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Wednesday, 23 October 2013

Não, o blog não voltou.

Talvez volte no

http://escrevernaoajuda.blogspot.com

Mas. Mas nada, pode ser que não volte. Estou faxinando todos os meus blogs, e descobri, depois de SETE anos desde que comecei a escreve-los, que gosto de todos bem pouco. A gente fica velho e tudo perde o sentido. Os blogs estavam fora do ar por três anos. Resolvi revive-los não sei porque. Talvez só pra dar nome aos bois. Em três dias de manutenção, recebi alguns e-mails de pessoas queridas comemorando. Como descobriram sozinhas que tudo estava reativado, eu não sei. Eu não contei pra ninguém. Estou relendo tudo, e juro, devo ter amadurecido bastante. Eu era uma péssima blogueira. Nem sei se hoje, tenho respeito por blogs. Até a expressão "blogueira" me dá calafrios. Ainda estou ensaiando uma continuação no Escrever Não Ajuda, e isso é tudo que tenho a comunicar. Fico realmente agradecida por tantos views.

Tuesday, 22 October 2013

Espero

.

Que tudo que tenha ficado aí

seja mais do que

fotos de mãos

textos antigos

bilhetes de teatro.

Aqui ficou um buraco

que tenta tragar tudo

enquanto escrevo

sem escrever nada

ao som de me and Bob McGee

.

Tuesday, 30 June 2009

CLOSED!

Puxado o último fio.
É, acabou.
Nunca mais romance, nunca mais cinema, nunca mais drinque no dancing. Nunca mais cheese. Fico aqui feliz por que a ferida está estagnada.
Agora, vocês podem continuar me visitando na minha nova casa.

http://escrevernaoajuda.blogspot.com

Não escrevia mais por aqui por que não conseguia. Foram acontecendo as coisas, eu até mudei de casa, a luta pela internet própria, o monstro que morava embaixo da cama teve que se readaptar no guarda roupas devido às minhas novas gavetas embutidas: - a era da sacola plástica acabou.
Eu fiquei emocionalmente acabada. A gente leva um tempo pra se restabelecer.
Como não sou mulher de ficar acuada, finalizo com as novidades do blog novo, e da Lasanha em sua 13ª edição, o que é foda. Vão. Mas eu cheguei atrasada.

http://lasanhawiskow.blogspot.com/

O meias já era. Sim. Casa velha, assuntos repetidos, amores que viraram carvão. A casa não é minha, é dele. E ele foi-se embora assoviando na chuva.

Casa nova! Para rimar com a vida.
O Escrever Não Ajuda está sendo feito de pequenos em pequenos pedaços, mas já funciona como gaveta velha e autoterapia. O mundo gira.

Visitem e comentem no meu e-mail. Por que Waly já dizia: “o poeta precisa ser alimentado”.

Pra quem fica... Tchau... e benção.

Se fue, se foi!
Fodeu.
Fim.

Post Scriptum: Sigo incendiando bem contente e feliz.

Tuesday, 28 April 2009

Só pra saber


Sabe aquela cara que eu faço que te incomoda e aqueles flagras que você me dá, acompanhando você de longe nos balcões?

Queria saber dos seus planos para breve. Dormir sem roupa? E os seus embora do país, comprar uma casa, talvez voltar ali onde tem ar puro pra você conseguir dormir? Casar? Um dia?
Um dia perfeito pra você é acordar cedo e deixar tudo pronto em casa, tomar cerveja com bons amigos no bar, ver uma menina que te faça rir e levá-la pra dormir? Despacha-la no outro dia ou ficar com ela sem fazer nada o dia inteiro?
O que você gosta de fazer, olhar pela janela de manhã, rua sem nenhum barulho? Gosta de ouvir a voz de alguém no telefone, ir à pizzarias ou visitar amigos? O que você pensa quando fica lá ouvindo Cash? Tem tiques nervosos, manias que te fazem ficar irritado com si próprio, paciência com crianças? Gosta de cabelos muito curtos ou que ela tenha bons modos? Passivo? Mais de três vezes por semana? Sente medo de morrer?

Tudo isso é o que eu me pergunto dentro de dois segundos em que você pousa seus olhos no nada, e eu pouso meus olhos em você.

Aqui entre nós

Lembrei de uma coisa; - aquele dia que você disse que não gostava de dormir agarrado, mas chegou bem perto na cama e disse “mas hoje tá muito frio” e me abraçou e eu só me mexi de manhã.

Tuesday, 24 March 2009

Render é o que há.

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Quem é que precisa de sono, quando se tem uns amigos assim tão sensacionais que nem os meus? Por que hoje eu acordei cedo, cheguei na hora, fiquei prosa com minhas avaliações, saí cedo, tomei cerveja com meu filho, com a minha lindinha, aí saí pro Conjunto Nacional atrás dele, li poesia, recitei poesia e escutei poesia, beijei amigos, anotei umas coisas, saí à francesa, preparei tudo no mac, fui pra baixo do Masp e com as minhas coisas ilícitas e subi direto pro Banco Real, a pracinha maravilhosa do Banco Real quando vazia, e ri, ri, ri, ri, levei a Karina no ponto e peguei o mesmo ônibus do Rodrigo e só parou por ali por que eu não quis ir pra festa onde ele estava se direcionando. Preferi me direcionar à minha casa, onde estavam os meninos e entrei atacando a goiabada com queijo da geladeira e sentei aqui pra dizer só uma coisa:
Faltou você.
E é por isso que eu já pulei.
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Sexta-feira Treze


Só estou aqui por que eu tenho que falar alguma coisa. Pra ler depois e me convencer de que é isso aí.

Ainda não sei como que eu vou escutar música, nem sei bem se vou aprender a acordar, muito menos como vou conseguir dormir. Não sei como vou passar por certos lugares, por certos lados da calçada. Como vai ser quando fizer chuva, ou quando derem cinco horas da manhã. Por que você estava ali nas minhas horas de loucura, de sujeira, de cortina e de sal grosso.
Não quero mais ouvir aquela musica que você saiu assobiando depois que disse que ia embora. Por que eu juro que você fez isso. Você disse que ia embora e saiu assobiando. Eu deitei na cama e pensei em não pensar nada. Eu precisava dormir e se eu pensasse eu não ia dormir naquele dia, nem nunca mais. Aí eu dormi daquele jeito que você odeia, de roupa, de sapato, de brinco. Acordei e tudo estava bem, mas de repente, no terceiro segundo da manhã eu lembrei que não existia mais você. Aí fez um buraco e ele cresceu e eu passei mal o dia inteiro. Tentei achar um motivo durante horas. Mas acho que na verdade, você mentiu, pelo simples fato de ser um mentiroso. Ouviu? Você é um mentiroso. E quando as coisas acabam, a gente tem que saber reconhecer. O que você era, eu guardo comigo.

É antigo, mas era assim

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Na geladeira, as cervejas que não embebedam mais. Sem você pra dividir a cerveja. Sem você pra dividir a chuva e o cigarro. Você lá. Meu celular aqui com a mensagem dele que eu não escutei. Ele que liga, que tem o mesmo toque que o seu. E eu sabia que era você quando tocou e eu disse seu nome de imediato. Peguei o celular e mostrei seu nome pra ela só pra ela ver que eu tinha acertado. Era você. A noite se apaga. Vai ficando frio. Eu procuro abrigo na marquise de uma esquina.
Um silêncio por qualquer silêncio. Uma cara ao menos por um tapa. Teu desejo agora é meu silêncio.

Que nem naquele dia com você grudado com o ouvido nas minhas costas enquanto eu tocava e cantava no violão. Canta, canta, canta.
A gente começou a cantar Lobão a noite inteira. Depois eu te contei em cochicho "cara, eu odeio Lobão". E você abaixou a cabeça e riu, e começo a cantar baixinho pra ir aumentando aos poucos:
"Mais um noite que não vai terminar
Mais uma noite no meio no nada
Flashback da vida queimando na veia
Mais uma vez outra promessa quebrada
Mais um momento e a noite me tem pra sempre".
Agora tem uma parte minha com você que você não agüenta carregar de tão pesada. Deixei meu peso em você, minha paranóia em você. Que não segura nem a sua carga. Menino. Que tem esses gestos e essa mania lindinha de falar óquêi. Bem assim: óquêi.
"E mais uma vez, quem sabe, eu altere os meus planos
Baby.
E pode ser que eu fique mais um dia"
Você cantou pelo caminho.
"Mais uma noite de psicodelia
E mais uma vez quem sabe
Eu altere os meus planos
Baby".
Amanhã eu vou dizer voltou? Voltei. E vai doer. E eu vou ter que dar um risinho. E pensar, ai caraleo, e agora como é que eu vou fazeEeEeEeEr? CreccrecCrEcReCREC. E a sua carinha de pois é. E a minha cara de pois é. Então ta; próximo copo a gente se fala. Próximo copo a gente se acha. Por enquanto fica a dissonância. Você encontrado. Eu perdida em cinqüenta que ficaram por aí.
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Não dá seu coração na mão dele, viu?

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E eu dei e agora eu fico querendo ver ele fora de hora e falar com ele fora de hora e beijar ele fora de hora. Ê, caralho.
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Depois de um ano sem aparecer na casa, ca estoy yo, escutando as valsinhas de sempre, escrevendo as coisas de sempre, do avesso como sempre. E o pior que o motivo nem mudou. Me and my fool heart. This is me. Assim você olhou pra mim. E eu estava olhando pra você fazia tempo e você achando que era assim mesmo, esse negócio de eu ficar olhando pras pessoas. Anotei meu número num pedaço de papel, reparei onde você tinha bolsos, pensei, vou enfiar o papelzinho lá dentro, ele não vai nem ver, não vai ter nem tempo de ver. Aí ele faz o que quiser com isso, joga fora, mostra pra todo mundo e dá risada da minha cara, ou quem sabe ele vai ligar e eu vou poder falar pra ele que a voz dele fica bonita do lado de lá. Mas não deu tempo de nada disso. Nem deu tempo de cair naquele buraco, por que antes dele, tinha outro. Este outro, é aqui. Tem uma luz lá em cima, mas tem um colo aqui pra eu poder deitar. Eu acho que ta errado. Eu tenho que achar um colo lá em cima; ou esquecer de vez dessa história de colos. Mas eu quero ficar. Até o chão (ou o colo) virar areia movediça.

