não fiz anda que eu queria, e eu quero muita coisa. Não me importa se é mais do que eu posso segurar. Eu não quero saber. Eu quero ter e quero morrer sufocada nelas. Por que aí sim vai valer a pena e é o que eu sempre disse, amor, tem que valer a pena. Tem um monte de coisa que não vale. Você sabe melhor que ninguém. Ás vezes esquece, mas na maioria do tempo, você sabe. E agora eu estou bancando a exorcista aqui com esses demônios que eu criei com todo carinho, para que eles me devorassem viva, sem me matar – só na ameaça, a ameaça!
E eu comecei a ver que a minha vida é bem mais Sex and the City do que eu gostaria que fosse. Só que isso foi ontem.
Hoje, eu quero apagar a possibilidade de viver pra sempre. Eu não quero mais. Quem quer viver pra sempre não é feliz. E eu nunca vou ser feliz se eu achar que eu tenho tempo. E eu não tenho tempo nenhum.
Então a única coisa que eu quero agora, é ficar com a minha boca (sem zíper, dessa vez), com a minha cabeça bem aqui em cima do meu pescoço, com meu meio maço de cigarros e com os teus olhos. O resto eu quero ver explodir.
Eu não quero mais segurar as mãos de ninguém, nem do invisível. Agora eu acabei de virar gente grande. Agora eu acabei de acordar pra mim. Agora eu não preciso mais desses óculos. Agora eu quero ver a boca de todo mundo cair no chão. Lá embaixo.
Pensando cá comigo sobre a realidade, sobre o caminho ser sempre para fora e nunca para dentro. Pensando que os segundos de um flerte são muito mais bonitos do que o amor em si e ao mesmo tempo discordando plenamente, claro, o amor é a paz, e a paz sempre foi a razão, a minha razão sem propósito algum senão o de deitar a cabeça no peito de alguém e só acordar no dia seguinte com uma voz que me relaxe os ombros e me encubra e ressoe na casa inteira.
Não vai ser mais no teu peito. Eu sempre soube. Eu sempre soube que eu demoraria muito a ser escolhida por alguém que valesse. Você sabe, eu fico dependendo do tal do destino que eu acredito tanto. Por que eu não procuro, acho que não adianta.
Algumas vezes eu me pego na rua ou num boteco olhando um pessoal passando. Eles me olham de volta, fazem caras incompreensíveis e eu os vejo irem. Nunca deixo de pensar que alguém importante pode ter acabado de ir embora e eu não fiz nada. Quais foram os caminhos que aqueles olhares cruzaram. Algumas vezes até as imagino sorrindo ou se divertindo ou gargalhando, sem o ar da pressa e do silêncio, e elas ficam bonitas. Imagino se elas são do tipo que falam e são ouvidas, que espontaneidade se esconde atrás dos olhos metropolitanos comuns. E me retenho nesses pensamentos até o próximo quarteirão ou o próximo copo, ou ainda, até alguém puxar um assunto. Quem sabe até o pensamento de sempre tomar lugar aqui na minha cabeça.
Eu penso o tempo inteiro em como é perder as pessoas, honey. Eu sempre estou pensando em como é chato perder as qualidades delas, eu adoro as qualidades dos outros. Não que eu não me apaixone pelas manias delas, pelos vícios delas, pelas paranóias delas, pelas doenças delas, pelas bebedeiras delas. Eu me apaixono. Eu acho bonita a confusão. Mas tem mais vida as qualidades, os jeitos que elas levam pra vida e não percebem, mas eu percebo e acho lindo, por que eu não levo jeito pra vida.
Por isso que eu gosto de te ouvir falar de mim, por que eu mesma não sei me ver. Eu acho legal quando você diz que eu faço isso ou aquilo, ou que eu gosto ou pareço gostar de tal coisa. Eu gosto da tua visão de fora. Eu gosto que alguém me toque das minhas manias, dos gestos que faço repetidamente e nunca repararia se não me dissessem.
Por que muitas vezes eu acho que eu perdi a essência, mas quando alguém vem e me descreve, eu vejo que por mais que eu não veja minha essência, ela está ali escorrendo aos olhos dos outros. Sempre gostei que me ensinassem sobre mim mesma. Quais são minhas reações, quais são meus pontos sensíveis. Tudo isso eu não reparo sozinha. Sou por demais distraída com o mundo lá fora.
Sempre gostei que houvesse pessoas capazes de falar de mim; ouço embasbacada, mesmo que não concorde com a maioria das coisas.
Eu sempre estou aqui no meu mundo de “e se”, no meu mundo de “seria assim, caso...”. A vida é um mar de possibilidades. Li essa frase, assim, em itálico mesmo, no primeiro livro que eu comprei na vida. Hoje o acho muito chatinho. Mas eu nunca deixei de lembrar dessa frase, que é boba, é mesmo, mas pra mim não é, por que ela aponta exatamente pra esse monte de coisas que podemos perder ou não, conforme nossa escolha ou falta de coragem.
Eu cansei de ver os possíveis homens da minha vida passando do meu lado na rua, ou tomando café na padaria. Cansei de ver mulheres que pareciam ter belas almas pra espalhar na minha vida em meio a conversas de roda ou não.
Assim como canso de ver onde é eu vou parar se eu não começar a me dar conta de que estou no planeta Terra, vivendo.
Me pegava cotidianamente, me imaginando casada tipo com o carinha que estava escolhendo o amaciante, cheirando um por um da prateleira do supermercado, ou com um outro que estava procurando desesperadamente pelo ticket do estacionamento dentro do bolso da camisa, assim como em várias outras situações paulistas.
Mas desde que eu conheci você, eu acho até legal, tudo, mas, veja bem, mas, eu sempre penso que eles não são, bem... você.
E é assim que minha vida amorosa vai ser a partir de agora, certo? Então ta.
Parece que caí direitinho e de pára-quedas na armadilha que você não armou.
Se bem que agora, eu e minha cama já me bastam. Eu dormindo sempre do lado esquerdo, deixando o outro lado vago como sempre deixo. Não fico à vontade em passar da minha metade da cama. A verdade é que eu me assassinei dentro de mim mesma. Mas descobri que o amor também é assassinável, não por mim, claro, eu nunca assassino nada que não seja eu, mas o amor é assassinável por quem queira tomar nas mãos umas facas e concluir.
Wednesday, July 25, 2007
Das conversas com Deus – II
Com licença, mas o senhor tem certeza que está mandando todas essas desgraças diárias pra pessoa certa?
Quero dizer, eu tenho estranhado essas encomendas chegando todos os dias na minha porta, e daqui a pouco, creio que não terei mais lugar para coloca-las. Peço que, por favor, dê uma revisada na sua prancheta (se não for dar muito trabalho, claro), e, pro caso de estar tudo certo, será que dava pra me mandar um boletim explicativo sobre meus pagamentos? (peço que considere, pois, dado o horário da gente aqui no Brasil, já é madrugada, e eu estou a quebrar a cabeça no pouco tempo que tenho pra dormir).
Desde já, obrigada.
Ou
The Great Gig In The Sky
Passei noites em claro balançando o berço onde o amor deitava, exausto, chorando a madrugada inteira. Falta de alimento não era. Talvez fosse a música. Mas acho que não era também. Amar o amor é o pior erro humano. Existe essa necessidade de tapar esse buraco que dói e sangra o tempo inteiro, assim, na frente de qualquer um. Muitos constrangimentos que podiam ser evitados se os curativos estivessem bem colocados e com esparadrapos suficientes.
E depois de simplesmente levar um balde de água fria na cabeça a gente simplesmente devia aprender. Eu tenho que aprender a não entregar meu coração assim, desse jeito. Pra qualquer coisa, não só pessoas. Por que eu sei que o que volta pra mim é só um pedacinho dele, todo mutilado, todo roxo, irreconhecível. “Karina, esse coração que tava lá na calçada é seu?” Oh, sim, obrigada. Já estava começando a achar que não o veria mais. Obrigada de novo. “Por nada. Mas enrosca ele aí logo, por que da próxima vez você pode não ter tanta sorte, valeu?”. Certo, eu sei, eu sei ...
Mas eu não enrosco. E quando eu não enrosco, eu passo um tempão olhando pra ele pra ver se ele vai se reconstituir. Mas o tempo passa, nada acontece e eu continuo olhando. Volta pro peito mutilado mesmo. Esperando alguém com umas ferramentas pra consertar ele. Sim, por que eu mesma já não me julgo capaz de consertar tudo isso aqui sozinha. Odeio admitir. Odeio mesmo. Mas eu tenho caído no berreiro na frente de cada panaca. Na frente de cada imbecil que nunca vai entender por que é que eu to me descontrolando desse jeito. E a classe, Karina? Ah, pro inferno com a classe. Nunca fui classuda. Pelo contrário; minhas pérolas estão bem longe dos saltos das madames. Às vezes eu fico pensando que eu não sei fazer nada e nem sou capaz de aprender mais nada. Primitiva da raiz do cabelo até a unha nos dedinhos dos pés. Na frente das pessoas que eu podia chorar, eu fico tentando dar uma de forte. Se bem que pensando direito, tem umas pessoas que é melhor mesmo que eu não chore na frente, que eu não peça colo, que eu não ultrapasse a barreirinha de felicidade geral da nação. É melhor que eu faça parte da felicidade delas, e não da preocupação. Não gosto da possibilidade de dar trabalho pra alguém.
Eu estive pensando no meu coração, no meu lugar no planeta, nos meus passos certos em contravenção dos meus passos errados. Parece que nada está balanceando nada. Parece que sempre o abismo é maior, que a maior fatia de bolo nunca cai nas mãos de quem tem mais fome. Parece que não tem conserto.
Eu queria saber quantas pessoas tem coragem suficiente de dar amor sem expectativas... se não dói... se não acaba matando. Por que por algum buraquinho a minha essência deve estar escorrendo, por algum lugar onde eu não enxergo.
Fico pensando se não estou cometendo o erro de sempre. O erro fatal da não-entrega, o erro fatal da preocupação com os achismos dos outros. E penso ainda, no por que disso tudo, sendo que tudo que eu queria era me entregar do jeito que eu sempre ameaço, era abrir meus braços e deixar que meu emocional tome conta geral dos meus movimentos, da minha voz, do meu corpo.
Fico pensando que o amor não pode ser só a figura de um coração e uma faca embrulhados pra presente chegando á porta de quem não sabe amar.
Eu me peguei dizendo ontem pra Michele, “Mi, eu preciso de mais. Eu sempre preciso de mais”. Ela concordou com a cabeça e com a expressão de quem não estava entendendo nada e ao mesmo tempo estava entendendo tudo.