That's it


E eu quebrei a minha cara, cortei o cabelo, fumei uns cigarros, estive por uns lugares, conheci umas pessoas e amei um monte de gente e chorei numas casas. Fui numas festas, dancei nuns palcos, numas pistas. Fui feliz, fiz umas promessas que eu tenho que cumprir, falei pra ele que faz tanto tempo, tanto tempo que eu quero, eu quero você, eu disse, eu queria você até quando você ficava fazendo coisa escrota. Ele achou engraçadinho, não entendeu nada, ou entendeu e ficou sem graça, sei lá, só sei que ele ficou ali me olhando com aquele risinho e eu fiquei olhando ele olhar pra mim de volta, é a vida, a gente fala uma coisa dessas p’rum cara e ele fica ali te olhando e rindo da sua cara. Não há nada que eu seja capaz de fazer. Virei uma geminiana bobona e falastrona. Agora eu vou ter que conviver com isso pro resto da vida. Eu sinto até vergonha. Mas já dizia a Clarah Averbuck naquele texto dela que eu gostei "Tudo mudou. Menos o que ficou igual".

O que eu faço não é grande coisa
Eu pego aqui a caneta e escrevo umas frases – quando eu lembro dele ou sinto saudade
De alguma coisa.
Poema com cara de poema é a maior merda, natal com cara de natal é a maior merda.
Hoje é um dia simples como todos os outros, eu, a minha caneta, a minha dor na mão, e meu coração espetado. Senti vontade de falar com umas pessoas como eu sinto vontade de falar com elas todos os dias, e liguei pra dizer oi como eu faço quando eu to bêbada todas as vezes, e dormi sozinha como eu durmo todas as noites.
Deixei um recado pra você que você não vai entender.
Mas não importa. Eu falo de verdade quando eu bebo. Falei enrolado, mas falei de verdade. Eu só esqueci de dizer uma coisa que graças a deus eu esqueci de dizer.

Nesse tempo, estive bem socialmente envolvida. Abandonei caixa de emails, facebook, biritas baratas, dinheiro (pra pelo menos, nessa vida, me sobrar a glória de beber direito), saudades (que se dissiparam por que outras coisas tomaram lugar, como você, você e você), e manias – quero mudar de assunto.
Por que as coisas para serem especiais não precisam prestar e não precisam ser bonitas e não precisa que ninguém, além de mim, entenda. Eu vou pra Califórnia viver a vida, pensar em você com carinho e te mandar um postal.
Estive também trabalhando muito, dormindo pouco e tido dores de cabeça e ligado pra umas pessoas que dá saudade ouvir a voz.
Botei fé, sim, em você.
Você não precisa ser nada além do que você é. Você pode ficar só com o pedacinho do braço encostado no meu braço que eu gosto.
Mas volta. As coisas estão assim:
eu continuo mandando recados
pros outros
e fingindo
descaradamente
que não.
Eu estou passando mal
Acordei no calor
Com a ressaca PEGANDO
Lembrando
Tudo
Tudo
Sentada com um jarro d’água
No chão da cozinha.
Lembrando como eu PESEI
Minha cabeça PESOU
Meus ombros PESARAM
Eu indo lá atrás dele
Eu devia ter ido embora naquela hora que eu queria
Ir embora
Melhor do que sentada ali
Bebendo a bebida toda
E perseguindo as pessoas
Tudo errado
Errado
Errado.
Um dia eu tenho que aprender.
.
Sempre atrasada
E com o cu na mão.
Medrosa.
Mole.
Meia-boca.
É assim que eu sou e você não sabia.
.
.
Teve um dia que eu estava lá quietinha no meio daqueles livros todos. Naquele dia que o dia era só tédio, vazio em qualquer canto. E aí eu peguei um livrinho e fiz o que eu sempre faço, sorteio uma página e leio um trecho. Não botava fé naquele livrinho do Walt Whitman. Aí caiu aí ó, e eu quis mostrar pra você, e na impossibilidade, mostrei pra todo mundo que tava perto. Na van, no metrô, no ônibus, em casa e no bar. Olha só o que eu achei hoje e copiei no caderninho. Aí liam e, sabendo da minha situação, do meu gênio e das minhas intenções, eles entenderam.
Dizia assim ó:


Se me quiser de novo,
Me procure sob as solas de suas botas.
Vai ser difícil pra você saber quem sou ou o que estou querendo dizer.
Mesmo assim vou dar saúde
Vou filtrar e dar vida ao seu sangue.
Não me cruzando na primeira,
Não desista.
Não me vendo num lugar,
Procure em outro,
Em algum lugar eu paro e espero você.



Fueda.

Saturday, 14 March 2009

Isto

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Que eu conto pra você todo dia antes de dormir
Sobre as dores nas costas e sobre esses homens que
não me amam
e digo sobre a árvore de natal do Ibirapuera, sobre
a fonte do Ibirapuera e a sombra das árvores
quando eu te toco no braço
e te machuco com a ponta da unha e te rasgo
e você olha pra mim com aquela cara que vai dar merda
e ri, eu te
olho de longe
e eu falo do barulho lá fora
eu não sei
se são as baratas
se são os mendigos ou são os gatos ou se é
a minha cabeça
se eu fico louca, se é culpa do trabalho, dos dias, da
falta
se é culpa sua ou culpa
dele
se é saudade e tormenta e
tempestade
e eu durmo naquela cama que você conhece menos que
eu
te culpo e te mordo e te derroto e te extermino
de tudo
que habita esta casa
Nesse dia cheio de falta
cheio de falta
cheio de falta
.

Tuesday, 15 July 2008

O que vai acontecer é que eu vou ficar MALUCA

E tudo isso antes de conseguir postar meus textinhos aqui pra todo mundo entender por que.

Sunday, 6 July 2008

Pra quem achou que tinha esfriado, olha o que saiu do forno:

Lançamento da oitava edição, segunda-feira, dia 07 de julho


Alessandro "Robocop" Bartel - Angela Oiticica - Bárbara Lia - Beatriz Bajo - Caco Pontes - Cassiano Monteiro - Cassio Amaral - Célia Musilli - Cesar Ribeiro - Daniel "Danny Boy" Cavana - Daniel Faria - Diniz - Humberto "Bebeto Cicas" Fonseca - Jarbas Capusso Filho - Karina Abramovich - Larissa Tanganelli - MaicknucleaR - Marcelo Ariel - Márcio Américo - Mariana Hagnè - Me Morte - Natanael de Alencar - Nicole Louise - Paula Klaus - Paulo de Tharso - Paulo F - Pedro Pellegrino - Ricardo Carlaccio - Robson Araújo - Rogério Saraiva.

O nada mora em São Paulo

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São Paulo continua fria e vazia. Mesmo com a Paulista ali do lado. Mesmo com as garrafas da geladeira e o maço que milagrosamente, ainda está na metade. Mesmo com as minhas amigas lindas e com vocação pra vida. Eu não tenho muita. Eu fico aqui meio encolhida tendo umas ideias. Tanta coisa pra resolver e eu aqui com essas ideias e essa chuva, morrendo de frio, com a minha insônia. São cinco da manhã e eu ainda nem arrumei a cama. A louça está na pia com os restos da minha última receita. A rádio fica tocando essas músicas que lembram aquele sorriso insano, de quem acabou de ganhar a guerra e não pode deixar o mundo saber. Aí fico bêbada dando vexame. Enquanto a mão passava pelo meu cabelo e eu sentia ele macio encostando no meu rosto. É foda. Estou ficando doente de novo. Preciso dos meus remédios black target e ocupar meu tempo e ganhar dinheiro e esquecer os olhos nas minhas pernas.
São Paulo tá pequena pra mim. Em São Paulo só existe a minha casa e as minhas cobertas. Lá fora tem um monte de gente louca achando que tudo é foda demais. É nada. Cidadezinha de merda. Pro inferno com a Paulista, com o Bexiga, com o Teatro Municipal, com a Pinacoteca, com o Túnel do Tempo com aquela vitrolinha velha e aquela caipirinha cara, a Roosevelt e as estações de metrô. É tudo entediante. São entediantes as putas da Augusta e os literatos da Vila Madalena. Ah, deus, é tudo um verdadeiro saco. Eu não quero ficar velha aqui.
Eu quero ficar velha com um minha caneca de café e ele me abraçando enquanto o mundo acontece lá fora.
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Tuesday, 24 June 2008

Escrevi um texto enorme falando do meu aniversario mas decidi que não vou falar do meu aniversario coisa nenhuma. Não agora, por que não deu vontade. Mas foi lindo, obrigada. E a Mi faz dois dias antes de mim, o que significa que estamos comemorando e bebendo desde segunda feira retrasada, e que neste exato minuto, eu estou morta e passando mal. Então não vou falar nada. Essas semanas foram minhas e dos meus amigos que eu amo. De mais ninguém. Agora que estou mais velha, vamos ver se fico mais discreta. Seria bom, o tempo passou e eu nem vi. Fiquei aqui e ali falando demais. Agora eu falo de menos. E tudo ao contrário.

Você disse que gosta da minha cama. Eu gosto de você na minha cama. Assim como acho que você fica bem bonito andando sem roupa pela minha casa me ajudando com meus acidentes domésticos. Eu pedi pra você não ir mais embora. Você disse que se ficasse ia me encher de filhos. E você ficou e me encheu de você.

Thursday, 22 May 2008

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Segredo.