Então é disso que eu preciso? É isso que eu não posso viver sem? Tenho me sentido extraordinariamente sozinha. Eu realmente não conheço um ombro no qual eu possa me deitar e chorar todas essas lágrimas que sobem nos meus olhos toda hora mas que eu engulo, eu engulo pra não ter que admitir que eu fraquejei, que eu estou sem saber o que fazer pela primeira vez em toda a minha vida. Eu já não sei do que eu preciso. Será de um médico, que eu preciso? Amor? Um corpo do meu lado na grama? Um agasalho mais grosso? Uma espada de ouro? Explicações? Manuais? Eu preciso de ajuda pra sair daqui de dentro de mim.
Eu preciso de espaço pra gritar. Eu preciso de alguém pra conversar comigo. Alguém disposto a ouvir, alguém que saiba ouvir. Alguém que saiba do valor da paz que eu falei, e apesar de eu amar meus amigos sem exceções, eles não tem conseguido esse impossível que era tão fácil antes... Eu preciso de alguém só pra conversar e olhar nos olhos. Alguém pra arrancar sorrisos. Estou me sentindo sozinha. Eu não lembrava que detestava me sentir assim. Mas eu detesto. Eu detesto mais do que estar acompanhada por um monte de bocas que não dizem nada.
Pra quem esperava entrar aqui e achar um texto sobre aquilo lá, sugiro que dêem meia-volta. Reabriremos depois do almoço. E com outra programação.
Grata,
Friday, July 20, 2007
Ouvi a mesma frase o dia inteiro: você está triste, Karina? “Não. Claro que não”. E o que te deixa triste? “Essa música do Arnaldo me deixa triste. ‘te amo podes crer’, já ouviu?” Não. “Ela é a única coisa capaz de me deixar triste agora”.
E é bem ela que está tocando. Sacanagem, né?. “Não, fui eu que coloquei”. E por que, Karina? Você quer ficar triste?. “Não”. Então qual o motivo dessa contradição? “Essa contradição sou eu, meu bem”.
A ficha caindo direto no estômago
Ups. E não é que existe dor?
O sarcasmo de berço e suas condições de uso:
O plano é montar uma loja que venda um saquinho cheio de amor. Eu encho um saquinho de veludo cheiroso com amor, e você me paga por ele, assim, uns dois reais. “Mas e se eu não precisar de amor?”. Depende. Por que você não precisa de amor? Já te deram muito, assim, de mão beijada? “Não”. Então por que você não precisa de amor? “Por que quando eu olho pra cá, sabe, aqui dentro, eu já vejo um monte dele. Não preciso de mais. Acho que até está sobrando”. Hum. Nesse caso, toma aqui esse saquinho de veludo. “Isso é uma parceria?”. Mas é claro.
Dos saquinhos vazios de veludo
Mas o inadmissível mesmo, é olhar ali praquele lado do lago e não sentir nada. “É por isso que eu não vou lá. Não sozinha”. Mas a solidão precisa de alguém que dê a mão pra ela. Alguém, que não fale, não chore, não lamente. Só ande por aí, com as mãos emendadas nas dela – e sem reclamar, repito. “Engolir suspiros com açúcar”. Mas os suspiros já não são doces? “Não aqui dentro, meu caro”.
Cigarras e vaga-lumes à luz do sol.
“Por que você canta?” Pra não me sentir sozinha. E você, escreve por que? “Pra suportar a solidão”. Mas todo mundo responde que escreve pra não enlouquecer. “Mas de loucura, acho que já sofro”. Então a próxima resposta ranking é ‘pra não morrer’. “Mas você esqueceu da contradição! A contradição! Eu escrevo pra não ter que ir viver”.
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Wednesday, July 18, 2007
Karina Abramovich: Doente, rouca, com o coração aberto (justo nesse frio!), com cara de sono, remendando a cordinha, pesquisando no Google, trabalhando com música, produção visual e com as letras de antigos manuscritos. Logo ela, menina tão atrapalhada com ela mesma.
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Tuesday, July 17, 2007
Monday, July 16, 2007
Karina, gafes, impaciências e desafetos (OU:) *Sarau - "O Som da Alma".

Começou o “espetáculo”. Uh. Primeiro achei que aconteceria algo extraordinário. Quero dizer, ouvi cânticos numa língua que eu não conhecia, pessoas batendo em tambores, flautas e umas varas que eu nem sei o nome, fazendo plé plé. Legal. Daqui a pouco eu vou entrar ali no meio e fazer uma dança indígena. Não é ironia. Eu queria mesmo entrar ali no meio e fazer uma dança indígena. Mas não deu tempo, por que desfizeram a roda e os batedores de bumbo e flautistas entraram pro que chamavam de palco. Não era um palco. Era um canto com uns tapetes e uns instrumentos. Todos nós entramos atrás e nos acomodamos apertados uns nos outros no chão. Afinal, era um sarau. Tirei o casaco e o embolotei atrás de mim, por precaução. Minha calça estava larga e eu não queria que o habitante do pedaço de tapete atrás de mim visse, você sabe, a minha bunda. A banda tocou umas músicas que diziam coisas como “você pode ser o que você quiser” entre outras mensagens positivas, embalados nas palmas dos espectadores – exceto... quem?... hummm... eu – e eu cochichei no ouvido da May (que também estava adorando) “to me sentindo num show do Jota Quest” embora eu nunca tenha ido – e nem pretenda – ir num show desses caras. Percebi um desapontamento no olhar dela que quase me deu vontade de fingir que eu estava adorando. Mas eu disse quase. Além disso, uma mina que estava atrás de mim tentou roubar meu casaco. Fui lá pra fora e acendi um cigarro (conseguido por puro milagre, de um guri que também estava revoltado que não houvessem cinzeiros no meio de todos aqueles lixos de plaquinhas com dizeres tipo “alumínio”, “plástico”, etc). Acendi numa das velas que estavam sobre a mesa da quitanda que vendia bombom e suco de abacaxi. Uma palhaça foi se apresentar pras crianças e a gente ficou lá assistindo. Palhaça literalmente. Com maquiagem e tudo. A May achou que minha lata de cerveja estava vazia e soltou uns papéis amassados lá dentro. Eu gritei, de brincadeira “sua filha da puta”. Quero dizer, po, ela era minha amiga, e eu e minhas amigas nos tratamos assim. É tudo harmoniosamente bem entendido entre a gente, tipo “hahahahaha”, mas parece que todo o restante não achou que fosse uma boa hora. Quero dizer, olha as crianças, olha as crianças. Olha a palhaça com a Sailor Moon na mão. Coitada. Eu só pude dizer abanando as mãos em sinal de desesperança “desculpa aí, gente, desculpaí”. E todos voltaram as cabeças pro palco novamente, enquanto eu permaneci sentada do lado da churrasqueira trocando minha cerveja-com-papel pela cerveja-sem-papel da Mayara.
Mas calmaí que teve o lado bom da noite. Apesar da cólica, culturebas e nerdicices em geral, a banda que a gente foi ver (eu, pela primeira vez), Projeto Realejo, foi um dos pontos altos. Assim como os guris que nela tocam, embora eu não estivesse pra muitos amigos. Estava mais preocupada com a minha dor, pra falar a verdade, do que com confraternizar com as únicas pessoas que pareciam legais em meio ao restante. O Márcio, que toca bateria, até superou minha falta de modos me emprestando o casaco dele pra eu ir embora. Mó chuva. Agradecida. Sem falar que ele é legal mesmo. Agora, eu estou com dor de garganta. Sofri a noite inteira. Como vou hibernar até me sentir um pouco melhor, passo o dia na frente do computador a escrever e-mails, inventar surpresas e redigir textos. E claro, a engolir comprimidos.
Thursday, July 12, 2007
*Roubado na cara dura da "Chapelaria".
Wednesday, July 11, 2007
Tuesday, July 10, 2007
Karina Abramovich: Sempre blogando posts injustos e sendo exagerada. Até quando sabe onde vai dar.
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Mas eu estou orgulhosa de mim, apesar desse nó que sobrou. Quero dizer, eu nem tive ataques de nada.
Tá bom.
De quase nada.
E eu sei me defender muito bem. Sou boa na conversa e melhor ainda no tapa - quando o primeiro não resolve depois de uma árdua insistência, claro, ou quando eu sei que nem adianta começar a falar, o que geralmente, é o caso.
Karina x Karina - Parte IV
_ Acho melhor não.
_ Você não estava dizendo há cinco minutos que a única coisa que você queria agora era se enroscar num canto e dormir?
_ É, foi o que eu disse.
_ E por que você não está lá? Quero dizer, a sua cama está há nem três metros de você.
_ Tenho medo de ter o pior sono desse ano.
_ Você já teve sonos piores do que o que você está deduzindo, Karina. Você sabe.
_ Sei. Mas parece que a ferida abriu de novo.
_ Até quando?
_ É o que eu gostaria de saber. Mas posso lançar um palpite. Acho que até eu enfiar a cara no travesseiro e secar toda essa minha autoflagelação que eu fiz questão de causar hoje. Essa sabotagem de ‘me’ para ‘myself’.
_ Mania burra essa sua de achar que é mais forte do que realmente é.
_ Mas meu amor, eu sou mais forte do que eu acho que sou. Não posso acreditar que você ainda não reparou nisso.
_ Rs, eu reparei que você tem o dom do sarcasmo, querida. Mas isso é pouco.
_ Será?
_ Sim, é pouco.
_ Pode ser.
_ Não pode ser. É.
_ Por que você sempre quer dar a ultima cartada, hein?
_ Olha, por que se eu não fizer isso, algum idiota vai acabar dando por mim. E eu nem vou deixar, ó.
_ Vendo por esse lado, você ta certa.
_ Você concordando comigo? Ora, mas quem diria.
_ Pra você ver.
_ ...
_ ...
_ ...
_ Isso te incomoda tanto assim?
_ Isso o que?
_ Eu discordar de você o tempo inteiro.
_ É que eu acho que você, por ser assim, digamos, meu eu, a lógica seria que fossemos iguais.
_ hahaha. Você não pode acreditar nisso que você está falando. Olha pro teu sobrenome.
_ Certo, você me pegou. Mas como você queria que eu estivesse agora?
_ De jeito nenhum, oras. Não era pra estar de jeito nenhum.
_ Desenvolva.
_ Você pede, Karina. Olha pra você. Eu tenho até vergonha de ver você naquele espelho.
_ Desenvolva melhor.
_ Karina. Olha pra mim. Presta atenção. Você e aquela cordinha fraca. Você disse aqui antes. “Eu vou lá naquele abismo. Eu e a minha cordinha fraca”. Ou qualquer merda do tipo. E você foi. E sabe por que você foi? Não por que você seja corajosa. Você foi de tonta que você é.
_ Deve ser por isso que aquela cama está me dando calafrios aqui.
_ Olha você concordando comigo de novo.
_ Dessa vez fui obrigada.
_ Por que você não pode simplesmente parar?
_ Por que dói.
_ Mudar dói. Não mudar dói mais.
_ Eu já li isso em algum lugar.