Foi isso que eu li aquele dia. No fundo cinza e todo encolhido. Em letras itálicas e sublinhadas.
É muito fácil enganar-se quando essa idéia torna-se fixa na cabeça e atrapalha tudo. Seus cabelos rolando ásperos nesses dedos calejados. Loucura. Não pode ser desse jeito. Sete dias corridos como uma lesma e você de olhos abertos. Olhos crispados e cabelos ásperos. As migalhas pra você cuidar. Tão perdida no meio desse cinza temeroso. Toda beleza do mundo na boca dele, rindo com as mãos enfiadas no rosto.
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Thursday, 27 March 2008

Aí você chegou, me trouxe chocolates, me pegou com os cabelos molhados, eu tava faxinando a casa, passando cera, corri pro chuveiro, chuá, e eu não falei pra você ficar, eu sabia que não adiantava, você sabia que não adiantava, aí eu fiquei só abraçada nas suas costas, olhando você olhar pra mim e olhando o relógio, querendo puxar os ponteiros de volta, e isso eu também não te falei, não te falei que eu estava precisando muito de você e que bom que você veio, senão eu ia ficar com um buraco, senão o dia ia ser inconseqüente, muito Luz del Fuego, muito o filme chato da Melissa P., uma bagunça que não ia dar certo.
O dia amanheceu ruim, deixei os amigos em casa, sai cedinho cedinho pro trabalho, detesto ônibus, detesto metrô, detesto ônibus de manhã, de tarde e de noite. Ônibus não funciona. Tudo na minha vida agora tem que funcionar, mas tem coisas que ainda simplesmente, sem explicação, ainda não funcionam, e o ônibus de todo dia de manhã é uma delas, fico cansada, não é justo acordar todo dia e morrer esmagada de pé em quatro rodas que pulam e não andam, e hoje eu estou de mau humor. Me veio agora na cabeça aquele papo de parágrafos, e daí escrever sem parágrafos?, ta tudo escrito, o negócio é que o texto era ruim, o texto não tinha fim, era repetitivo, era chato, mas não tinha nada a ver com os parágrafos. Vou escrever cinco páginas sem parágrafos se me der na telha. Claro que ele, quando escreveu o texto, não estava nem aí pros parágrafos, e talvez tenha visto que o texto estava mesmo muito ruim e talvez por isso tenha parado na metade. Oras. As pessoas têm o direito de começar e parar de escrever quando sentirem vontade. Volta. Então eu voltei pra casa, toda amassada de novo, não tanto, o mundo inteiro vai pra Paulista de manhã, ninguém sai dela, só eu, hoje, eu voltei por que me mandaram, e o que é que se vai fazer numa hora dessas, aí eu voltei torcendo pro menininho que estava dormindo que nem anjo ainda estivesse ali no colchão da sala, a gente ia ver aquele filme horrível sobre a Melissa P. e ficar falando mal dele depois, aí a gente ia ficar falando bobagem como nos velhos tempos, mas ele não estava, foi cedinho, e ainda deixou minha porta aberta. Assisti o filme sozinha, as meninas dormiam no quarto, assisti baixinho, duas horas no latão do lixo. Eu li o livro. Tinha achado uma merda. Aí eu vi o filme. Pensei, ah, mas deve ser uma bosta, e era, eu sabia, mas agora já estava alugado mesmo, quando eu vi, tum, ele estava dentro da minha sacolinha da locadora. Devia ter assistido “O Cheiro do Ralo” pela terceira vez, esse livro sim é bom, o filme também, assistimos duas vezes ontem, eu, as meninas e o guri com sono de anjo, deu vontade de dar um beijo na testa dele antes de sair, mas vai que ele acorda, vai que ele leva a mal, vai saber. Devia ter dado, não sei quando vou encontrar ele de novo por aí sem querer que nem tem sido nos últimos anos. Tem coisas que não ajudam, eu queria ficar em silêncio, mas tem um cara aí na minha janela gritando sem parar “Henrique! Henrique!”. Colocaria minha cabeça pra fora e gritaria pra ele calar a boca se na minha janela não existissem grades, sim, minha prisão particular, serve pra ninguém que não é daqui continuar não sendo daqui, eu fico aqui quietinha e ninguém me incomoda. Quinze minutos. Isso não é tempo relevante pra ninguém mandar ninguém embora, eu pego ônibus, viu?, ô-ni-bus, ônibus em São Paulo não anda, não às oito da manhã, tem um monte de gente que não quer te deixar passar e passar em cima da sua cabeça, e eu me esforcei e cheguei com quinze minutinhos de atraso. Casa. Ta brincando? Não. Volta. AH, mas que diabo, vou voltar pra dentro de um ônibus. Pelo menos vou poder fazer minhas unhas, ver meus saldos, fazer meus planejamentos, dar uma cantadinha, ler uns livros, escrever pra ele, devolver os filmes pra locadora. Não pensar nessa gente toda que não anda de ônibus às oito da manhã, vou escovar meus cabelos, jogar um perfuminho, uma roupinha e colocar minha cara lá fora, onde o vento bate e o dia morre antes de mim, por hoje. Hoje eu queria escutar a voz dele, como você está?, me mandaram de volta, querido, o que eu posso fazer?, eu estou bem, né, e você?, eu estou com saudade.

Tuesday, 18 March 2008

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A noite em São Paulo. Tudo se renovando e tudo como sempre. Observei da sacada com o amigo que estou gostando muito. Café com conhaque. Só faço isso lá. Uma página de um livro e um deja vu. Quase nunca acontece. Esqueci de comentar com ele. Um deja vu daqueles que a gente quer até escrever um roteiro de filme só pra incluir a cena. Falando de coisas banais com certa devoção. Nenhum embaraço. Alice fica à vontade. Não me recordo direito, mas eu me parecia com filmes iranianos? Não me lembro. Queria lembrar. Ultimamente as pessoas que gosto tem-me feito comparações. Miss Sunshine. Em pleno outono e inverno. Grata, mas espera, então, se isso (de repente) está virado pra fora, pra dentro sobrou o que? Quem eu sou vista de fora? Uma estranha. Agora vejo o ponteiro do mouse mexer sozinho até quando estou em casa. Agora me lembro das pernas despidas, numa festa com moças que cobrem pernas com finas meias. Brancas. E eu sempre à mostra. Sem meias. Ou com metade das meias. Até pouco abaixo dos joelhos. Um blog com cara de linha puxada. Tenho cigarros, mas não tenho isqueiro, o que é pior que não ter cigarros. Não aborreci-me com o comentário daquele estranho. Ele coçando sua barba olhando pra mim. Fale. Fale. Não falei. Corei e não falei. Só cuidei pra não largar nada enquanto tudo não ficasse arrumado. Sou uma menina caprichosa. Disso, o estranho sabe. Ele fica olhando, vê minha memória e minha pouca habilidade com os cacos de vidro. Vou sonhar com isso. Vai mesmo. Mas eu não respondo. Agora nem coro. Agora eu não ligo. Meu respeito pela humanidade voltando. Ele enrolando uma mecha do próprio cabelo enquanto fala. Fila de livros. (Não esse tenso torcer de mãos... esse teto escuro e sem estrela).
Inclusive, conheci o Carlaccio ontem do nada, enquanto tomava uma cerveja num quase-boteco. Li seu Um Drink no Bunker no fundo da H. Conheci a Lu (Lu por pura intimidade, adquirida já nos tempos de trocas de e-mails cheios de substâncias existenciais, furadas e sérias). Ela tinha escrito um conto sobre uma garota que amou tanto que perdeu a própria dignidade. Ela sim, a Lu, é um verdadeiro raio.
Pela primeira vez, acordei de manhã e me vi: Esse negócio de ser a gente mesmo incomoda. Mentira. Eu nunca mais vou sentir um cheiro de manhã e não lembrar de quando eu me sentei ali. Faz frio na noite de São Paulo.
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Escuta, Layla, eu avisei. Ouve. Olha no espelho. Eu avisei. Eu bem que te disse. Você foi querer ir pra lá. Foi querer ficar olhando. Você disse que ele não tinha cheiro nenhum, Layla. Uma pessoas não pode ter cheiro nenhum. Tem que ter cheiro de alguma coisa, de morte, de incenso, de suor, de doce. Tem que ter alguma coisa. Mas ele não tinha nada. Ele tinha uns botões da camisa abertos e você foi querer justo ele. Aquele que te chamou de morta, que viu que você vai morrer em breve. Ele viu que você não vale a pena de cara. Não adianta ficar desse jeito. Ta ridícula com esse batom. Nunca te vi assim. Uma carcaça. Puta. Puta três vezes. Você disse que ele não olhou no seu olho, Layla. Como você acredita em alguém que nem te olha no olho? Como você acredita em alguém que nem te beijou quando você estava no chão e ainda disse “fica com Deus, gatinha”?. Deus é o caralho, Lay. Ouviu? Deus é o ca-ra-le-o . Eu sempre te disse. Não borra meu lenço de batom, enxuga só as bochechas. Queria que ele te visse assim. Vê se tu bota na cabeça. Você é sozinha. Você nasceu assim. Vai, ré confessa. Devolve o que não é teu e te arranca. Sinceramente, Lay, estou começando a ficar com raiva de você.
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Fazia um tempo, o sol não saía mais, ele estava ali, claro, queimando minha cara e queimando minhas costas cansadas, mas eu não sentia. Eu fiquei ali com as placas, um monte de feministas gritando “eu sou mulher, sou feminista!” e tocando Elis, Rita, Duncan, Caetano, essa gente que fez letras assim pra tocar em passeata, e eu ali com as placas, meio querendo ir embora, meio querendo dar um grito, meio querendo mandar passearem os moleques que não gostavam de sol e pinga quente.. Comprei toalhas novas pra mesa, fiquei com a veia inchada, está verde, me assusto quando olho e por isso não olho, esperei pra dizer pra ele que não tem jeito, é ele mesmo, logo ele, não tem jeito. Ele chegou tarde, chegou hoje, com seus lábios, dedos e línguas, com sua pilha de manias e esparramou tudo ali no meu sofá e usou os meus óculos pra ler coisas que eu não queria que ele lesse, eu pensei, ai é ele, é ele, é ele, droga, mas que droga, não era pra acontecer. Aconteceu. Agora ficou tudo pra limpar, perfume, porra, cinza, lixo, os lixos da gente que a gente não quer, que não dá pra conviver, ficou tudo ali e está tudo sumindo. É o que sobra, um monte de lixo. Virou um monte de lixo.
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Eu pensei que nunca ia falar com ele, nunca ia falar a língua dele, mas agora eu falei, ele do jeito dele e eu do meu, mas a gente conversou, ele olha seriamente, fala seriamente, escreve seriamente e eu olhava e falava mas que saco, assim não tem graça, e fazia minhas coisas e guardava minhas coisas e ia ser assim pra sempre, só que agora não é. Agora estou ficando velha, tenho vinte anos, meu deus, não era pra eu estar velha, não era pra gostar de coisas velhas, não era pra eu ser uma colecionadora, não era nem pra eu olhar pro relógio, mas acabei de olhar pro relógio, foi agorinha, e vi que eu envelheci mais uns cinqüenta anos.