_ É, mania de gente que ta começando a ler mais do que devia. Fica citando coisas o tempo inteiro.
_ E ninguém entende bosta nenhuma.
_ Ninguém entende bosta nenhuma.
_ Mas vamos tentar nos entender primeiro. Acho que vale mais a pena. Repassar os fatos.
_ Eu só queria tirar essa faca aqui do meu estômago. Hoje eu passei mal de tristeza. Queria ir pro banheiro e vomitar. Chorar agarrada na privada.
_ Que bom que você ainda tem princípios.
_ Dignidade.
_ Uma mulher pode perder a dignidade na hora que bem entender.
_ Outra citação.
_ Pois é.
_ Mas por que você pega a droga da faca e enfia na barriga, então, cristo?
_ Eu... eu não sei.
_ Posso dar um palpite?
_ Claro.
_ Eu acho que você só se sente bem quando está triste.
_ Mentira! Eu já abracei tristezas demais pro meu gosto. Eu estou procurando a felicidade, lembra? A felicidade!
_ Então você é muito contraditória no seu modo de agir. Deve estar procurando no lugar errado. Você acha que vale?
_ Não sei. Mas eu prefiro. Quero dizer. É o meu coração, sabe? Romântico.
_ Burro.
_ Pode ser. Mas ainda assim não deixa de ser romântico.
_ Não me envergonha, Karina.
_ Quer saber, meu? Foda-se. Eu não tenho lá muitos pontos na sua lista. Nunca tive. Não quero saber se você é mais racional. Não quero saber se você está fingindo que essa faca não está doendo em você também.
_ Pára de chorar. Toma aqui esse lenço.
_ Não quero.
_ Deixa de ser cretina. Toma aqui esse lenço.
_ Já disse que não quero.
_ Karina, na boa. Você não entende merda nenhuma de amor. Saber que ele é eterno e só muda não é merda nenhuma. Você não entende nada sobre nada e sabe que nunca vai entender por que a tua cabeça funciona meio longe desse mundo. Meu, olha em volta. Vê se tem alguém nessa merda que perde tempo pensando em formas de consertar o que não tem conserto. Você está ferrada, minha amiga. É só isso que eu te digo. Você está ferrada e mal paga. E digo mais. Você ta ferrada, mal paga e sozinha. Levanta essa cabeça.
_ Por que você está falando assim?
_ Por que você é uma imbecil, menina. Uma imbecil. Sério mesmo. Mais imbecil impossível.
_ Se você começar a chorar também não vai adiantar muito.
_ Culpa sua. Como é que eu posso ver você fazer isso e não sentir nada? Porra Karina, pensa no meu lado.
_ Ta, mas eu não vou te pedir pra parar de chorar. Sério. Eu estou esperando mó cara pra me afundar no meu travesseiro e sufocar nas minhas lágrimas. Agora eu não tenho forças pra mais nada. Nem pra te consolar. Nem pra levar esse prato de macarrão frio pra cozinha. Nem pra abrir aquela tela do explorer e nem pra ver aquela planta. Nem pra pensar em falar com alguém. Não vai sair. Não vai sair nada e eu vou ficar aqui com as minhas lágrimas e o meu prejuízo e a minha corda arrebentada.
_ Está bem. Já que eu não vou te convencer do contrário, tenta pelo menos parar de escutar Pink Floyd.
_ Verdade. Aquela doeu, viu. Pink Floyd em hora errada é fóda. Eu estou me sentindo pequena. Pequenininha do tamanho de um átomo. Que bom que perdi a droga do cd do Floyd.
_ Ainda bem
_ Ainda bem.
_ Olha. Vai pra cama. Afunda a cara no travesseiro. Não olha pro lado direito da cama. Sufoca lá e chora. Sente toda a sua dor, assim, bem sentida, pra não sentir falta dela depois. Desmonta. Aproveita que a casa ta vazia. Aproveita que você pode gemer e soluçar à vontade, ninguém vai te ouvir. Grita, se quiser. Taca aqueles quadros de pierrot no chão. Mas vai agora. Vai agora, que amanhã eu te quero fria de novo. Amanhã você tem que descer lá na M. e não pode parecer uma lunática. Anda. Faz essa dor sair, se tiver como expelir ela inteira.
_ Já se sentiu tão triste que se sentiu impotente?
_ Olha pra quem você vai perguntar, Karina. Por favor.
_ É por isso que eu estou aqui agora. Atônita. Com realmente nada ao meu alcance pra fazer. Eu queria ser deus, sabe. Eu nunca quis isso. Mas agora, exatamente agora, eu queria. Por que eu não sei imaginar mais nada pra fazer. Eu preciso de um milagre, varinha de condão ou que deus desça agora aqui na minha frente pra falar comigo. Pra me dizer por que ele não me fez nascer na pele de um cachorro ou de uma formiga que vive e morre como todas as outras formigas sem se preocupar se ela está enlouquecendo ou não, por que formigas não enlouquecem, e o que é que eu faço pra essa dor aqui passar, por que eu realmente não sei. E eu sei que amanhã ela já passou, mas amanhã pra mim ta longe, eu quero que essa dor suma agora.
_ Então vai ali rezar, porra. Ajoelha em cima do milho. Faz penitência. Te manda p’rum convento. Vai à merda.
_ Sarcástica filha da puta.
_ Bem... pensando bem, por que não?
_ Cínica.
_ Covarde.
_ Hum... Passou a vontade de chorar.
_ Hummm. Então vai dormir.