Wednesday, 27 February 2008

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Que noite triste. Quanto resto de coisas no chão. Olha pra baixo. Só tem restos. Só tem restos e eu acho que faço parte. Justo eu que tenho tanta coisa pra fazer. Fazer meu maço de cigarros durar pelo menos três dias. Deixar de ser tão afobada. Chegar na hora certa. Parar de marcar encontros. Amar um homem por vez. Eu não consigo. Preciso parar de mentir. Dizer coisas sem sentido. Dizer coisas erradas. Pensar mais, falar menos. Fazer mais, esperar menos. Descansar mais, amar menos. Tudo na medida errada. Desfazer aquele monte de roupas do quarto. Não tenho mais espaço pra andar. Nem pra abrir meu guarda roupas. Parar de escrever e-mails. Parar de esperar respostas de e-mails. Rever os amigos. Me explicar pra eles e pedir desculpas. Abraçar meu pai. Parar de dever no banco. Ligar pra ele, eu disse que ia ligar. Ele me fez prometer. Eu prometi. Parar de sentir vergonha. Parar de olhar as costas alheias. Parar de roubar os homens das outras. Ficar com um só pra mim. Limpar as cinzas do meu teclado. Parar de rir escandalosamente. Parar de chorar com musiquinhas. Escrever mais, nada pros outros. Escrever minhas coisas. Sustentar meus sites. Responder meus recados. Dormir na hora certa. Parar de andar morrendo pelos cantos. Eu preciso. Tenho que aprender mais, ser mais esforçada. Não ser só alguém que está ali. Debater. Erguer a cabeça e mandar tomar no cu quem tem que tomar no cu. Deixar as unhas crescerem. Pintar elas de vermelho. Parar de machucar os outros. Parar de filosofar em voz alta. Parar de rir de piada sem graça. Aprender a tocar violão direito. Aceitar que eu não sei escrever poesia. Parar de escrever poesia. Sumir com as poesias do blog. Mudar o nome do blog. Mudar meu nome, usar o de verdade. Ler mais livros. Manjar de literatura clássica. Aprender a pronunciar Litz. Parar de deixar pra lá. Resolver as coisas eu mesma. Aprender a matar baratas sem suar, tremer e sair correndo. Renovar meu guarda roupas, comprar as lentes certas pros meus óculos. Parar de pensar nele. Entender que as pessoas têm coisas pra fazer. Parar de dançar só em casa. Engordar três quilos. Comprar botas novas.
Só que eu não sei por onde começar. E nem como.
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Um diamante no poço


Para Flávio de Franco
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Só que desta vez, só desta vez, a gente pode não se dar um abraço de conforto no fim da noite. Eu sempre amei todos aqueles homens da minha vida, que fizeram dela essa confusão. “Você devia andar mais com as meninas” sempre me disseram. Claro que eu nunca dou ouvidos a essas coisas meio sem motivo. E claro que eu ia me apaixonar perdidamente pelo menininho que pagou um copo de bombeirinho pra mim quando eu tava triste ali na arquibancada daquele lugar enorme, só por que eu tava triste por causa de outro homem, outro que não valia a pena, que dormia ali ao lado. Claro que a gente ia beber juntos e claro que a gente não ia se perder. Por algum motivo, essas coisas que tem que ser, essas pessoas que a gente tem que encontrar, você entrou pro clube, fez dos meus amigos seus amigos sem ter que me envolver na confusão. Aí você me contava das suas garotas, eu te contava dos meus garotos, a gente tentava cuidar um do outro e lógico que você sabia que eu precisava de cuidados, ao passo que você sempre foi melhor que eu. Claro que eu ia morrer de ciúmes da sua primeira namorada, e claro que você queria que eu tomasse meu caminho pra parar de chorar todas as noites por causa dele, aquele que eu também amo ainda, mas de outro jeito. Aí você me ensinou a jogar truco e eu ganhei de você várias vezes. Aí você me ensinou a jogar bilhar e eu também ganhei de você. Um menino e uma menina, sim. Claro que você ia tirar aquela musica da Chan Marshall que você odeia só pra me ensinar a tocar, por que eu adorava e cantava ela o tempo inteiro. Aí você desenhou pra eu não esquecer, eu tenho a folha. Eu sou cheia dessas coisas que não servem pra nada. Você sabia que eu não era amiga pra sentar no colo, nem pra ficar beijando, nem pra ficar flertando, nem pra ficar passando a mão no cabelo. Você sabe que eu não gosto que peguem em mim. Eu sabia que podia confiar em você. Sabia o que você faria pra não me magoar e sabia o que você faria pra eu não me foder mesmo que fosse me magoar e eu fosse entrar naquelas minhas histórias de fim de mundo. Você agüentou meus homens errados e eu agüentei todas e todas as suas mulheres erradas, “são erradas”, eu dizia, mas mesmo assim entregava seus bilhetes e recados pra elas, depois você vinha e dizia “são erradas”. Apostávamos garrafas de vinho. Brincávamos de lutinha e de pegar o dedão da mão do outro com o próprio dedão, sem usar os outros dedos, não sei se essa brincadeira tem um nome, mas se tiver, de que adianta? Eu sempre perco. Jogávamos rolhas e gelo dentro das blusas um do outro, bagunçávamos o cabelo um do outro (lembra quando eu tinha um cabelão? – aliás, lembra quando você também tinha um cabelão?), e conversávamos tomando long necks nas calçadas de São Paulo, longamente e sem descanso, sobre os nossos problemas, os problemas dos outros e sobre o mundo e sobre mulheres, homens, e música e crenças e teorias e planos. A gente dançava e assistia as bebedeiras do outro com todo carinho. Se eu caísse, você me segurava, se você caísse (quase nunca caiu) eu te segurava, e quando queríamos cair os dois, então caíamos os dois e levantávamos os dois e ríamos juntos.
Ai, menino. Eu não entendo você. Eu não entendo homens. Eu convivo com eles e eles me enlouquecem. Mas você é meu melhor amigo. As vezes, eu acho até que você sou eu.
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Deve ser por que os vizinhos não gostam de mim. Deve ser por isso que estão todos no meu corredor agora. Tenho um quintal que na verdade, é um corredor. A Michele chama de quintal. Eu chamo de corredor. Pode até parecer um quintal. Mas é um corredor. Estão todos ouvindo Roberto Carlos no último volume em plena meia noite e cantando junto, por fora do meu corredor. Estão nessa putaria desde as oito horas da noite. Que eu saiba. Mas deve ter começado há bem mais tempo. Eu não tenho saco. Tudo está me irritando profundamente esta noite. Mas o Roberto Carlos, ahhh, o Roberto Carlos. Ele e seu como é grande o meu amor por você e todos os seus fãs chatos. Eu estava até bem antes de chegar em casa. Casa é feita pra gente descansar, ouviram? DESCANSAR. Parem de gritar música ruim nos meus ouvidos cansados.
Tem um dedo de Martini na geladeira. Odeio Martini, não tomo desde que me conheço por gente, sinto o cheiro e logo penso que quero ir vomitar na privada mais próxima. Ah, agora estão cantando os caracóis. Embaixo dos cabelos. Sempre tive uma má impressão sobre essa música. Desafinados. E tentando parecer cantores, cantando com maniazinhas. Vamos, me irritem mais. Me irritem mais. Tem miojo fazendo, que eu queria comer em silêncio. O miojo sagrado de todo dia. Comida de gente que, que nem eu, não tem tempo. Sou obrigada a ouvir musica em casa pra ficar mais alto que o som da festinha de corredor. Eu voltei e agora pra ficar. É isso que eles cantam lá fora agora. É foda. Vou ter que escutar música até às seis da manhã. Amanhã é minha folga. Eu queria dormir. Eu só tenho um dia por semana pra dormir. Eu preciso. Faz bem pra minha saúde. Não gosto que me incomodem. Minhas festinhas são dentro de casa. Ouviram? Dentro. Não na frente do corredor dos outros. Essa noite eu queria ter paz. E queria que ele me acordasse de manhã. E queria ouvir ele e ver ele e ficar agarrada nele. Vamos ver.
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Monday, 28 January 2008

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Eu sempre coloco a minha carroça na frente dos bois, aí os bois empurram a carroça com a cabeça, e quem está na frente da carroça? Eu, claro, que acabo toda esmagada, pela carroça e pelos bois, no meio da rua passando o maior aperto pensando “mas caralho, eu sabia, eu sabia”.
No fundo todo mundo tem esperança de ser feliz, né? Que o trabalho dê certo, de não morrer um João ninguém, de não ficar pra tia, de não morrer de infarto, de ter sempre em quem confiar, de não ser engolido por algum buraco negro no caminho, esperança de chegar , etc.
Tem coisas que são feitas pra durar. Outras não. Eu olhei no olho dele ontem e vi vai durar muito. Ele riu de mim por que viu que eu fiquei completamente desolada. Eu ri de volta, por que foi engraçado mesmo. Fico pensado por que só comigo meu deus, mas todo mundo deve pensar isso umas cem vezes por dia, pelo menos eu acho e no fundo torço pra que sim. Pra mim é importante até sentar na mesa do bar e ficar escutando as conversas malucas dos amigos sobre todo tipo de coisa, todas absolutamente verdadeiras e memoráveis, eu tenho mania de achar tudo muito sério. Pois bem, então eu vou ver o que eu posso fazer, cada um que dê seus pulos, me ensinaram. Eu aprendo lições muito bem.

Wednesday, 23 January 2008

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Karinamovich é uma menina que anda sem sorte, sem tempo, vara madrugadas (dorme às 6:00 am) e acorda de tarde para o péssimo trabalho que possui, trabalho qual a desgasta, a humilha e não mais a diverte, nem de vez em quando.
Tenta escrever com o senso de humor que há dentro dela mas não consegue e pára no meio.
Sente que precisa parar de agir como se não fosse uma pessoa envergonhada de ser como é e fazer o que faz.
Sente-se culpada por não conseguir manter relações e convencer pessoas. Também por não escrever seus textos dentro do prazo.
Começa de novo da estaca zero, toma cuidado ao manusear freios e não usa mais relógio de pulso, além de medir suas palavras e seu tom de voz mesmo encontrando dificuldades.
Ainda sente arrepios com toques e proximidades e certas intimidades e fica paralisada diante das expectativas.
Tenta perder a mania de franzir os olhos e tenta endireitar os ombros e carregar menos peso, além de tomar uma postura mais ativa que passiva diante da vida e sofre por não ter decorado a frente de sua casa com luzinhas de Natal, onde nem comeu um pedaço de panetone à meia noite.
Toma antibióticos fortes pois quase morreu após tomar uma chuvinha de madrugada e beber mais do que devia por durante quase duas semanas, perde canetas todos os dias e só se sente feliz as vezes, além de ter virado uma pessoa altamente tolerante em vista do que ela era antigamente.
Vibra com valsinhas e blues, odeia propagandas de energéticos e come coisas industrializadas mesmo que tenha medo de intoxicação, infarto e diabetes.
Tem esperanças de se encontrar e parar de apenas encontrar as pessoas sozinha.
No fundo é boa garota, tem alma boa e não quer atrapalhar ninguém, acredita em respeito, assim como em solidão bem controlada e de dentro, e fica furiosa com quem não sabe quando parar, embora ela não tenha a receita.
E pode ser que amanhã ela não seja mais nada disso.
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(Assistindo um especial do Ivan Lins na tv)
Michele, levantando do sofá, puta, e indo em direção ao quarto:

“EU ODEIO MÚSICA BOA!”.

Bonito ele explicando por que as pessoas vão embora enquanto eu choro e quebro as coisas. Ele disse que eu tenho que me controlar mais e correr mais e fumar menos e afinar meu violão, e que ele não reconheceu aquela música que eu toquei da última vez.
Ele disse que eu era mais bonita antes do trabalho acabar comigo e ele não entende que a gente faz certas coisas só pra fugir e ele não entende que existam pessoas moles. Eu expliquei pra ele que eu sou mole, que eu danço sozinha no meio da sala e que os vizinhos não gostam de mim. Mas ele fez silêncio eu não sei por que, de repente ele não entendeu nada, de repente ele sentiu vergonha.
Eu fiz uma pasta com poemas de fim de noite, ele recitou alguma coisa comigo e guardou em baixo da cama; as vezes eu cito versos e ele não lembra, e por isso nem sente culpa.
Eu escrevo frases soltas nos guardanapos e enfio tudo nos bolsos dele, mas ele não mexe nos bolsos e lava tudo junto com as calças na máquina e reclama por que todos os bolsos dele ficam manchados de tinta de caneta. Eu bebo enquanto ele observa. Eu torço enquanto ele reza. Eu usei saias por que ele disse que gosta de olhar minhas pernas. Ele ficou com ciúmes, quebrou um copo, bateu num cara e foi embora sozinho.
Eu disse pra ele que chorava diante de coisas muito bonitas, eu dizia que coisas completas eram coisas bonitas, e ele nunca entendeu por que eu cobria o rosto quando fazíamos amor no meio da sala. Ele beijava minhas mãos e torcia pra que eu disse alguma palavra.
Um dia ele me deixou dizendo que eu tinha muita tendência a não acreditar nas coisas.
Mas eu acreditava nele ali deitado no sofá com um cigarro comido entre os dedos, entorpecido de vinho e sono falando que não podia esquecer de comprar novas gravatas, pegando no sono até às sete da manhã.

Thursday, 3 January 2008


12:42.
Primeira madrugada do ano. Nada diferente. Cada pessoa amada num canto. A gente acaba passando a virada com quem a gente menos espera. Pelo menos dessa vez, é uma amiga que eu amo muito. Ela ta lá fora meio bêbada chorando ao telefone. Ela também tem um amor, e o amor dela também tá longe, mas pelo menos o amor dela está logo ali ao telefone (mas ela ainda não entendeu isso). Talvez esteja dizendo que ela não precisa chorar mesmo sabendo que ela vai continuar chorando mesmo assim e que ela não devia beber tanto. O meu eu não sei onde está. Está longe. É o que eu sei. Não quero nem saber mais que isso.
É o primeiro dia do ano e as coisas tem que ser boas.
No mundo inteiro é. Pelo menos na maior parte dele.
Agora tem que fazer a primeira corrida do ano atrás de cigarro. Dois maços vazios em cima do colchão. Um meu, outro dela. Meu macarrão acabou sendo a “ceia”, mas está tudo melhor do que podia estar. Pensei que eu ia ver a virada do ano de cama. Não tem ceia e não tem festa por que eu acabei melhorando da minha doença antes do esperado. Aí eu estava fodida por que não tinha comida, não tinha planos e não tinha tempo. Mas sempre sobra alguém tão fodido quanto a gente. Ano passado foi a Mi, a gente se achou no Natal. No Ano Novo eu tava lá na praia perdida com o Rafa, mó chuva, alguma coisa que só os finais de ano tem (sempre a partir dos fogos) e que está pairando aqui agora.
Hoje voltei a fumar. É, eu tava tentando parar, e quase me levei a sério por um dia ou dois. Mas hoje, primeiro dia do ano, eu voltei. Fiquei triste. Primeira meta não alcançada. Mas voltei por que não dava pra passar por aquilo sem um cigarro.
E o primeiro cd tocado do ano foi o do L7, por que o de antes tava riscado, e eu não queria ouvir os fogos. Fui na varanda, gritei pra pararem. Não pararam, claro. Precisava de um barulho mais forte. E que alguém achasse que aqui tinham umas 15 pessoas felizes. Mas tinha eu e a H. Só a gente com as nossas dores meio parecidas. Só que ela tem um telefone. Eu tenho uma veiazinha pulsando no peito que ainda se emociona quando eu penso nele. Mas eu não posso beber por causa dos meus remédios, então eu estou sóbria no primeiro dia do ano e isso pode até querer dizer qualquer coisa. Talvez não.
Mas eu voltei pra casa, fiquei dias intermináveis fora, quase morrendo de dor, literalmente, eu tava doente. Acho que aprendi a gostar da minha casa. É o melhor lugar pra eu estar agora. Eu e a minha veiazinha. A gente fica aqui esperando e vendo entre a gente o que é que a gente vai fazer afinal de contas. Ta na hora. Devia estar.
Agora os fogos cessaram. A H. ainda ta triste, chorando e no telefone. Eu to triste, sóbria e escrevendo.
Eu sei que as pessoas que eu amo estão felizes. E eu sei que um monte de gente lembrou de mim meia-noite, assim como eu me lembrei delas. Eu só não sei dele, se ele cumpriu, se ele lembrou mesmo de mim. Eu queria que sim. Eu cumpri. Mesmo sem reparar, mas pois é, eu cumpri. Eu cumpro promessas.
Eu só lamento por uma pessoa, que agora deve estar tendo a pior entrada do ano do mundo e a culpa é minha. Eu não queria, mas eu não pude fazer nada. Ele tem olhos sinceros e que nos fazem entender o que ele diz, e eu entendi. E eu entendi tanto que eu acabei fodendo com ele sem querer. Queria não ter entendido. Queria que ele ficasse bem e que parasse de ficar sem dormir.
Amanhã vai estar todo mundo aqui. Todo mundo que eu amo. Quase. Falta a minha mãe, falta ele e falta a Re. Mas tem um monte de cerveja que eu não posso tomar por conta dos remédios, tem um monte de carne, tem churrasqueira e tem uma porrada de comida que essa casa não teve nunca em toda sua curta história. Então chegarão pessoas amadas e ficarei admirando elas e curtindo elas. Pulando em todo mundo, afastando os copos da mesa dos cotovelos alheios. Vai ficar tudo bem. Hoje é só a madrugada. É onde eu me encaixo, é onde eu me escondo, mas o dia vai ser bom. O meu e o da H.

Tuesday, 11 December 2007

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Desculpe
Por ter rejeitado as flores
Por não ter retribuído
O olhar
E por não ter te pedido
Pra trancar a porta
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Monday, 26 November 2007

Karinamovich

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Desta vez nem pulou
e já se quebrou
inteira
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Tuesday, 2 October 2007

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Eu ainda sou eu
Dormindo de roupa
De brinco
De sapato
De maquiagem
Balbuciando bobagens
No banheiro
E me pendurando
No único galho de árvore
Que está podre
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Friday, 14 September 2007

Saiu a Revista Lasanha Ed. 4.

Claro que eu estou atrasada. Só consegui ver hoje. E claro que eu estou sem tempo de fazer um post bonito. Mas fica a intenção.

Sem mais delongas.

http://revistalasanha.cjb.net/

Pior foi a minha cara de idiota conforme o ponteiro foi andando. Pior foi meu sorriso amarelo e as mentirinhas pra não passar vergonha. Pra não mostrar que eu não tenho mesmo jeito e que todo mundo tinha razão quando disse que era pra eu ficar na minha. Então eu estou aqui de novo e nem tinha visto a 4ª edição da Revista, tiveram que me mostrar. Virei uma pessoa chata, uma trabalhadora chata, uma escritora chata, uma amiga chata, uma crítica chata, uma compulsiva chata. E repetitiva.

Friday, 3 August 2007

Revista Lasanha 3ª Edição


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Sei que estou atrasada, mas antes tarde do que nunca. A Edição 3 da Revista Lasanha está no ar, e esse mês traz meu textinho extraído daqui mesmo, por que tive pouco tempo de enviar outro superior.
Esse mês eu não pude deixar de notar que a Clô Zingali ta escrevendo lá também. Temos nos correspondido bastante nos últimos tempos e é uma pena que mais uma pessoa que bate (sabe quando bate? Pois é, a Clô bateu) esteja morando lá longe.
Rasgações de seda á parte, os chefs são:

Jarbas Capusso Filho, MaicknucleaR, Clotilde Zingali, Célia Musilli, Mariana Hagnè, Eduardo Lacerda, Bebeto Cicas, Jorge Mendes, Marcelo Montenegro, Daniel Faria, Lindsey Rocha , Larissa Marques, Artur Gomes, Paulo de Tharso, Maria Angélica Abramo, Márcio Américo, Rafael Nolli, Diniz, Mão Branca, Beatriz Bajo, Bárbara Lia, Assionara Souza, Juninho 13, Ricardo Carlaccio , Nicole Louise, Julio Cararra, Marcelo Ariel, Cássio Amaral, Roberta Silva, Daniel Cavana, Paula Klaus, Carolina PsiA , Edson Pielechovski, Claudia Maniezzi, Claudia Menezes, Alessandro Bartel, Me Morte, Cesar Ribeiro, Robson Araújo, Cassiano Monteiro, Rosana Faria Freitas, Karina Abramovich, Eduardo dos Anjos, Camilla Lopes, Marcell Dias Pitelli e Heloisa Galves.