_ Melhor. Amanhã é um novo dia, não é?
_ Citação de novo.
_ Mas essa é de música.
_ As coisas evoluem, sempre.
_ Graças a Deus.
Friday, July 6, 2007
ODE DESCONTÍNUA E REMOTA PARA FLAUTA E OBOÉ
DE ARIANA PARA DIONÍSIO.
Hilda Hilst
I
É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas.
Voz e vento apenas
Das coisas do lá fora
E sozinha supor
Que se estivesses dentro
Essa voz importante e esse vento
Das ramagens de fora
Eu jamais ouviria.
Atento
Meu ouvido escutaria
O sumo do teu canto.
Que não venhas, Dionísio.
Porque é melhor sonhar tua rudeza
E sorver reconquista a cada noite
Pensando: amanhã sim, virá.
E o tempo de amanhã será riqueza:
A cada noite, eu Ariana, preparando
Aroma e corpo. E o verso a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência.
II
Porque tu sabes que é de poesia
Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira poeta.
E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,
É que move o grande corpo teu
Ainda que tu me vejas extrema e suplicante
Quando amanhece e me dizes adeus.
III
A minha Casa é guardiã do meu corpo
E protetora de todas minhas ardências.
E transmuta em palavra
Paixão e veemência
E minha boca se faz fonte de prata
Ainda que eu grite à Casa que só existo
Para sorver a água da tua boca.
A minha Casa, Dionísio, te lamenta
E manda que eu te pergunte assim de frente:
À uma mulher que canta ensolarada
E que é sonora, múltipla, argonauta
Por que recusas amor e permanência?
IV
Porque te amo
Deverias ao menos te deter
Um instante
Como as pessoas fazem
Quando vêem a petúnia
Ou a chuva de granizo.
Porque te amo
Deveria a teus olhos parecer
Uma outra Ariana
Não essa que te louva
A cada verso
Mas outra
Reverso de sua própria placidez
Escudo e crueldade a cada gesto.
Porque te amo, Dionísio,
é que me faço assim tão simultânea
Madura, adolescente
E porisso talvez
Te aborreças de mim.
(...)
Wednesday, July 4, 2007

Monday, July 2, 2007
Antítese
Tentei aprender a vida inteira e ser desse jeito aqui. Mas olha que servicinho mais maltrapilho que eu fui fazer. Desse jeito aqui eu não consigo ter paz. Desse jeito aqui eu não consigo sentar de frente pr’aquele lago e acender o meu incenso. Desse jeito aqui eu não realizo, eu não saio das nuvens. Quero viver na terra que é melhor. Planto umas flores no caminho e fico andando. Fico dançando, saltitando, tomando chazinho de ervas. Enfio uma flor no meu cabelo e vou escutar Polyphonic Spree. Não morro de ciúmes (essa parte é mentira), não perco meu tempo. Aprendo a olhar nos olhinhos pequenos mais fundo. Aprendo a dizer que “eu te amo” por que tá mó engasgado aqui, ó, bem debaixo desse nó na minha garganta. Tá engasgado que eu quero o mundo vá pro inferno e eu não quero nem saber de “daqui há tralálá” eu quero me jogar agora e eu quero quebrar a minha cara bem quebrada por que senão nada disso vai ter valido a pena. E tem muita coisa aqui que vale. Vale a pena pra caralho e compensa tudo.
Eu não quero nem saber. Sai da minha frente. Sai que eu to indo lá no abismo com a minha cordinha fraca.
Friday, June 29, 2007
Essa minha cara de criança me constrange. Cara de boba. De “pode chegar e dar um chute”. Não que me chutem, por que eu não deixo. Nessa de auto-defesa eu me saio muito bem. Pena que só aplico só na hora errada. Mas o assunto nem é esse. Então.
Eu posso deixar sim, que venham (eu gosto de aproximações), falem o que querem que eu escute, e falo o que todos querem escutar. Muitas vezes o que eles querem escutar é só a verdade (e isso não tem nada a ver com a parte ignorante da cidade, nem com sociedade). E eu sou boa em falar verdades.
Nunca coloquei ninguém pra dançar num palquinho.
Hum... mentira.
Coloquei.
Mas ele mereceu.
Então.
Com quem não merece (e hoje em dia, nem mesmo quando merecem) eu não coloco. Então eu fiquei lendo aquele diálogo sem parâmetro algum sobre limites e percebi, porra (!), que eu estava certa. E que se eu tivesse dito o que eu tinha todo o direito e razão de dizer, ia ter gente morta agora. Mas eu tenho essa coisa de tentar ser legal. De tentar ser justa e de assumir minhas culpas quando as tenho.
Queria só saber por que quando vêem que eu faço isso, montam em cima do meu ombro e descem um bando de absurdos pros meus ouvidos achando que então (já que eu “estou no clima da auto-depreciação”) eu vou ficar lá ouvindo e falando “perdão”. Perdão é o ca-ra-le-o. E pode me processar.
E olha como eu sou legal mesmo, por que eu ainda venho aqui dar uma dica pra nação: Não me encham o saco. Cada um com os seus demônios, e vão ao inferno um pouquinho, vão. Eu não tenho nada a ver com as decepções de ninguém, eu não incomodo ninguém, eu não uso ninguém, eu não dou tapas na cabeça de ninguém, eu só fico aqui no meu cantinho tentando bater um papo com quem eu acho que gostaria de conversar. Eu adoro conversar, e só não vou gostar se você for mesmo um prego.
Ah, sim, mas tem aquele negócio das minhas travadas.