Sem falar que a revista conta com algumas novidades, que vocês vão ter que olhar.
Sirvam-se.

Wednesday, 25 July 2007

Sobre a capacidade de matar o amor
Ou
The Great Gig In The Sky

Passei noites em claro balançando o berço onde o amor deitava, exausto, chorando a madrugada inteira. Falta de alimento não era. Talvez fosse a música. Mas acho que não era também. Amar o amor é o pior erro humano. Existe essa necessidade de tapar esse buraco que dói e sangra o tempo inteiro, assim, na frente de qualquer um. Muitos constrangimentos que podiam ser evitados se os curativos estivessem bem colocados e com esparadrapos suficientes.
E depois de simplesmente levar um balde de água fria na cabeça a gente simplesmente devia aprender. Eu tenho que aprender a não entregar meu coração assim, desse jeito. Pra qualquer coisa, não só pessoas. Por que eu sei que o que volta pra mim é só um pedacinho dele, todo mutilado, todo roxo, irreconhecível. “Karina, esse coração que tava lá na calçada é seu?” Oh, sim, obrigada. Já estava começando a achar que não o veria mais. Obrigada de novo. “Por nada. Mas enrosca ele aí logo, por que da próxima vez você pode não ter tanta sorte, valeu?”. Certo, eu sei, eu sei ...
Mas eu não enrosco. E quando eu não enrosco, eu passo um tempão olhando pra ele pra ver se ele vai se reconstituir. Mas o tempo passa, nada acontece e eu continuo olhando. Volta pro peito mutilado mesmo. Esperando alguém com umas ferramentas pra consertar ele. Sim, por que eu mesma já não me julgo capaz de consertar tudo isso aqui sozinha. Odeio admitir. Odeio mesmo. Mas eu tenho caído no berreiro na frente de cada panaca. Nunca fui classuda. Pelo contrário; minhas pérolas estão bem longe dos saltos das madames. Às vezes eu fico pensando que eu não sei fazer nada e nem sou capaz de aprender mais nada. Primitiva desde a raiz do cabelo. Na frente das pessoas que eu podia chorar, eu fico tentando dar uma de forte. Não gosto da possibilidade de dar trabalho pra alguém.
Eu estive pensando no meu coração, no meu lugar no planeta, nos meus passos certos em contravenção dos meus passos errados.
Eu queria saber quantas pessoas tem coragem suficiente de dar amor sem expectativas... se não dói... se não acaba matando.
Fico pensando se não estou cometendo o erro de sempre. O erro fatal da não-entrega, o erro fatal da preocupação com os achismos dos outros. E penso ainda, no por que disso tudo, sendo que tudo que eu queria era me entregar do jeito que eu sempre ameaço, era abrir meus braços e deixar que meu emocional tome conta geral dos meus movimentos, da minha voz, do meu corpo.
Fico pensando que o amor não pode ser só a figura de um coração e uma faca embrulhados pra presente chegando á porta de quem não sabe amar.
Eu me peguei dizendo ontem pra Michele, “Mi, eu preciso de mais. Eu sempre preciso de mais”. Ela concordou com a cabeça e com a expressão de quem não estava entendendo nada e ao mesmo tempo estava entendendo tudo.
Eu não lembrava que detestava me sentir assim. Mas eu detesto. Eu detesto mais do que estar acompanhada por um monte de bocas que não dizem nada.

Tuesday, 10 July 2007

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Karina Abramovich: Sempre blogando posts injustos e sendo exagerada. Até quando sabe onde vai dar.
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Monday, 2 July 2007

Antítese

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Entregue. Eu, as minhas pieguices e o meu amor. O resto coloco na prateleira. Do resto não preciso. Tudo que eu preciso é dessa porra dessa entrega. Por que eu já sou inclinada a fazer isso. Eu to indo lá. Eu e a minha corda. Vou me jogar lá do alto daquele abismo e vou sentir o vento na minha cara quando eu estiver caindo por que eu não sei ser de outro jeito.
Desse jeito aqui eu não consigo ter paz. Desse jeito aqui eu não consigo sentar de frente pr’aquele lago e acender o meu incenso. Desse jeito aqui eu não realizo, eu não saio das nuvens. Fico dançando, saltitando, tomando chazinho de ervas. Enfio uma flor no meu cabelo e vou escutar Polyphonic Spree. Eu quero me jogar agora e eu quero quebrar a minha cara bem quebrada por que senão nada disso vai ter valido a pena. E tem muita coisa aqui que vale. Vale a pena pra caralho e compensa tudo.
Eu não quero nem saber. Sai da minha frente. Sai que eu to indo lá no abismo com a minha cordinha fraca.
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Karina Abramovich.: Agindo sempre contra as corporações. E ficando sempre no prejuízo.
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Thursday, 28 June 2007

Asas de barata

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Eu to aqui tentando me desvirar. Voltar pra algum lugar quente do qual eu nunca quis ter saído - mas eu saio, vou correndo, nem percebo. Vivo pouco e me machuco muito. Eu to aqui tentando achar uma tal de paz do espírito e ainda não angariei uma pista que seja. Pensei em espalhar nos postes uns cartazes com dizeres tolos.
Definitivamente. Olha aqui esse buraco. Me diz se alguém que é forte tem um buraco desses. Não adianta essa mala de medicamentos, não adianta a reza, nada. Tudo que sobrou foi essa minha fraqueza e essa minha petulância, que convenhamos, são qualidades nada sinônimas.

Thursday, 21 June 2007

A Especialidade da Casa


Os Chefs:

MaicknucleaR, Carolina PsiA, Daniel Cavana, Karina Abramovich, Roberta Silva, Camilla Lopes, Anderson H, Saulo Ribeiro, Larissa Marques, Diniz, Lívia Mara, Juliana Martins, Mão Branca, Me Morte, Beatriz Bajo, Fernando Blues Borghi, Juninho 13, Karen Debértolis, Júlio Carrara, Cesar Ribeiro, Bebeto Cica's, Marcelo Ariel, Maria Angélica Abramo, Paulo (Picanha) de Tharso, Nicole Louise, Barbara Lia, Bianca Nóbrega, Emerson Wiskow, Ricardo Carlaccio, Artur Gomes, Robson Araujo e Cássio Amaral.
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E não precisa dar gorjeta ao garçom.
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Wednesday, 30 May 2007

Entre Quatro Paredes (azuis)

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Sabe aquelas noites em que acontece de tudo pra você ficar em casa, mas mesmo assim você sai e estraga tudo? Pois é.
Aí no outro dia eu sai com a minha cara inchada e minha mochila nas costas, pra ser surpreendida por uma pessoa tranqüila, que falava comigo me olhando nos olhos. Não tinha nada de inquieta e precupada como eu tinha na minha recordação. Alguém que tomou café comigo, ouviu minhas divagações (inúteis) - (ou não) e (quase) todas as minhas músicas clichês sem reclamar, fumou comigo, e enfim, alguém que estava ali.
Eu havia pensado que ninguém no mundo inteiro seria capaz de me tirar daquela minha tristeza (que nem tinha motivos plausíveis) santa (sem motivo plausível nenhum também). Obrigada por ter tirado aquele peso dos meus ombros que você nem reparou. **Olha só pra mim tentando (inutilmente e horrivelmente) escrever como você (e todos os parênteses de Jack San Diego) - não sinta repugnância, sei que eu to estragando a graça da tua escrita. Não chego nem perto. E você pode falar que eu fiz tudo aquilo que eu jurei que não faço. Fo-da-se. Você não sabe que eu vou ficar triste se você for embora. Mas agradeço por aquele dia, por que foi (quase) perfeito. Quase. E quase já está de bom tamanho, por ora.

Wednesday, 23 May 2007

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E já tem gente falando da Lasanha. Eu queria sair fuçando pra ver o que o pessoal estava achando, mas o Maick foi mais rápido, então copio o link.

http://aslatrinasdavida.blogspot.com/2007/05/sua-famlia-te-diz-estamos-vendendo-casa.html

E mesmo que ele diga "não agradeça", não tem como não agradecer o que ele falou de mim por lá também, no mesmo post do Latrinas. Obrigada, Sr. NucleaR. Minha cabeça de geminiana atrapalhada muitas vezes entra em conflito com a sua librianamente esperta. Mas a gente acaba se entendendo. Acaba tirando a máscara.

_ Maick, eu nunca sei como terminar um post.
_ Ahaaa, o fim é a melhor parte. Eu sempre sei terminar um post.
_ =(
_Eu ensino você. Coloca assim: FIM.

Tá bom.

FIM.
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Monday, 21 May 2007

O que é que tem no cardápio hoje?

E aí que hoje tem estréia. A edição nº 1 da Revista Lasanha está no ar, e eu faço parte do time dos chefes de cozinha. Tem um time fera escrevendo por lá.
As especialidades da casa estão por conta de: Roberta Silva, Karina Abramovich, Cássio Amaral, Célia Musili, Juliana Martins, Duda Bandit, Randall Neto, Alessandro Bartel, Ricardo Carlaccio, Tícia elfe, Nick Farewell, Daniel Cavana, Camilla Lopes, Nicole Louise, Bebeto Cica's, Maria Angélica Abramo, Juninho 13, Bianca Nóbrega, Paulo Picanha de Tharso, Karen Debértolis, Beatriz Bajo, Diniz, Bárbara Lia, Marcelo Ariel, MaicknucleaR (autor da encrenca e chefe bonzinho) e Luana Vignon.
Quer uma garfada? É por conta da casa.

http://revistalasanha.cjb.net

E pode repetir.
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Thursday, 10 May 2007

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Eu estava sem dormir, bêbada de sono e tentando ficar bêbada de cerveja. E quando eu fui lá mexer nas asas inúteis do tucano que não saía do lugar eu olhei pro lado e te vi encostado na parede. Colocou uma mão no bolso do casaco e acendeu um cigarro com a outra.  Sentei, emburrada.
Eu queria ir embora. Dormir.
Aí a sua imagem sumiu. Sei que você não ficou com pena de mim. Então eu não sei por que você sumiu, mas você foi. E eu permaneci na varanda olhando o céu que ameaçou, ameaçou, ameaçou, mas não choveu. Só por que o tucano estava sem asas. E eu também.
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Wednesday, 9 May 2007

E morre mais um cidadão de bem. Morto por mim, claro.

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Dei cabo do Marretando. Não ia fazer isso. Não já. Mas dei. Me bateu um tsc do nada e dei. Devem ser esse remédios que eu to tomando pra curar a minha gripe. Minha vida não foi mais a mesma desde segunda. Eu até tinha coisas para espalhar por lá ainda, embora nunca tenha ficado bem nítido na minha cabeça o critério que usava pra decidir o que ia pra lá e o que vinha pro 3/4. Acho que eu pretendia deixar no Marretando os sentimentos antigos, caquéticos, revirados e seqüelados de dentro de mim. Ou só por que eu me apego ás coisas e ele era meu filhinho.
Já estou sentindo uma pequena saudade dos novatos que perguntavam "mas por que logo esse nome, karina?". Mas não tem mais graça responder um monte de coisa diferente a cada vez por que eu já expliquei tudinho aqui:
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E tem novidade. Quem não se agüentar e quiser saber agora, é só dar uma clicada lá no MaicknucleaR, autor da questão. E quando eu digo rápido é rápido mesmo por que ele mesmo já avisou que o post vai expirar. Eu não vou contar agora. Só quando estiver tudo pronto. Quero fazer um anúncio bem grande. E sair pra comemorar. E esse post aqui já tem tema. Volta.
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Talvez eu transporte pra cá algumas coisas que transitavam pelo Marretando. E vou até falar um segredo: pode ser que ele volte com um novo layout, uma proposta e até tema. E o mesmo título, claro, por que eu gosto de "Como Marretar Batráquios". Mas vai demorar pra caralho, então sosseguem.
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Por enquanto peguem seus ponchos, seus chás de erva, sopinha de legumes e cachecóis que está um puta frio nessa cidade hoje, e continuem desfiando.
Até breve.
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Monday, 7 May 2007

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A gaiola das loucas foi arrombada no sábado. Virada Cultural, um montão de planos, mas um montão de gente também, e eu só consegui ver metade da última música do Teatro Mágico que era um dos que eu menos queria ver, a base de cotoveladas e empurrões. Perdi Premeditando o Breque. Perdi Made in Brazil. Vi Nação Zumbi de lá de pertinho. Não do palco. De pertinho da base comunitária da polícia, onde os pms ficavam me empurrando toda hora com o cassetete pra eu desencostar da corda. Depois minha pressão caiu. Aí a Mi e a Ka trocaram alianças ali na minha frente ao som de Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada, e eu fiquei tão emocionada, e a Karla falou “porra, você ta mesmo em tudo, né?” e eu fiquei feliz por poder estar e a gente se deu um abraço. E a Mi perguntou “você sabe que você é a madrinha dessa porra toda, né?”, e eu disse sei, claro que eu sei, e a gente ficou lá sendo piégas pra caralho, até a amiga delas vomitar em mim. Juro. Eu tava olhando pra trás pra ver se a polícia ia ir lá matar a gente e senti um jato quente no meu cabelo e no meu braço. Quando eu olho pra frente, a mina lá, passando realmente mal. E eu toda cheio de vinho. Meu Deus. Ela vomitou em mim. Ela vomitou em mim. E a Michele invés de me ajudar ficou lá se contorcendo no chão de dar risada. Tudo bem. Ela tinha acabado de trocar alianças e era o dia dela. Segura essa porra pra eu trocar de blusa. Segura, porra! E a Michele lá rindo da minha cara, não segurava nada e eu lá toda vomitada. Troquei de blusa. Parece que eu adivinhei que ia precisar de uma blusa a mais. Aí eu fui lá com o Flavinho e as outras gurias e a Mi e a Ka levaram a mina embora. Nos perdemos. E a Michele ainda levou meu cigarro. Ok. Aí algo estranho aconteceu. Não só estranho, mas estranhissíssimo. Mas essa parte eu não quero comentar. Só digo que eu não tive culpa. E que eu queria que ninguém ficasse braba comigo. E que essas coisas acontecem nas melhores famílias, afinal, não tem como prever. Eu não sou uma filha da puta. Pelo menos não quis ser. Foi assim sem planejar mesmo. Bom. Aí eu passei mal e fui embora por que eu queria tomar banho e dormir e comer alguma coisa senão eu ia dar pt. E tinha metrô, olha que bom. Hoje acordei com a voz que eu amo no meu ouvido, e eu tava doente, doente literalmente, corpo moído, tosse, garganta doendo, nariz ruim e quase sem voz. E como eu tinha acabado de acordar, eu não estava pensando e não consegui falar nada. Eu fico fora de mim quando eu acabo de acordar, sabe. Tenho perda de memória. Tudo funciona devagar demais. Mas tudo bem, eu estava doente. Ainda estou, mas agora estou pensando. E pensei olha que merda, agora vai demorar mais uma semana. Queria conseguir pensar um pouco quando eu acordo. Queria mesmo. Mas agora é tarde.
Agora vou lá tomar uma aspirina. Um chazinho Vick. Por que senão eu não seguro o resto dessa semana. E ela promete ser uma das mais confusas. E das mais cínicas também.
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Karina X Karina - Parte III

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_ Karina, o que é que ce ta fazendo de novo nesse canto com esse caderno?
_ To tentando matar algumas coisas dentro de mim, aqui.
_ Mas já tem um tempão que você descobriu que isso não funciona.
_ Se você acha que é assim fácil, vem aqui me dar a mão pra eu levantar.
_ Você sabe que eu ainda to meio fraca.
_ Então que tal parar de encher o saco?
_ Você sabe que eu quero o seu bem, não sabe? Só não te dou um abraço por que se alguém ver eu vou ficar com vergonha.
_ Entendo.
_ Sério, vamos tentar ir lá pra fora. Essa Marisa Monte é muito fossa.
_ Não dá. Tenho medo que todo mundo fique olhando pra esse buraco aqui, ó.
_ É, ta feio mesmo. Mas isso é meio culpa sua.
_ Meio não, total e completamente minha. Eu não saio falando isso por aí, mas pra você eu acho que não tem problema. A culpa é minha mesmo.
_ Pelo menos em mim você ainda confia.
_ Na verdade, tem mais alguém aí em quem eu ando confiando.
_ Ele merece?
_ Ainda não sei. Mas algo me diz que sim.
_ Mas ele não é ele que está aqui agora, é?
_ Não.
_ Então se contente comigo.
_ Estou contentada.
_ Não ta parecendo.
_ Mas estou.
_ Então ta. Só não vai começar a mentir pra mim à essa altura do campeonato, nega. Não é boa idéia.
_ Eu não faço isso. Você sabe que se eu não quiser debater eu posso fugir de você e acabou.
_ Pior é que nem acabou, não.
_ Nem.
_ Tola.
_ Pois é.
_ Posso acender isso aqui?
_ Depende.
_ Depende de quê?
_ Posso tomar aquele vinho ali da garrafa?
_ Pode.
_ Então ta. Acende.
_ Obrigada. Tava precisando. E então? O que você pretende fazer da sua vida agora?
_ Esperar, eu acho.
_ Você está fazendo isso já há algum tempo.
_ É, né. Mas eu não consigo pensar em mais nada.
_ ...
_ ...
_ Olha aquele tucano, que bonito.
_ É mesmo.
_ Sabe, eu acho que você ta certa.
_ Sobre o tucano?
_ Não. Sobre esse negócio de esperar um pouco. O tempo acerta tudo.
_ Você está mesmo me apoiando?!
_ Claro, nega. Agora vai lá tirar essa Marisa Monte, vai.
_ E colocar o que?
_ Coloca aquele cd que você baixou da Joan Jett.
_ Mas lá tem Black Velvet.
_ Verdade. Tem Black Velvet. Também não posso com ela. Nada de Joan Jett.
_ Nada de Joan Jett.
_ Pixies?
_ Opa, boa, hein.
_ Pra já. Pega esse caderno aqui e guarda lá pra mim então.
_ Joga aqui, ó.
_ Cuidado com os papeizinhos que estão dentro.
_ Mas é claro.
_ Chuchu Beleza.
_ Tomate Maravilha.
_ Bateu?
_ Bateu.
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Wednesday, 2 May 2007

Tinha você

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Naquele cigarro a mais fumado por pura teimosia
que ferrou com o meu estômago ontem
Na vitrola tocando Miles Davis no domingo
entre os ruídos do vinil velho
Naquela ponta de caneta bic estourada
e naquelas linhas de poema que eu escrevi no braço
na porta do metrô
Até nos poemas que eu quis escrever e não pude
por que não tinha como anotar e eu esqueci depois
nos ponteiros vagarosos do relógio quando eu estou sem paciência
e no perfume que volta na minha blusa
quase todas as sextas feiras de madrugada
no filme que não era de chorar
mas que me arrancou todas as lágrimas que estavam presas
sem minha permissão
me fazendo sentir ridícula
Em todos os segundos de since i've been loving you
que eu engoli a seco no feriado
e na minha caixa de entrada repleta de ansiedade
em e-cartas que eu escrevo longamente e depois não mando
com medo de ser bocuda
chata
inconveniente
imprecisa
Tinha você
Nas idéias embaraçadas escritas a mão numa agenda de 2005
pro que podia ser meu 'primeiro trabalho'
E depois disso tudo, tinha você
em todo o resto
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Assim não vai dar.

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Tive uma crise de choro assistindo Simbat na Sessão da Tarde da Globo.
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Thursday, 19 April 2007

Welcome

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Movich andava desaparecida.
Mal-criada como sempre foi, não deu satisfações. Foi. Senti falta dela sentada no chão do corredor ouvindo rádio. Ela ficava ali, de frente pra porta esperando alguém entrar. Eu ficava só olhando, falando pra ela desligar logo aquela merda; ela tinha mania de deixar o rádio ligado só pra poder não prestar atenção.
Ás vezes trazia flores pra casa, e sem querer eu a pegava no seu olhar triste, olhando-as murchar. Ela dizia que a casa era muito cinza. Ela queria que fosse primavera sempre e rezava antes de dormir pra que fosse primavera sempre.
Movich fuma dentro de casa. Eu vivo pedindo pra ela não fazer isso.
Também peço pra que ela não faça amor com os homens errados, por que, no fundo, eu quero o bem dela.
Ela diz que não existem pessoas certas.
Ela diz que eu romantizo tudo.
Toda sexta-feira ela me pergunta se dessa vez iremos sair juntas. Quando eu respondo um 'não' seco, ela ri malévolamente. Movich sempre volta toda roxa pra casa e nunca lembra onde se machucou. Mas pede para que eu cuide dos seus ferimentos, com aquele jeito de quem não está pedindo nada demais. Tem dias que ela pula na minha casa umas seis da manhã. Me chacoalha, abre a janela na minha cara e grita bom dia incansavelmente até que eu responda bom dia de volta.
Hoje Movich voltou. Dessa vez, bateu à porta. Deu um sorriso jovial e passou as mãos nos meus cabelos.
O gato se esfregou nas pernas dela, e a gente tomou um scotch.
Seja bem vinda.
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Friday, 13 April 2007

Era aquilo mesmo.
Era aquilo mesmo.
ERA AQUILO MESMO!