Tem.
Mas só com quem tem a mãnha de me emudecer. E vou te falar, viu, muito difícil isso.
Conheço poucas pessoas menos ingênuas que eu. Por que eu não sou nada ingênua, quero dizer, não no que diz respeito às coisas sérias.
Então, pode anotar aí na sua caderneta: eu sou indiferente mesmo. E ao contrário do que todo mundo pode pensar (mas se eu fosse eles, nem perderia o tempo comigo) não é nem por me achar melhor ou qualquer coisa do tipo. Anota aí também: Eu sou contra achismos.
Onde eu estava? Sim, claro. Eu sou indiferente simplesmente por que eu não acho que eu deva tomar conta do seu demônio, o que você pariu, e o que você educou, se eu já tenho tantos aqui comigo, totalmente paridos mas nada educados. E ainda: Por que ninguém toda conta dos demônios de ninguém, e se você, meu amigo, deixar que alguém faça isso por você, então você não tem mesmo vergonha na cara. Mas eu tenho, tá? Sou legal e tudo, sou egocêntrica e tudo, mas tenho a mó força. Sei de várias pessoas que podiam ter um pinguinho da força que eu tenho. Faz bem pra saúde. Se não tiverem, e se não forem meus amigos de morte, ou ainda, se não forem alguém por quem eu mostro me interessar (sim, por que quando eu me interesso pelo bem estar de alguém – amigo ou não – eu sou do tipo “a mais empenhada” e mostro muito bem escancaradamente, pra não ter sombra de dúvidas), o pedido é: não extrapolem.
Tem gente pra quem eu dou a faca e falo, ó, pode me cortar. Mas se eu não te dei, então recolha seu rabo entre as pernas e não me encha o saco. Falou?
Thursday, June 28, 2007
Alguém me viu por aí?
Vou ter que explicar. Todo mundo sabe que por mais que eu tente, por mais que eu esperneie e pentelhe os santos várias vezes por dia pedindo pelo menos uma mãozinha, eu vou lá, bem onde está o precipício e me jogo. Saio rolando barranco abaixo, chego lá embaixo toda quebrada, toda cheia de lama, toda cheia de dor, mas não morro. E por mais que eu saiba disso, não tem jeito. Sou como um cupim olhando a luz pela primeira vez. Eu vejo todo mundo que arriscou ir até lá, todos mortos em volta de uma mesma razão. Mas não sei por que eu invento que eu sou mais forte que eles, e meu deus, eu não sou. Não sou, não sou e não sou. Definitivamente. Olha aqui esse buraco. Me diz se alguém que é forte tem um buraco desses. Não adianta essa mala de medicamentos, não adianta a reza, nada. Tudo que sobrou foi essa minha fraqueza e essa minha petulância, que convenhamos, são qualidades nada sinônimas. Enquanto isso, quero dizer, enquanto eu não tomo jeito, enquanto eu não começo a me escutar e dar uns minutos pra respirar, se você me achar por aí, assim toda fodida e perdida na rua, por favor, me mande um e-mail informando onde me encontro. Grata desde já.
Wednesday, June 27, 2007
Monday, June 25, 2007
To Bill at 05:35 am.
Eu quis muito te dar uma coisa hoje, mas eu não podia por que você não ia ter onde guardar. E a que eu fiz tava feia. Tudo que eu mais queria que você visse, que você guardasse. Eu queria te mostrar a casa. Ver você olhando e segurando ela. Colocar um fone no teu ouvido e pedir pra você fechar os olhos um pouco. Mas não dava. Foi mais um minuto mágico que a gente perdeu. E eu não vou poder te dar um beijo às nove e quinze da manhã.
Thursday, June 21, 2007
A Especialidade da Casa
Os Chefs:
E não precisa dar gorjeta ao garçom.
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Wednesday, June 20, 2007
Fala
Eu não sei dizer
Nada por dizer
Então eu escuto
Se você disser
Tudo o que quiser
Então eu escuto
Fala
lá, lá, lá, lá, lá, lá. lá, lá, lá
Fala
Se eu não entender
Não vou responder
Então eu escuto
Eu só vou falar
Na hora de falar
Então eu escuto
Fala
lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Fala
(Secos e Molhados)
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Nostalgie Lusitaine
Monday, June 18, 2007
Thursday, June 14, 2007

Sem perguntas. Só eu vou entender a doçura desse post, desde seu início. Eu e quem deve. E quem deve, entende (quase) todos os textinhos bobos que eu escrevo aqui. O dono da voz de veludo e mãos protetoras (curiosas, artísticas!), e das pernas que gosto de ter entre as minhas pernas. A quem direciono meus 'sorrisos acompanhados de olhares com vírgulas', e tem as costas que gosto de ter debaixo das minhas unhas. Meu querido, sempre escondido nas minhas entrelinhas de menina desesperada, urgente, desajustada. Honey, você transformou em poesia todo pecado do mundo. Sempre me pegando uma estrela, sempre me escondendo no meio da barba que não possui. Uma vez eu escrevi num pedaço de papel "eu quero o teu sono do lado direito da cama", mas não tive onde usar, achei que não entenderia, que ia ficar desesperado. Mas agora eu não ligo mais por que você pode fazer o que quiser pra fingir que não, mas você entende, e eu agora posso dizer que te amo. Queria que você me ensinasse onde está minha alavanquinha de destravamento. Eu ainda não achei. Mas entendo que a sua visão vá mais longe que a minha. Deixa que eu crio nossa história que a gente não vai viver. E do pouco que você ainda não sabe, eu vou tirar um mundo inteiro. Então, fica, meu pequeno Chopin, nas linhas da minha caligrafia rabiscada de cadernos mergulhados em pieguice, que a realidade existe, mas não da forma que todo mundo vê.
Tuesday, June 12, 2007
12 de Junho
Monday, June 11, 2007
Yesterday
Essa minha vontade idiota de ser feliz só acabou comigo e engoliu os meus sonhos, bem mastigados. Ser feliz? Á merda. Tem gente que não nasceu pra dar certo ou nasceu pra dar certo tarde demais, e eu tenho é que baixar minha cabeça lá perto dos meus pés e parar de querer olhar pra essa lua sozinha no céu, devoradora, maior que eu e maior que tudo e que ninguém pára pra ver e começar a me mexer, tenho que parar de fingir que eu não sou esperta; eu até já tinha visto tudo isso aqui antes. Eu já sabia que em um dia próximo eu estaria sentada escrevendo exatamente isso, sentindo essa mesma agulhada, com a cara pesada do mesmo jeito, e que não ia adiantar nada, nem aniversário, nem amigos, nem diálogos com o nada e comigo e com você, e nem ia conseguir fazer você ouvir aquela música e entender, e nem ia saber te explicar e nem ia saber te deixar, nem ia saber abrir os teus olhos pra dentro de mim. E ter certeza que você se encantaria com a mulher que eu sou. E pensar que eu só quis mostrar pra você, pensar que agora, exatamente agora eu quis te mostrar e você não está aqui.
Nem eu sei como é que eu consigo ser tão diferente de mim. Como é que eu ainda não peguei seu rosto que nem aquele dia que você tava dentro de mim e te olhei do mesmo jeito, lá no fundo dos teus olhinhos pequenos e não te disse como é que eu funciono. Por que esses dias eu vi que você não repara tudo. Esses dias eu vi você olhando pra uma menina. Eu posso ser uma menina, honey, mas só quando estou distraída. As vezes eu te olho e você olha pra uma ‘eu’ que eu não quero que você veja (e você está certo, é a única que eu mostro), essa menina boba que não merece atenção, que nem eu gosto. Olha ali pra aquele outro ladinho escondido, mas que existe. Ta escondido por que as pessoas não valem a pena, mas você vale, apesar de não poder ficar, apesar de me recomendar cautela, apesar de me colocar uma travinha de desliga sem querer. Eu não tenho problemas de falar de mim, honey, eu não tenho nada pra esconder de ninguém. Desnuda pra quem quiser olhar, mas eu tenho problemas com intimidades – eu tava falando disso ontem: com pessoas que eu não tenho nenhuma intimidade – e não se consegue isso não contando sobre você pra ninguém, nem ao falar segredos, nem cmpartilhando nada. Já disse, eu falo de mim pra qualquer um, até pra quem não tem ouvidos bons pra saber do que eu to falando. Mas eu peco por saber ver quem é que entenderia e não conseguir falar com elas. Não conseguir fazer minhas coisas bobas na frente delas. Não conseguir fazer nada na tua frente, como se fosse pecado ser eu mesma com medo de você me achar uma idiota. E acabo sendo ridícula, fico frágil, quebro. Na frente de todo mundo. Uma criança.
Eu não sei o que eu vou fazer agora. Eu to com medo de ter voltado pra minha reclusão quando você aparecer. O meu lado fraco é mais forte do que o meu lado forte. Eu não sei. Acho que um recado foi dado a mim. Posso estar toda errada. Pode ser que eu esteja de novo com crise existencial e você esteja como sempre, preocupado com outras coisas, as coisas que eu não sei que existem, mas respeito. E já passou da hora de parar de agir como se eu fosse uma menina perseguida. Esta vida é só minha. Escolhi não gastar meu tempo resmungando. Uma hora todo mundo tem que fazer essa escolha. Eu acabei de fazer. Nada me impede de te amar nesse mundo. Nem você, nem os anos que já se passaram e que eu não vivi, nem os que ainda vão chegar. Nem os olhos alheios repreensivos e nem a bebida ou a falta dela, nem minha consciência ou a sua. Nada. Então eu vou dar um jeito aqui, do meu modo. Quando esse domingo triste acabar.
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É a melhor coisa do mundo olhar pro lado da cama e te ver. Mesmo que um segundo, um minuto. Minutos que não terminam, que voltam comigo pra casa. Minutos que pedem mais horas e horas que pedem o mundo. Eu tentando puxar os ponteiros incansáveis pra trás. Obedecendo a sinas, jogando meus segundos o mais longe possível de mim mesma. Minha sina é não agir de acordo comigo. Fico sempre esperando alguém que me salve, e você me joga numa espécie de armadilha pra ursos. Mas aí eu olho pro teu olho de novo e você me salva. Sem fazer esforço nenhum, sem me entender, sem me tocar. E eu fico com a minha cara de boba tentando entender. Olhando bem pra você, tentando descobrir o que você está vendo, se está fazendo de propósito. Você continua concentrado, fazendo as suas coisas. Não repara. Não repara que acabou de me puxar de volta lá do meu inferno.
Aqui eu continuo querendo dançar com você, drinking in the blues, uma lua enorme e uma casa com lareira. Um dia eu vou te explicar sobre essas coisas que eu ainda não vivi. Mostrar pra você que você pode até pensar que sim, mas você não sacou ainda nem metade do que eu penso quando eu olho pra você. Olha p