Mas tem uma vozinha dizendo baixinho pra eu tomar cuidado. E eu tomo. Sempre. Mas tem hora que não dá vontade. Tipo agora. Agora eu não to com vontade. Nenhuma.

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Thursday, 12 April 2007

Round One

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Esse computador está se negando a abrir meus e-mails. Dependo da vontade dele.
Esperaí.
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Wednesday, 11 April 2007

A gente ficou escutando no tapete da sala o piano da música. Ela é fã do Arnaldo. Ela gosta de beber e ficar repetindo pra eu prestar atenção. Olha a letra, olha a letra. Agora olha aquele barulhinho lá no fundo. Você sabe o que é que ta fazendo isso? Você não ta prestando atenção. Presta atenção, porra. Olha que lindo. Olha que lindo!Depois colocou aquela música que ela ta escutando agora sem parar. Foi bem na parte que ele cantou “muito triste pensar em você com quem não vive depois da morte / seria o maior barato tocar seu coração / vivo a pensar / pra frente / quando não mais houver cidade / vou te achar / com mil anos de idade...” que ela olhou dentro dos meus olhos daquele jeito. Queria não ter visto. Isso começou a me incomodar, não por que me senti culpado, mas por que eu não tinha sequer o que dizer diante daqueles olhos ansiosos. Não consegui nem pedir desculpas. Desviei. Ela disse que eu nunca prestava atenção em nada. Sorri em resposta, mas eu sabia que ela não tava brincando. Ela se serviu de um cigarro do meu maço, apesar do maço dela estar cheio sobre a mesa. Ela tem mania de fazer isso. Rouba meu copo, toma minha tequila mesmo odiando tequila, fuma meus cigarros e se seca com a minha toalha. Isso me irrita de vez em quando. Ela não pede nada. Ela nem nunca pediu pra eu ficar. Ela sabe que eu tenho que ir uma hora. Ela sempre fica na dúvida se a gente vai se ver de novo. Eu digo relaxa, garota. Dou um beijo na testa dela deixando pra trás os olhos baixos e tristes que ela tem. Às vezes ela fica sentada olhando eu ir embora. Eu olho pra trás e ela ta lá, sentada na calçada, com uma expressão indecifrável. Malditas expressões essas que ela faz. Eu fico preocupado. Ela diz as vezes que não sabe onde enfiar o coração dela. Assim do nada. Depois pede desculpa. Diz que está bêbada. Pega o último cigarro do meu maço e muda de conversa. Se eu pudesse eu até te levava, garota. Mas eu não posso. Vai que a culpa vira minha.

Feliz Páscoa?

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Eu não gosto muito de feriados. Vésperas de feriado então, nem se fala. Geralmente lembro muito pouco deles depois. Quinta feira eu não ia sair de casa por que eu decidi que eu tenho permanecer o maior tempo possível trancada, já que essa vida que eu levo não ta me levando a lugar nenhum. O Gabriel passou do meu lado de carro e eu nem consegui ver. Queria. Faz tempo que eu não vejo o Gabriel. Tenho que devolver o livro dele. O Flávio que falou que era ele berrando de dentro do carro. Aí a gente ficou escutando umas músicas no bilhar, e foi encontrar o pessoal no bar que tinha mais pra frente. Já disse que eu odeio a Augusta? Eu odeio a Augusta. Já gostei. Mas agora eu odeio. Desde que eu cheguei lá, minha vida ficou meio obscura.
Eu lembro pouco de quinta. Sei que eu tava passando mal, por que me lembro de reclamar toda hora “Eu to passando mal, Flavinho. Eu to passando mal”.
Fugi lá pra fora com o copo de bombeirinho do Flávio nas mãos. Eu pra tralálá de bêbada tentando esnobar ao máximo o chato do Beto Bruno que tava lá olhando pra minha cara. Portanto permita-me dizer que: Eu não acho orgulho nenhum estar num boteco chato que só tem gente chata pagando um pau p’rum cara chato só porque ele tem uma banda mais chata ainda. EU ODEIO O BETO BRUNO.
E se você gosta de Cachorro Grande, problema seu. O cara é um verdadeiro chato. CHATO. Eu já gostei, velho. Algumas pessoas devem lembrar. Não vou bancar a hipócrita dizendo que sempre achei o pessoal do Cachorro Grande um bando de chatos. É que eu prestava atenção nos caras tocando, e eles tocam bem. Mas ficaram chatos. A voz do Beto Bruno é chata. Ele todo. Isso eu sempre achei. Agora eles todos estão chatos. Aí eu parei de ouvir. Acontece com todo mundo. Eu disse pra ele na quinta. “Eu ouvia quando tinha 13 anos”. Ele disse que estava velho. Eu falei pode crer. E fui lá pra fora. Aí fiquei atirando nuns bichos do videogame da casa do lado até doerem os braços, sentei na calçada, ouvi uns recados do meu celular, fiquei com soluço, levei a Amanda em casa, peguei uma blusa emprestada porque agora São Paulo desembestou a voltar a fazer aquele puta frio de madrugada, e quis dormir até tarde, mas não consegui por que fui encontrar a Sté pra depois encontrar a Rê e ficar muito doida de novo.

Portanto estou implorando.

Parem de me chamar pra sair.

Parem todos.

Como eu sou uma pessoa com um defeito horrível, o de não saber dizer não, então façam esse favor pra mim. Não me chamem mais pra beber. Tenham a bondade. Eu agradeço.

Thursday, 5 April 2007

Tem um paninho aqui?

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Ontem eu fui lá, dar um jeito de escutar a voz presa dentro do aparelhinho. É que surgiu uma verba no nada, sabe. Aí eu ouvi. E eu ouvi umas... 4 vezes? Sim, por que se eu ouvir mais que isso, eu preciso de mais verba. E não tá assim, por enquanto. Eu nunca gostei de caixa postal. Nunca. Eu nunca dei sorrisos com uma caixa postal, também. Na caixa postal só tem chefe correndo atrás de você, pai correndo atrás de você, amiga falando que não vai mais poder ir então vai ter que ficar pra próxima, ou amigo dizendo que vai te matar se você não estiver não sei onde tal hora, tchau.
E ontem você nem sabe, mas você me arrancou sorrisos absolutamente sinceros. Por que a tua voz faz massagem nos meus ombros. E o som da tua risada também. E eu fiquei olhando as carinhas que você fazia mesmo sem estar te vendo. Faz um favor? Eu to em estado de pré colapso. Degelo. E você é o único que me acalma. Então me escreve. Antes que eu derreta inteira.
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Wednesday, 4 April 2007

Detalhes Irrelevantes

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Garota preocupada, sentimentalóide. Sempre atrasada. Bêbada amorosa. Caçadora de coisas melhores. Anciosa. Coração de manteiga. Fã de recortes. Leitora sem grana pra se aprimorar, por isso freqüento blogs. Escritora egoísta que sempre fala de si mesma por que não consegue falar de mais ninguém - por isso escrevo em blogs. Adepta à auto-sabotagem. Contra preconceitos. Durmo pouco. Sonho muito. Antipática por natureza, porém muito bem educada. Não puxo sacos. Não pago paus. Procuro ouvir mais e falar menos, mas falo demais e escuto quase nada. Sem religião, mas com um pouco de fé. Fé não, esperança. Creio em destino. Nada acontece por acaso. Apaixonada por pessoa impossível. Bebo pouco, porém freqüentemente, e chapo fácil. Creio que vou morrer de uma dessas três mortes: Acidente de carro, câncer em algum lugar fóda ou tomando um tiro de besta num assalto ou numa briga de bar que não é minha.
Não sei dar cambalhota, nadar, dar estrelinha, nem andar de bicicleta. Aprenderei tricô. Quero, mas não aprenderei a nadar. Contratarei um analista. Tiro fotos e escrevo minhas coisas. Não sou fotógrafa nem escritora, porém me auto-denomino assim pra tirar um barato. Não pra tirar um baraaato por que vou ser mesmo, um dia. Algum dos dois vai ter que me levar pra algum lugar, por que eu não sei fazer mais nada. Dada à crises de solidão, desespero, choro, ataques súbitos de raiva e isolamentos desnecessários. Mania de listas, grandeza e inclinação ao TOC.
Inimiga de despertadores e coisas com asas. Alérgica a picadas de insetos. Pesadelos com elevadores desde pequena, que discutirei com meu analista quando tiver um.
Candidata a ficar pra tia como todas as mulheres da família que não souberam escolher seus homens e acabaram sozinhas, gordas e amargas. Não toco mais violão nem guitarra por falta de cordas novas e do tamanho das unhas, quais consegui parar de roer do nada. Sempre em dúvida sobre a última frase de um post. Quando quero enrolar, termino com

Adieu.

Monday, 2 April 2007

Na Dúvida...

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Será que eu ouvi mesmo o que eu acho que eu ouvi?
Eu não tive certeza. Depois, eu passei muito tempo pensando nessas coisas. Nas que eu ouvi e nas que eu acho que eu ouvi.
De pouco em pouco, por que eu trabalhei que nem uma filha da puta de tarde e de noite. Minhas costas moídas. Meus dedos pedindo clemência. Chega de computador, chega de computador.
Aí eu fui dormir de madrugada, o que significa que hoje o dia vai ser fóda, por que eu vou ter que trabalhar e morrer de sono e de dúvida,
Eu não sei se está finalmente tudo dando certo.
Não deve estar. É sempre assim quando eu acho que está.

Meu ouvido é ruim.

Taí;
Eu tinha que ter parado na hora, olhado, e dito "oque foi que você disse agora?".
Mas eu não parei.
Sou medrosa. Sou cuzona.

Karina. Acorda.

Você ouviu errado.

Será?

Não, você ouviu errado.